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Em balanço de 2025: Associação Ecológica Amigos dos Açores condena reduzido peso do PRR no ambiente

A Associação Ecológica Amigos dos Açores fez um balanço do ano 2025 e destacou, em comunicado, “o que de mais significativo sucedeu nos Açores em matéria ambiental” em 2025 e deixou uma reflexão do que pode ser mais importante para o novo ano.
“Após décadas de contestação e avanços e recuos, foi inaugurada a segunda incineradora dos Açores, na ilha de São Miguel.
Embora a central tenha uma capacidade instalada de menos de metade da inicialmente projectada, e de ter sido instalada uma subdimensionada unidade de tratamento mecânico e biológico, não deixa de ser um investimento que o tempo demonstrará a sua desadequação à realidade insular, bem como irá onerar o cidadão, sem qualquer benefício derivado da energia eléctrica produzida, a qual ousam classificar como uma energia renovável”, refere a associação.
“A primeira incineradora dos Açores, instalada em 2011 na ilha Terceira, não revolucionou minimamente a realidade da gestão de resíduos na ilha, ao nível da reciclagem. A ilha Terceira carece, urgentemente, da instalação de uma unidade de tratamento mecânico e biológico”, afirma.
2025 foi um ano que “ficou marcado também pela eventual perspectiva da negação das áreas protegidas marinhas dos Açores, mesmo antes da sua regulamentação.
Uma região que assumiu o desiderato e pioneirismo internacional de classificar 30% da sua área marinha como reserva integral, assiste à ameaça de se eliminar qualquer área com tal nível de protecção, para que se possa capturar atum nestes locais”, revela.
A associação ainda referiu que “tais ameaças advêm de geometrias e aritméticas parlamentares dos tempos correntes, dotadas de retóricas populistas em todos os seus quadrantes, que não entendem que o essencial nem sempre é visível aos olhos. Essas geometrias são para mais tarde lamentar, pois perdem a sua energia na espuma dos dias, adoptando tal inércia legislativa, da qual só teremos real percepção dentro de alguns anos, de preferência quando os protagonistas já forem outros, para a conveniência de criticarem os anteriores”.
Além disso, a Associação Ecológica Amigos dos Açores destacou que 2025 foi “mais um ano sem revisão do Plano Regional para o Turismo, sem alteração do Regime Jurídico do Ordenamento do Território, da publicação das Cartas de Turismo e Desporto de Natureza, para além de mais de uma dezena de Planos Directores Municipais que teriam de ter sido publicados até finais do ano”.
“Foi mais um ano de constrangimentos na época estival, como o encerramento a banhos do Ilhéu de Vila Franca do Campo, mortes por afogamento em lagoas, resgates de caminhantes inusitados, crónicos problemas de sobrecarga de locais derivados da visão territorial ser focada no aumento exponencial de viaturas individuais em detrimento dos transportes colectivos, como é bom exemplo o shuttle da Lagoa do Fogo, e o qual já deveria ter sido replicado noutros locais”, assegura.
“E vem agora 2026, no qual, mercê do empenhamento financeiro regional na execução do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), as verbas específicas disponibilizadas para o ambiente – numa região que se intitula sustentável e ecológica, em recorrente obtenção de galardões a este propósito – não chegam aos 1,5% do investimento total. Continuaremos com os problemas ambientais a agravarem-se por mais um ano e a terem custos maiores no futuro do que teriam se os investimentos fossem efectuados mais cedo”, lamenta.
A Associação Ecológica Amigos dos Açores termina o comunicado com a seguinte mensagem: “O ambiente dos Açores merece mais e melhor. Cumpre-nos, enquanto organização não governamental para o ambiente, em 2026, reivindicar maior reconhecimento e prioridade das autoridades para as questões ambientais, acompanhada de maior e melhor investimento material e financeiro, sob pena de estarem no horizonte anos de estagnação e, até, retrocessos em diversas áreas de actuação”, conclui o comunicado.

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