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Mais um perigoso golpena nossa segurança coletiva

Quer se queira quer não, pela mão do governo das direitas (PSD/CDS), apoiado pelo Chega e pelo IL, sem consulta aos restantes partidos e sem que o povo português tenha contado para o que quer que fosse, Portugal tornou-se voluntariamente cúmplice dos Estados (EUA e Israel) que tomaram a iniciativa de atacar militarmente e de forma criminosa o Estado soberano do Irão, violando abertamente todas as regras do direito internacional geral e humanitário e recorrendo novamente ao assassínio seletivo, que desta vez, para além de outros dirigentes daquele país, atingiu o mais alto dirigente iraniano e líder de uma das grandes religiões do mundo, a religião Xhiita.
Na verdade e no caso presente, de acordo com o Tratado entre os EUA e Portugal sobre a Base das Lages, na Terceira, e ao contrário do que o ministro Paulo Rangel assegurou (depois desmentiu e depois voltou a baralhar), os EUA deveriam de ter pedido autorização para o uso bélico que estão neste momento fazendo dessa Base. Mas, ao que se sabe, não pediram autorização nenhuma, nem o governo português de alguma forma a reclamou e simplesmente, ao contrário de outros, como a Espanha, se limitou a assobiar para o lado e a dizer que o Acordo das Lages permite tudo isso. Perante a contestação geral, Rangel afinal já diz que autorizou, mas só para objetivos defensivos, como se os norte-americanos distinguissem alguma vez uma coisa da outra…
Na sequência deste condenável e pouco responsável comportamento do governo português, o presidente do Governo Regional dos Açores, tomado de um cego seguidismo político, veio também pronunciar-se sobre o assunto mas, na prática, apenas para dizer “amén” ao Governo da República, e até nem disfarçando a sua satisfação com a importância bélica que à Base das Lages estará sendo dada para apoio direto aos agressores militares num conflito que está em inquietante escalada e sem se saber até onde e quando poderá chegar, tendo já provocado mais de sete centenas de vítimas inocentes, entre elas e logo no início da agressão,153 crianças de uma escola iraniana.
Nada disto deveria ter acontecido se os EUA levassem a sério a diplomacia e as negociações que decorriam com o Irão, nas quais o próprio Irão parecia apesar de tudo empenhado e inclusivamente até disponível para cedências ao seu antagonista quanto a garantias sobre o não fabrico de armas nucleares. Mas como declarou depois sem rodeios o genocida Benjamin Netanyahu, primeiro-ministro de Israel, este novo ataque ao Irão, repetindo o do ano de 2025 e fazendo lembrar a invasão do Iraque pelos EUA em 2003, não estava afinal dependente de quaisquer negociações ou diplomacia sobre armas nucleares, porque já vinha sendo preparado e organizado desde há meses atrás, malgrado a obliteração em 2025 de toda a capacidade dos iranianos de as fabricar a curto ou a médio prazo, segundo o próprio Pentágono, na sequência dos bombardeamentos desse ano.
E já agora, recorde-se que Israel é único país detentor de armas nucleares no Médio Oriente e que se recusa a ratificar o Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares e a aceitar as inspeções da Agência Internacional de Energia Atómica. Recorde-se ainda também, para desgosto dos portugueses e açorianos em particular, que também, tanto em 2003 (com Durão Barroso) como em 2025, a Base das Lages foi igualmente envolvida de forma direta no apoio bélico prestado aos agressores dos EUA e da Europa.
E finalmente, sobre este inquietante conflito para toda a humanidade, ficou-se a saber que, à exceção de Espanha, os principais líderes da UE (França, Alemanha) e o Reino Unido, longe de condenarem o crime de agressão militar unilateral dos EUA e de Israel ao Irão, optaram por colocar todo o seu foco condenatório sobre as ações militares de retaliação do país atacado, como se este não tivesse qualquer direito a defender-se dos agressores…
Mário Abrantes

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