A argúcia das sociedades públicas
Todos os governos de todas as tendências partidárias, tem tido por hábito manter algumas companhias públicas como reserva de emprego de amigos, conhecidos, primas e primos e todos aqueles para com os quais se pagam favores políticos que terão contribuído no alcance do poder.
É um facto que vem acontecendo há décadas, de que todos comentam em conversa de café – até com alguns dos beneficiados pela situação – mas que não convém a nenhum governo de nenhum partido tocar ou alterar em demasia.
Não obstante promessas de privatização feitas diante da comunicação social, o facto é que não passam disso mesmo: Promessas adiadas ao máximo. Principalmente quando essas empresas descambam em débitos excessivos e enormes prejuízos pela gestão pouco profissional, geralmente pelas más interferências do acionista único – os governos – sendo os conselhos de administração obrigados a aceitar de contra vontade essas ordens.
Os conselhos de administração desses mealheiros políticos mudam conforme a ética de quem entra. O presidente do conselho de administração é nomeado, mergulha no poço quase sem fundo da problemática complexa e confusa, onde verifica que caiu numa colmeia selvagem, onde tudo se gasta à fartura, porque o dinheiro é do povo.
Nalguns casos, os protestos começam. Ou por parte de quem administra, ou por parte dos queixosos do costume, que parasitando à volta da sociedade, a sua incapacidade e incompetência é tamanha que dá nas vistas e obriga o novo conselho de administração a fazer o óbvio: Exonerar.
Os sindicatos, esses funcionam em nome de interesses “da classe trabalhadora”, como se o patronato não trabalhasse tanto ou mais para manter o lugar do seu trabalhador. A viciada expressão marxista-leninista está a tentar sobreviver num mundo que não se compadece com os interesses e hipocrisias sindicais de apenas temerem perder membros e enfraquecerem as benesses de quem os dirige. O sindicalismo tem vindo a perder poder social, pela sua falta de ética e transparência. As sociedades transformaram-se e alteraram-se. O sindicalismo clássico precisa ajustar-se às novas e rápidas provocações, bem como aos reptos que lhe são interpostos. O sindicalismo sempre será de enorme importância para o equilíbrio das forças sociais.
Representar o trabalhador, não é exclusivo de esquerdas nem direitas. Há uma linha que nunca foi respeitada: Honestidade de ambas as partes.
As várias situações irregulares das sociedades públicas, são amparadas pelos sindicais, assistindo calados e com desinteresse suspeito, pelo receio da perca de membros e influência.
Na rapidez dos tempos atuais, a sociedade civil está mais informada que nunca e já não se deixa enganar pelas aparências, nem pela retórica panfletária de formatação das massas, impondo visões opacas e contrárias às realidades.
Por outro lado, as promessas dos governos de privatizar e ao mesmo tempo ir adiando a decisão com os mais estapafúrdios argumentos, só expõe claramente as suas fraquezas decisórias. A transparência decisória é, cada vez mais, o trunfo ético para qualquer governo e fortalece a razão argumentativa diante do eleitorado e, principalmente, diante do pagador de impostos que arrecada com todas estas manhas há muito ultrapassadas.
José Soares