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Ambulâncias, assassinatos nos EUA e as malas do deputado (Parte 1)

O que se passa com as ambulâncias (ou falta delas)? Nos últimos dias registaram-se três mortes em Portugal relacionadas com atrasos no socorro do INEM. Caso 1 – No Seixal, um homem de 78 anos ligou para o 112 depois de cair em casa, foi inicialmente classificado como prioridade 3, que prevê o acionamento de meios em até 60 minutos. Apesar disso, a ambulância só foi enviada quase três horas depois da primeira chamada, quando a vítima já se encontrava em paragem cardiorrespiratória. Caso 2 – Na Quinta do Conde, em Sesimbra, uma mulher na casa dos 70 anos morreu depois de esperar 44 minutos por socorro. A assistência foi assegurada pelos Bombeiros Voluntários de Carcavelos, a cerca de 35 km de distância. Durante o percurso, a situação evoluiu de prioridade 3 para prioridade 2 e depois para prioridade 1, mas a vítima já em paragem cardiorrespiratória à chegada da equipa de emergência médica. Caso 3 – Em Tavira, um homem de 68 anos morreu depois de estar mais de uma hora à espera de socorro, inicialmente classificada como prioridade 2, mas os primeiros meios só chegaram mais de uma hora após a chamada inicial, quando a vítima já estava em paragem cardiorrespiratória.
Bem dizia eu à minha filha que entre 1001 razões para não querer ir lá (e muito menos viver lá) era este SNS e o INEM, aqui podemos estar mal, carenciados de equipamentos, médicos, enfermeiros, mas ainda não chegou a esse ponto, felizmente, por enquanto. Mas morre-se mais este ano na Lomba da Maia. Nunca me lembro duma mortandade assim. Desde dia 31 dezembro 6 enterros, já 4 este ano em oito dias. Dizem-me que na maior parte do casos eram pessoas de idade e com problemas de saúde.
Mas enquanto em Portugal a nova política de saúde do governo fecha hospitais, urgências, ambulâncias, macas, etc., nos EUA é mais grave com 23 assassinatos por forças da Imigração e da Guarda Fronteiriça (ICE e Border Patrol), com o maior descalabro em Minneapolis onde foi abatida a tiro uma mulher (Renée Nicole Good) com a acusação de tentar atropelar os agentes, quando ela tentava era fugir duma situação perigosa.
Da Câmara dos Representantes, Hank Johnson (D) declarou “Este foi um homicídio pelo qual deveriam haver acusações criminais.” Ela morreu a 1,6 km do local onde George Floyd foi morto, num bairro repleto de mercados de imigrantes. É assim que «nunca mais» está perto de acontecer novamente. Na quarta-feira de manhã, Renée Nicole Good foi baleada na cabeça por um agente da Imigração e Alfândega numa rua residencial no sul de Minneapolis, depois de fugir de bandidos mascarados que invadiram o seu veículo. O vídeo mostra-a no seu SUV a acenar para os carros passarem por ela, para que pudesse dar a volta. De repente, homens mascarados não identificados invadiram o seu veículo e ela começou a conduzir com medo. A secretária do DHS, Kristi Noem, classificou as ações de Good como «terrorismo doméstico», alegando que ela usou o seu veículo como arma para atropelar os agentes. Os vídeos não mostram nenhum atropelamento nem bandidos do ICE em perigo. Ela tinha 37 anos. Era cidadã americana. Não era alvo de nenhuma investigação. De acordo com membros do Conselho Municipal de Minneapolis, ela estava «a cuidar dos seus vizinhos» e «a cuidar dos vizinhos imigrantes». Naquela tarde, o Departamento de Segurança Interna classificou o seu ato de presença na vizinhança como «terrorismo doméstico». Ela perdeu a vida porque acreditava que aparecer e testemunhar era importante. Até agora Immigration and Customs Enforcement (ICE) poderia ser Investir contra Emigrantes, mas agora já é contra cidadãos inocentes não-imigrantes.
Mais um dia cinzentinho e até ao momento nada consta quanto a invasões de países, raptos de ditadores eleitos, açambarcamento de barris de petróleo, ou capturas de petroleiros venezuelanos com bandeira russa. O Trump mandou os EUA saírem de 66 organizações internacionais (31 eram da ONU), aumentando o seu isolacionismo e o regresso ao Faroeste.
Isolado internacionalmente, com a população novamente a protestar nas ruas e com um Trump motivado pelo recente sucesso na deposição de Maduro, Ayatollah Ali Khamenei pode ser o próximo líder a ser atacado pelos EUA. Talvez ninguém fora da Venezuela ou de Cuba deva importar-se mais com a captura do presidente nominal Nicolás Maduro pelos EUA do que o líder supremo da República Islâmica do Irão, Ali Khamenei.Khamenei e o seu regime estão em apuros, e não é claro como sobreviveriam no caso de a administração Trump decidir apoiar os milhões que desejam um novo sistema de governo sem Khamenei e os seus seguidores. Por fim, o Presidente Donald Trump virou a sua atenção para o Irão. A 2 de Janeiro, Trump avisou Khamenei de que, se as suas forças reprimirem violentamente os manifestantes, o Irão será “duramente atingido” pelos EUA. O Irão não tem aliados estatais dispostos a intervir militarmente a seu favor. Além disso, a sua outrora poderosa rede de milícias parceiras e aliadas – o Hezbollah libanês, os rebeldes Houtis no Iémen e outros membros do Eixo da Resistência – tornou-se incapaz ou relutante em envolver-se. E a economia iraniana está em ruínas no meio de uma crise hídrica contínua, sem perspetiva de solução. O aviso e a demonstração de solidariedade de Trump irão provavelmente encorajar os manifestantes, o que levará quase certamente a uma repressão ainda maior por parte da segurança interna iraniana, como já aconteceu no passado. Tal intervenção dos EUA poderia levar ao derrube do ayatollah, intencional ou não. Estas condições colocam o regime de Khamenei sob maior ameaça hoje do que talvez em qualquer outro momento dos seus 46 anos de história.

(Continua)

Chrys Chrystello*
*Jornalista, Membro Honorário Vitalício nº 297713
MEEA-AJA (IFJ)

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