A precipitação elevada registada em dezembro de 2025 na Região Autónoma dos Açores não causou prejuízos significativos nas poucas culturas típicas desta época, segundo o Estado das Culturas e Previsão das Colheitas divulgado pelo Serviço Regional de Estatística dos Açores (SREA), com base em dados meteorológicos do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA).
De acordo com o boletim, a temperatura média do ar manteve-se dentro dos valores normais para a época e variou entre 15,0 ºC na Terceira e 16,2 ºC no Corvo. A temperatura mínima mais baixa foi 8,5 ºC no Pico e a máxima mais elevada atingiu 22,2 ºC nas Flores. Quanto à precipitação, o total mensal mais elevado verificou-se nas Flores (278,7 milímetros), enquanto São Miguel registou o valor mais baixo (89,2 milímetros). Nas Flores ocorreu também o maior número de dias com precipitação (23), ao passo que o máximo de chuva num só dia foi observado na Terceira (89,5 milímetros, no dia 28).
Apesar de episódios de vento por vezes forte, o SREA refere que a chuva acabou por ser benéfica para o desenvolvimento das pastagens em zonas de baixa e média altitude, sem situações relevantes de compactação do solo. Nas cotas mais elevadas, registaram-se alguns danos associados a encharcamento e pisoteio, mas “sem prejuízos muito significativos”.
No estado das culturas, o inhame apresenta, na maioria das ilhas, “bom aspeto vegetativo” e, caso não ocorra vento que danifique a folhagem, é esperada uma colheita muito próxima da do ano passado e dentro do normal. Ainda assim, Santa Maria e Flores surgem como exceções, com indicação de folhagem menos vigorosa, refletida em índices inferiores face a um ano considerado normal.
Nas colheitas, a primeira estimativa aponta para uma produção de laranja de “boa qualidade”, sem danos relevantes provocados por pragas ou doenças, embora com teor de açúcar “ligeiramente inferior ao habitual”. Em quantidade, a produção foi semelhante à do ano anterior e dentro dos parâmetros normais, ainda que com índices ligeiramente inferiores em Santa Maria e no Pico. Já na castanha, uma segunda estimativa confirma uma baixa produção na Terceira, onde sobretudo a qualidade foi “muito afetada” por pragas e doenças; nas restantes ilhas, a produção situou-se próximo do normal, mas ligeiramente abaixo na Graciosa e no Pico.
