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Ânimos exaltados na marcha lenta dos agricultores de São Miguel

Mais de uma centena de tractores, carrinhas e automóveis conduzidos por agricultores integraram ontem a marcha lenta em Ponta Delgada, Lagoa e Ribeira Grande destinada a exigir soluções para os problemas que o sector atravessa na região.
A iniciativa começou por volta das 10.30 horas junto da sede da Associação de Jovens Agricultores Micaelenses, nos Arrifes, e terminou na Associação Agrícola de São Miguel (em Santana, Rabo de Peixe, concelho da Ribeira Grande), onde os agricultores entregaram o manifesto com as suas reivindicações.
Aqui os ânimos exaltaram-se entre o organizador da marcha, Fernando Mota, e os elementos da Associação Agrícola, com o primeiro a pedir a demissão de Jorge Rita e a dizer que ele já não representava os lavradores.
Jorge Rita ripostou, respondendo que respeitava a manifestação, mas apontou as baterias a quem prejudica os produtores e avançando que havia interesses pessoais e políticos na organização da marcha, referindo-se a Fernando Mota, que foi candidato do Chega.
Aliás, José Pacheco, líder do Chega, esteve presente na marcha.
Os manifestantes colocaram nos veículos faixas e cartazes em que se pode ler “União pela lavoura, preço justo para o leite”, “2023 perdemos 30 milhões de euros. 2024?”, “Exigimos soluções para a agricultura”, “Queremos que valorizem o nosso produto de excelente qualidade” e “Menos Segurança Social, menos juros, menos impostos”.
O protesto foi organizado pelo Movimento Cívico de Agricultores de São Miguel, cujo porta-voz, Fernando Mota, disse que os agricultores reivindicam soluções para o seu descontentamento.
O preço do litro do leite pago ao produtor “é sempre a descer” e os custos com as explorações estão “sempre a subir”, disseram alguns agricultores presentes no protesto, que, no início, ficou marcado por muita chuva.
“Os rendimentos são cada vez menos. Os produtores quase que pagam para trabalhar. As coisas estão muito difíceis”, referiu aos jornalistas o agricultor Rui Oliveira.
Lucinda Tavares, mãe de um jovem agricultor, declarou também que os lavradores são “mal pagos”, principalmente no que diz respeito ao preço do leite na produção.
“Temos que ser mais valorizados pelos produtos que produzimos”, disse outro agricultor, avisando que os protestos podem continuar se não forem tomadas medidas que ajudem quem vive da lavoura.
No caderno reivindicativo, os agricultores de São Miguel pedem, entre outras medidas, a prorrogação do prazo das candidaturas “no apoio directo aos jovens para diminuir os sobrecustos de pagamentos à Segurança Social”, “no apoio directo ao sobrecusto do aumento das taxas de juro” e no apoio à transição digital e inovação previstos no Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), para a inclusão de sistemas automáticos de alimentação animal e ordenha.
A descida do imposto sobre os produtos petrolíferos do gasóleo agrícola, a redução do preço das rações, e a aplicação de um sistema Simplex no licenciamento às explorações e na autorização de corte de matas são outras das exigências.

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