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Saúde (do) Pública(o) (53)

A Saúde Pública no Irão, nos últimos 50 anos

Os Indicadores de Saúde do Irão: sua evolução desde 1970, e comparação com o Mundo e com a Região asiática

O sistema de saúde no Irão tem registado uma evolução notável desde 1970, marcada por melhorias significativas nos indicadores de saúde, como a mortalidade infantil e a esperança de vida, graças aos investimentos nos cuidados de saúde primários e na vacinação.
Em 2024 a taxa de mortalidade infantil no Irão foi de cerca de 11,5 por 1000 nados vivos, projectando-se que seja de 10,8 em 2025. Desde 1970, quando rondava os 120-140 por 1000, observou-se uma redução drástica, atingindo mínimos de 10-12 desde a década de 2010, graças aos programas de vacinação e aos cuidados materno-infantis.
Em 2023 a taxa de mortalidade geral foi de aproximadamente 5,5 por 1000, com tendências estáveis. Por causa, as doenças cardiovasculares representam cerca de 200 por 100000 (ajustado pela idade) em 2021, o cancro cerca de 100-120 por 100000, e as doenças infecciosas diminuíram, embora haja ressurgimentos pontuais. Desde 1970 as causas infecciosas baixaram de níveis elevados para mínimos pós-2000.
Em 2024 a esperança média de vida ao nascer foi de 77,5 anos, projectando-se que seja de 77,7-78,1 anos em 2025. Aos 65 anos estima-se que seja de 17 anos (em 2023). De cerca de 55 anos, em 1970, para os 78 anos em meados da década de 2020, esta evolução reflecte as melhorias no saneamento e nos cuidados de saúde.
Em 2023 a cobertura para a vacina DTP3 (difteria, tétano, tosse convulsa) foi de 99%, para o sarampo foi de 99%, para a hepatite B também 99%, e pólio igualmente 99%. Desde 1970, as taxas aumentaram de níveis baixos (cerca de 20-30%) para quase universais nos anos 1990, graças às campanhas nacionais.
Em 2018 havia 1,6 médicos por 1000 habitantes e 2,6 enfermeiros. De menos de 0,5 médicos em 1970 evoluiu para 1,8 nos anos 2010, havendo uma emigração recente que afecta estes números.
Em 2019 havia 1,5 camas hospitalares por 1000 habitantes. Desde 1970, a cobertura expandiu-se de níveis inferiores a 1 para os actuais, centrada em redes de cuidados primários rurais.
A nível mundial, a mortalidade infantil em 2022 foi de cerca de 28 por 1000, superior à do Irão (11,5 em 2024); na Ásia (especificamente Ásia Ocidental/Médio Oriente), a média é de 20-25, estando assim o Irão abaixo da média regional.
A esperança de vida mundial é de 73,6 anos, inferior aos 77,5 do Irão; na Ásia, varia entre 70-75 anos em regiões como o Sul da Ásia, com o Irão acima da média.
A cobertura vacinal mundial para a DTP3 é de 84%, na Ásia é de cerca de 80-90%, e no Irão bastante superior (99%).
A densidade de médicos mundial é de 1,5-2,5, na Ásia é similar (1-2), estando o Irão alinhado. Quanto às camas hospitalares, a média mundial é de 2,5 por 1000, e na Ásia 2-3, o que é ligeiramente superior à do Irão.
O Irão tem taxas moderadas de doenças infecciosas, comparando com a Ásia, mas elevadas em não transmissíveis, similar à média mundial.
Nos 25 anos anteriores a 1979 (1954-1979), os indicadores de saúde no Irão eram modestos, com a mortalidade infantil à volta de 104 por 1000, a esperança de vida dos 57 anos, e a cobertura vacinal muito limitada, reflectindo um sistema fragmentado, centrado nas cidades.
Nos anos subsequentes a 1979, sob o regime islâmico, observou-se uma melhoria substancial inicial, com a integração da educação para a saúde e a expansão dos cuidados primários (como o programa Behvarz), reduzindo-se a mortalidade infantil para 10-12 e elevando-se a esperança de vida para os 78 anos. O período pré-1979 caracterizou-se por um progresso lento e desigual, enquanto o pós-1979 trouxe avanços na equidade e cobertura, tendo estagnado recentemente.

Três figuras em Destaque na Saúde Pública, no Irão, nos últimos 50 anos

Nos últimos 50 anos o Irão tem registado avanços significativos na Saúde Pública, graças às reformas pós-revolucionárias, aos investimentos na investigação e ao combate às doenças infecciosas e às não-transmissíveis. Seleccionei três figuras que contribuíram decisivamente para tal: Minoo Mohraz, Ali Montazeri e Farrokh Modabber.
Minoo Mohraz (n. 1946) destaca-se como especialista em doenças infecciosas e HIV/SIDA, com trabalhos desde a década de 1980. Como professora na Universidade de Ciências Médicas de Teerão, fundou o “Centro Iraniano de Investigação em HIV/SIDA”, liderando os esforços para o controlo da epidemia no Irão. Com investigações focadas na prevenção, tratamento e redução do estigma, contribuiu para as políticas nacionais que reduziram a prevalência do HIV.
Ali Montazeri (n. 1958) é um homem da saúde pública, reconhecido pelo seu trabalho nas métricas de saúde e qualidade de vida, desde a década de 1980. Como investigador no “Centro de Investigação em Métricas de Saúde do Instituto Iraniano para a Investigação em Ciências da Saúde”, desenvolveu ferramentas para avaliar o impacto de intervenções públicas, incluindo estudos sobre o cancro e as doenças crónicas. Os seus trabalhos incluem a adaptação de questionários internacionais ao contexto iraniano.
Farrokh Modabber (n. 1940) representa uma figura pioneira na imunologia e nas vacinas contra as doenças tropicais, desde a década de 1970. Como investigador desenvolveu vacinas para a leishmaniose. Fundou programas de formação em imunologia e contribuiu para o controlo de doenças infecciosas endémicas.
Minoo Mohraz, Ali Montazeri e Farrokh Modabber demonstram a excelência iraniana na saúde pública, oferecendo lições valiosas para o futuro deste país.

Mário Freitas*
* Médico de Saúde Pública e de Medicina do Trabalho

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