A Câmara do Comércio e Indústria de Angra do Heroísmo (CCIAH) manifestou “profunda preocupação” com o pré-aviso de greve apresentado pelos sindicatos SITAVA e SINTAC, que prevê a paralisação de todo o trabalho suplementar dos trabalhadores da SATA Air Açores por tempo indeterminado a partir de 24 de Março. A associação empresarial considera a decisão “particularmente grave e profundamente irresponsável” no atual contexto do grupo aeronáutico regional.
Em comunicado, a CCIAH sublinha que a greve ocorre num momento “decisivo” para os processos de reestruturação e privatização actualmente em curso no Grupo SATA, salientando o impacto directo destas matérias “na mobilidade dos açorianos, na sustentabilidade das finanças públicas regionais e no normal funcionamento da economia da Região Autónoma dos Açores”.
Sobre a privatização da SATA Internacional – Azores Airlines, a Câmara do Comércio reafirma que o desfecho positivo do processo é “essencial” para garantir a viabilidade financeira da empresa e assegurar a continuidade das ligações aéreas da Região ao exterior. “A Região não resistiria financeira e economicamente a um cenário de colapso da companhia aérea”, declarou, frisando o papel estratégico da transportadora na coesão territorial e na economia regional.
Relativamente à separação e futura privatização do serviço de assistência em escala (Handling), a associação recorda que o processo decorre de compromissos assumidos pela Região junto das instituições europeias e constitui uma “exigência resultante da reestruturação financeira do Grupo SATA”. Trata-se, segundo a CCIAH, de uma medida “essencial para garantir a viabilidade futura do grupo e a manutenção sustentável da sua actividade”.
A entidade empresarial considera, contudo, que o pré-aviso de greve sindical “fragiliza a operação da companhia” e “afecta a confiança no transporte aéreo regional”, num momento em que “é preciso estabilidade e responsabilidade de todas as partes”. Reforça ainda que o transporte aéreo é uma “infraestrutura vital para a coesão territorial, a mobilidade dos açorianos e o normal funcionamento da economia”, alertando que qualquer perturbação poderá ter “impactos directos no turismo, na atividade empresarial e na vida quotidiana das populações das nove ilhas”. A CCIAH destaca igualmente o “esforço da atual administração do Grupo SATA” num contexto que descreve como “extremamente complexo”, elogiando o trabalho de gestão que procura conciliar “a continuidade da operação, a estabilidade financeira e o cumprimento dos compromissos europeus”. A associação apela, por fim, a “sentido de responsabilidade” de todos os intervenientes, defendendo que a defesa dos direitos dos trabalhadores “não pode comprometer a sobrevivência de uma empresa estratégica para os Açores”.
