Parece que a próxima geração terá grandes desafios pela frente, pois tem-se percebido uma correlação entre atrasos no desenvolvimento e o tempo passado em frente a telas. Além das problemáticas trazidas pela luz azul, existe ainda o problema do conteúdo altamente estimulante de que as redes sociais estão repletas, e de que a geração atual é vítima.
A geração mais nova é sempre vista como errónea, má e desadequada e, vai ser ela a culpada da nossa iminente “extinção”. Cada nova geração parece-nos alienígena, não percebemos como é da maneira que é, nem como age da forma como age. Até porque isto é ciência quântica e não somos nós, os adultos da atual geração, quem a está a criar e educar. A menos que deixemos os influencers como responsáveis pela educação dos nossos filhos.
Nós, adultos, somos perfeitos, sem qualquer erro, à imagem e semelhança de Deus, que imagino estar muito desiludido com a distorção que damos à sua mensagem, que supostamente deveria ser de compaixão, empatia, inclusão, ou, se calhar percebi tudo mal. Parece-me que tal como nós não sabemos o que havemos de fazer com os nossos filhos, Deus também não sabe o que há de fazer connosco. Mas tal como ele nos deu um exemplo para seguir, nós somos o exemplo que as nossas crianças seguem.
E qual é o exemplo que nós damos?
Duplos ecrãs, a ver a novela da SIC como complemento ao nível 12762 do Candy Crush Saga?
Horas a ver reels, tiktoks ou shorts?
Somos geração que não sabe descansar, somos a geração que trocou os hobbies pelo scroll, o convívio pelos grupos no whatsapp e, o comércio local pelas encomendas online.
Perdemos a capacidade de esperar.
O que faz de nós uma geração no limite, mais cansada, mais desinformada e, com cada vez menos pensamento crítico. O discurso de ódio é perpetuado como “normal” e, “só uma opinião”, as pessoas juntam-se em nichos onde cada ideia, seja ela qual for, é aceite e vangloriada, por mais descabida ou extrema que seja. Perde-se a vergonha e passamos a ser abertamente racistas, xenófobos, homofóbicos, machistas, entre outros. A culpa de todo o mal, é sempre de outros que não nós.
Somos vítimas de algoritmos tóxicos e viciados, que nos moldam sem nos apercebermos.
Olho para a sociedade que nos rodeia e pergunto-me se não estaremos a retroceder como humanos inteligentes e a aproximarmo-nos de humanos artificiais. É preciso parar e pensar, quando a inteligência artificial parece sentir mais do que a maioria das pessoas.
Fique bem, pela sua saúde e a de todos os Açorianos!
Um conselho da Delegação Regional dos Açores da Ordem dos Psicólogos Portugueses.
Bárbara Faria