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A catástrofe silenciosa:a alga japonesa que ameaça os Açores

Desde 2019, a macroalga castanha Rugulopteryx okamurae está a invadir o património oceânico dos Açores, comprometendo de forma irreversível a biodiversidade marinha do arquipélago. Perante esta ameaça, os nossos governantes continuam a responder com relatórios e estudos sem fim, mas sem qualquer plano de ação concreta.
Nativa da Ásia, esta alga terá chegado às nossas águas através do tráfego marítimo internacional, provavelmente nas águas de lastro descarregadas nos portos. Altamente competitiva e de crescimento acelerado, tornou-se numa das espécies mais abundantes em algumas zonas da ilha de São Miguel em menos de um ano, cobrindo quase por completo o fundo rochoso marinho.
Enquanto a natureza se transforma diante dos nossos olhos, as autoridades permanecem inertes, como se o problema pudesse desaparecer por si. Mas o que está a acontecer abaixo da superfície é alarmante: sem predadores naturais e favorecida pelas condições de salinidade e temperatura da água, a alga alastra a um ritmo impressionante — cerca de 87 km por ano, segundo estudos das Universidades do Algarve e de Laguna (Tenerife).
O impacto é devastador. Esta espécie invasora compete de forma desproporcional com a fauna e flora nativas, empobrecendo os ecossistemas e colocando em risco atividades socioeconómicas cruciais como a pesca e o turismo. Além disso, a sua capacidade de produzir substâncias tóxicas, como terpenóides e outros metabolitos secundários, afasta potenciais predadores e acelera a propagação, afetando espécies como búzios, lapas e até algumas comunidades piscícolas.
Há, no entanto, pequenas janelas de esperança. Algumas espécies de equinodermes — como estrelas-do-mar, ouriços e holotúrias — podem alimentar-se desta alga e ajudar a reduzir a sua biomassa. Cabe-nos, portanto, proteger e até reforçar estas populações em zonas críticas, promovendo também a sensibilização da comunidade para que cidadãos e cientistas trabalhem lado a lado na monitorização de novos focos de invasão.
Apesar da toxicidade limitar o seu aproveitamento, já existem investigações promissoras. Um estudo de 2023, das Universidades do Minho e dos Açores, publicado na revista Marine Drugs, aponta para usos potenciais da R. okamurae na produção de biogás, compostagem, bioplásticos e até em aplicações farmacêuticas como anti-inflamatórios e antibióticos. Ou seja, a ameaça pode também ser transformada em oportunidade, desde que haja visão estratégica e vontade política.
Os estudos são necessários e úteis, mas não podem ser eternos. É urgente desenhar um plano de ação imediato, que una ciência, comunidades locais e decisores políticos. A alga não conhece fronteiras, nem respeita tratados; limita-se a expandir-se para garantir a sua sobrevivência. A nós cabe-nos travar o avanço, minimizar o impacto e, sempre que possível, transformar a crise em valor económico sustentável.
A Ribeira Grande não é exceção: as zonas de lazer, pesca e turismo do concelho já sofrem os efeitos da invasão. Por isso, não podemos esperar mais. O tempo é de agir, com medidas concretas e eficazes.
Se nada fizermos, a catástrofe silenciosa transformar-se-á em ruído ensurdecedor no futuro dos Açores.
VAMOS TODOS APANHAR A ONDA LIBERAL!

César Pimentel *

*Candidato da IL à Câmara Municipal da Ribeira Grande

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