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Análise Dependente do Chega ou do PS?

José Manuel Bolieiro é o grande vencedor da noite eleitoral e o PS de Vasco Cordeiro é o grande derrotado.
Bolieiro levou até ao fim a sua palavra na formação de uma coligação pré-eleitoral, quando internamente teve muitas vozes, incluindo no seu núcleo duro, que defendia a ida às urnas do PSD sem coligação.
Nunca saberemos se o PSD, sozinho, teria ou não outro resultado, mas o líder arriscou e ganhou as eleições, feito que não acontecia há mais de duas dezenas de anos.
Os dois parceiros de coligação, Artur Lima e Paulo Estevão, também são vencedores, porque souberam assumir, nesta fase final da governação, a estratégia de Bolieiro e dar-lhe o palco todo, centrando a campanha na sua figura, apesar de Estevão ter perdido, surpreendentemente, no Corvo.
O Chega é outro vencedor, porque cresce bastante, mas não tanto como pretendia.
E consegue aquilo que os seus órgãos nacionais, nomeadamente o seu líder, André Ventura, pretendia, que é a coligação ficar dependente do Chega para formar governo, e com isso transpor uma motivação extra para as eleições nacionais.
Resta saber como se vai posicionar o PS-Açores face ao novo governo.
Vasco Cordeiro é o grande derrotado, porque vem de uma vitória eleitoral em 2020, mas não consegue manter este resultado, apesar de ter crescido na votação.
Foi traído pela forte afluência às urnas.
Estará Vasco Cordeiro na disposição de viabilizar o futuro governo de Bolieiro, abstendo-se na aprovação do programa governamental?
Será ainda Cordeiro líder do PS-Açores quando for preciso aos socialistas tomar esta decisão? Ou haverá outro líder?
O PS vai reunir de emergência, certamente, nos próximos dias, para reflectir sobre o que correu mal e como se posicionará face ao novo governo.
Mas esta seria uma boa oportunidade para se iniciar aqui, nos Açores, até como exemplo nacional, o tão falado “acordo de regime” entre os dois maiores partidos do arco da governação.
PSD e PS deviam entender-se em futuros acordos de governação, nas áreas estratégicas que são cruciais para os Açores a longo prazo.
Esta é uma grande oportunidade para os dois partidos avançarem, humildemente, para um acordo desta natureza, com cedências de parte a parte e numa atitude que só os responsabilizaria e elevaria a política para os níveis de decência, que não existe neste momento no país.
Dos outros partidos não reza a história, como era de prever.
O Bloco de Esquerda foi castigado pela sua postura negativa, com um discurso muito negro da situação regional.
O IL manteve o seu deputado, mas para quem esperava um crescimento, não deixa de ser um resultado com sabor amargo, provavelmente pela sua postura no chumbo do Orçamento Regional.
O PAN também manteve o seu deputado, como era de prever.
Os Açores voltam a ter um governo frágil, sem estabilidade garantida.
Não serão dias fáceis.

                                      OSVALDO CABRAL
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