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Uma reflexão imperativa

As eleições de 10 de março foram um verdadeiro terramoto eleitoral que, mais uma vez, surpreendeu tudo e todos. O nosso panorama eleitoral, em linha com mundo, está a mudar. Ou já mudou, mesmo.
PS e AD receberam, cada um, um claro cartão vermelho. O PS pela descida brutal que teve e AD por não ter conseguido mais do que um cabelo de um empate técnico. O Chega recebeu um louvor claro ao implantar-se em todo o país. Deixando o país muito dificilmente governável.
Estamos perante a falência clara dos partidos tradicionais e fundadores da democracia. Só assim se explica que tenham sido encurralados pela subida meteórica de um partido que, com cinco anos de existência, consegue ter uma expressão significativa em todo o território nacional.
O PS e o PSD, se não atinarem com as suas vidinhas, sujeitam-se a passar um mau bocado, com a irrelevância ao fundo do túnel. O único caminho positivo que podem percorrer chama-se boa governança, alicerçada no conhecimento do país profundo e das carências das pessoas.
A falência dos partidos tradicionais é, frequentemente, o resultado de uma combinação de vários factores, reflectindo a dificuldade em se adaptar às mudanças rápidas e complexas na sociedade. Para sobreviver e prosperar, os partidos precisam se reinventar, abordando as causas subjacentes ao seu declínio e ligando-se aos eleitores de maneiras criativas.
Reconhecer e responder a essas mudanças é crucial para qualquer partido que deseje manter ou recuperar sua relevância na política moderna. Partidos que não se inovem em termos de políticas, estratégias de campanha ou envolvimento com o eleitorado podem tornar-se obsoletos.
A ascensão das redes sociais alterou a forma como as campanhas são conduzidas e como o público se envolve com a política, prejudicando, inevitavelmente os partidos que não se adaptaram a essas novas ferramentas. A disseminação de desinformação prejudica, em primeiro lugar, a reputação dos partidos tradicionais.
A falta de ligação entre os líderes dos partidos e suas bases levam a que os eleitores sintam que seus interesses não estão a ser devidamente representados, levando a uma progressiva perda de apoio. Encaminhando esses eleitores para partidos com forte componente de protesto, populismo e anti-sistema.
A globalização e as mudanças na economia, como a desindustrialização, têm afectado negativamente muitos segmentos da população, levando à percepção de que os partidos tradicionais não conseguem proteger os interesses econômicos de todos os cidadãos. O aumento da desigualdade tem levado a um descontentamento generalizado que se vira contra os partidos defensores desse sistema e a uma polarização que enfraquece os partidos centristas tradicionais, beneficiando os extremos políticos. A percepção de corrupção, verdadeira ou não, mina, ainda mais, a sua credibilidade.
Os partidos tradicionais enfrentam o desafio inevitável de atualizar as suas agendas políticas de modo a reflectirem as preocupações contemporâneas dos eleitores. Isso pode envolver a adopção de políticas ambientais mais fortes, a revisão de posições sobre imigração e segurança, ou o foco em novas questões econômicas como a desigualdade ou os problemas de género.
Mas o grande desafio da nova política é, sem dúvida, a atitude perante os jovens que, maioritariamente, não se enquadram nos velhos chavões de esquerdas e direitas, mas procuram a satisfação plena (a todos os níveis), num mundo em grande mudança.
Historicamente, os jovens têm sido um dos grupos menos representados na política formal. Essa situação é, frequentemente, atribuída a uma combinação de desinteresse político, um sentimento de alienação em relação às instituições tradicionais e a barreiras estruturais que dificultam a participação.
No entanto, essa narrativa vem mudando. Movimentos liderados por jovens em várias partes do mundo têm demonstrado um comprometimento significativo com questões políticas, indicando um desejo profundo de envolvimento e mudança.
Embora os partidos não possam ser, todos, metidos no mesmo saco, todos eles têm demonstrado uma grande dificuldade em preservar e aperfeiçoar o regime democrático. Havendo grandes responsabilidades comuns pelo estado de exaustão a que chegou a nossa vida colectiva. Sendo, por conseguinte, indispensável que, cada um, assuma a sua quota parte de responsabilidade permitindo distinguir o trigo do joio e evitar labaredas catastróficas. Uma nova atitude que proteja a liberdade, tão duramente alcançada, e promova a transparência, a equidade e a justiça social. Evitando o suicídio político.
Os sinais estão todos no ar.

Antonio Simas Santos

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