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Peixe do meu quintal: O fator Açoreano

Na república continua a falar-se do fator Açores, saído das eleições de 04 de fevereiro último.
O laboratório político dos Açores foi observado por especialistas politólogos e comentadores dos mais diversos e díspares.
Todas as sucursais partidárias insulares estão a funcionar (como sempre) sob a batuta dos chefes centralistas. As estratégias são coordenadas a partir de Lisboa e ponto final. Mesmo que cinicamente digam, lá e cá, que respeitam a autonomia partidária. Isso é apenas conversa para cidadão ouvir.
As mesmas declarações ocas e mundanas. As mesmas promessas vãs. O mesmo do mesmo. E temos de aturar todas essas malandrices com a paciência prostituidora que caracteriza os apáticos e indolentes.
A Constituição Portuguesa enfardou-se tanto de democracia, que no final do grande manjar, arrotou proibições e contradições que ainda hoje persistem na indiferença do parlamento de São Bento.
São proibidos referendos insulares. São proibidos partidos políticos insulares.
Salazar não faria melhor!
Com estas e outras proibições às mais básicas liberdades, a Constituição portuguesa dificilmente se denomina democrática, na verdadeira aceção da palavra. É uma democracia A La Carte para atirar aos olhos da comunidade internacional.
Outra aberração deste regime constantemente abocanhado por famintas hienas, é a sua lei eleitoral, elaborada à justa medida dos interesses e benesses exclusivos da elite clubística política. Para além das discrepâncias que podem ser até entendidas como ignorância democrática, existe o abuso e atentado à ética republicana.
Vimos nas eleições de 4 de fevereiro último nos Açores, presidentes camarários que interromperam o mandato municipal para fazerem parte da lista de candidatos ao parlamento regional. Foi o caso dos presidentes das Câmaras Municipais da Lagoa e da Povoação, em São Miguel. Após a derrota do Partido Socialista, regressaram aos respetivos municípios. Este será um abuso desmesurado da Lei. Completa falta de bom senso desses aprendizes a políticos. A falta de elevação política constatada, é fonte de incitação ao clima de desconfiança geral que indicia o voto radical – ou de protesto.
Logo a seguir à sua derrota nas urnas, o partido socialista, pela voz de Vasco Cordeiro, afirmou que votará contra o projeto do futuro governo, bem como do seu plano económico e orçamento. Vota contra, mesmo antes de ter visto qualquer documento ou formação de governo. Vota contra, cegamente.
Diante destes péssimos exemplos em ciências políticas, que esperam eles que aconteça, senão um voto de protesto nos partidos radicais da direita?
Resultados das várias sondagens e estudos feitos à opinião pública, indicam que a Coligação PSD/CDS/PPM liderada por Luís Montenegro, pode ganhar as eleições de 10 de março próximo, sem no entanto obter maioria absoluta. As sondagens valem o que valem, mas tudo leva a crer que os resultados serão os mesmos do laboratório açoriano de 4 de fevereiro.
E que teremos a seguir?
É evidente que, em última análise, a coligação PSD/CDS/PPM fará acordos pontuais com o Chega, sempre que a oposição PS seja intransigente e tente derrubar o governo. Na república, como nos Açores.
O Partido Socialista governou com acordos pós-eleitorais feitos com os comunistas e bloquistas. Chamaram-lhe geringonça. A espuma dos ventos volta, desta vez para assombrar as esquerdas, com esta geringonça à direita.
Não conformada com a derrota eleitoral, a sucursal socialista desejaria eternizar-se no poder. Depois de 25 anos, os socialistas já eram candidatos à ditadura democrática. Vamos comemorar dentro de dias, os 50 anos de Liberdade – essa sim, existe, como provam estes escritos – e as alternâncias democráticas revigoram o sistema. Ou será que o PS não concorda com isto?

José Soares*

*[email protected]

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