A UGT/Açores defende que o ano de 2026 deve ser de reforço da valorização do trabalho, com aumentos salariais entre 5% e 9% e um investimento claro na negociação coletiva. A posição foi aprovada no XXV Conselho Geral da central sindical, que reuniu a 24 de janeiro em Ponta Delgada, e surge num contexto de crescimento económico regional, mas também de assimetrias que “ainda penalizam os trabalhadores e dificultam a justiça salarial”.
“O trabalho com direitos e salários justos é a prioridade”, afirmam, sublinhando que o aumento proposto “procura recuperar o poder de compra perdido, especialmente nos salários médios, que ficaram muito atrás do salário mínimo nos últimos anos”. A central recorda que, no último ano, os salários nos Açores aumentaram em média 7,6%, atingindo 1.258 euros, mas “este valor continua muito abaixo da média nacional e europeia”.
Para a UGT/Açores, 2025 foi “um ano positivo, ainda que não isento de desafios”, com o PIB regional a crescer 2,3%, o desemprego a atingir mínimos históricos e a taxa de pobreza a descer para 17,3%, o valor mais baixo desde 2019. Contudo, alertam que “a inflação, os custos da habitação e a subida dos bens essenciais continuam a corroer os rendimentos das famílias”, defendendo por isso que “é urgente reforçar políticas públicas que combatam as desigualdades salariais”.
Os sindicalistas pedem mais apoio à natalidade, nomeadamente “uma redução significativa no IRS para as famílias com três ou mais filhos”, e desafiam as empresas a “aproveitarem os incentivos fiscais existentes para aumentar salários e reduzir a precariedade”. Exigem ainda que se avance com uma “reforma da administração pública que simplifique processos e valorize os assistentes técnicos e operacionais”, bem como a “regularização dos vínculos precários de trabalhadores das IPSS e de outros organismos públicos”.
A UGT/Açores manifesta também preocupação com “a falta de pessoal em vários serviços regionais e com os atrasos no pagamento do subsídio de Natal aos trabalhadores das IPSS”, e reclama “uma atuação mais eficaz dos serviços de inspeção laboral”. Além disso, alertam para o aumento dos casos de toxicodependência e para “a necessidade de fortalecer a prevenção e o tratamento de dependências, que continuam a comprometer a paz social”.
Reconhecendo o papel dos Açores como plataforma estratégica no Atlântico, os membros da UGT/Açores sublinham que “a estabilidade social e o diálogo entre governo, sindicatos e empresas são condições essenciais para o desenvolvimento económico e para a coesão regional”.
“A luta sindical é também uma luta pela democracia, pela liberdade e pela autonomia regional”, afirmam na resolução final, garantindo que continuarão a atuar “com firmeza, equilíbrio e sentido social em defesa dos trabalhadores açorianos”.