A ilha de São Jorge passou a ser a única parcela do território português integralmente classificada em Bem-Estar Animal, após a entrega de 221 certificados pela Uniqueijo a produtores de leite das cooperativas de Lourais, Finisterra e Uniqueijo. A cerimónia decorreu no Dia Mundial do Queijo, nas instalações da Finisterra, e contou com a presença do Secretário Regional da Agricultura e Alimentação, António Ventura, do presidente da Federação Agrícola dos Açores, Jorge Rita, e de representantes da CERTIS, da LactAçores e de diversas entidades regionais ligadas ao setor agroalimentar.
O presidente da Uniqueijo, António Aguiar, classificou a certificação total da ilha como “uma vitória importante de todos os que produzem, cuidam e transformam o leite jorgense em queijo de excelência”. O dirigente recordou que o caminho de qualidade seguido pelo setor tem sido reforçado por várias certificações, entre elas a IFS Food, o Instituto Halal Portugal, a Denominação de Origem Protegida (DOP), assim como os selos Marca Açores e Biosfera. Revelou ainda que está em curso um projeto de certificação ambiental e de sustentabilidade, que inclui a quantificação da pegada carbónica do grupo, e o processo para classificar o modo de produção do Queijo de São Jorge como Património Imaterial da UNESCO.
Para o presidente da Federação Agrícola dos Açores, Jorge Rita, esta distinção “reforça a excelência da fileira leiteira jorgense, que produz o melhor queijo do país e um dos melhores do mundo”. O responsável destacou o rigor com que é feita a produção e apelou à justa valorização do leite pago aos produtores locais. Já o Secretário Regional da Agricultura, António Ventura, afirmou que “hoje não é possível produzir sem garantir o bem-estar animal”, sublinhando que o setor agropecuário jorgense tem uma “visão de futuro”, com foco em “produzir com qualidade e diferenciação”, o que dá valor aos produtos açorianos.
O Queijo São Jorge (DOP) continua a consolidar o seu prestígio internacional, acumulando prémios no World Cheese Awards e noutras competições de referência. O produto irá ainda integrar a lista de Indicações Geográficas (IG) protegidas no Mercosul, juntamente com o mel e o vinho dos Açores, reforçando a sua presença e proteção nos principais mercados de exportação.
Em 2025, a produção de leite em São Jorge atingiu 29 milhões de litros, destinando-se praticamente toda à produção de queijo, que cresceu 7,5% em relação ao ano anterior. Com 333 toneladas exportadas, os Estados Unidos e o Canadá continuam a ser os principais mercados do queijo jorgense, que se afirma como símbolo de qualidade, tradição e sustentabilidade das ilhas dos Açores.
