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Empresários de turismo afirmam que há um retrocesso no sector neste Inverno

A Direção e a Comissão Especializada do Turismo da Câmara do Comércio e Indústria de Ponta Delgada -Associação Empresarial das Ilhas de S. Miguel e Santa Maria denunciaram ontem “o retrocesso que o turismo está a ter no Inverno IATA 2023/24. A situação mostra alguns sinais de preocupação na medida em que o impacto de recuperação da pandemia já não se faz sentir nos negócios”.

Aspectos negativos

Os empresários elencaram os seguintes aspectos negativos:
a) Agravamento da sazonalidade – constatou uma redução da procura pelo destino pois a taxa de ocupação nos Açores decresceu 6,7% em Janeiro de 2024 e o rendimento médio por quarto disponível (RevPAR) também decresceu 6,3% (quebra mais elevada do país), estando os Açores no 3º lugar das regiões com pior RevPAR de Portugal;
b) Escassez da Capacidade Aérea – a redução drástica das ligações operadas pela Ryanair no inverno IATA teve um impacto efetivo na procura pelo destino e, ao contrário do que se exigia, os voos não estão a acompanhar a disponibilidade que existe ao nível da oferta turística. A escassez de voos está a bloquear o setor do turismo. Sem voos não há turismo;
c) Concorrência agressiva de outros destinos – constatoua existênciade destinos mais competitivos, em termos de qualidade de produtos e serviços turísticos, bem como dos preços do transporte aéreo, pondo em causa o trabalho de posicionamento do destino Açores;
d) Aumento de Custos – constatou que nas estatísticas publicadas pelo SREA, os custos do sector cresceram muitomaisdo que os proveitos, diminuindo a margem libertada que é imprescindível para a sustentabilidade do setor, nomeadamente para amortizaçãodos investimentos e combate ao impacto negativo da sazonalidade cada vez mais acentuada;
e) Segurança dos trilhos– manifestou preocupação com a notícia de que há mais de 30 dias que um cidadão belga está desaparecido na Lagoa do Fogo, o que é no mínimo incompreensível. Considera-se relevante haver um procedimento de segurança associado à atividade dos trilhos pedestres, como por exemplo a utilização de um equipamento com mecanismo de localização, que garanta a necessária segurança dos turistas;
f) Segurança em Ponta Delgada – Ainda sobre questões de segurança, foi manifestada muita preocupação com o sentimento crescente de insegurança na cidade de Ponta Delgada, sobre o qual é urgente uma intervenção integrada das várias entidades com responsabilidade na matéria;
g) Infraestruturas de visitação turística – Sublinhou a falta uma infraestrutura de acolhimento aos turistas na Lagoa de Fogo, necessária à qualificação e segurança da experiência turística;
h) Degradação na Gestão dos Trilhos Pedestres – Constatoua degradação na gestão dos trilhos pedestres, o que impacta negativamente na experiência e imagem do destino Açores, sendo necessária uma articulação mais efectiva entre os municípios e as direcções regionais que gerem este ativo turístico, como por exemplo na implementação de uma sinalética adequada;
i) Promoção – Constatou-se que a promoção turística é débil e sem um plano efectivo e adequado aos desafios do setor que já gera cerca de 600 milhões de euros de PIB nos Açores, recebendo menos do que 1% de reinvestimento do governo em promoção. A bandeira do combate à sazonalidade expressa no PEMTA não se traduz em campanhas de marketing agressivas e alinhadas com o desenvolvimento das acessibilidades aéreas. Há um sério risco que esta falta de promoção não induzirá a necessária procura que pode levar a que mais companhias relevantes abandonem o destino Açores;
j) Modelo de Subsídio Social de Mobilidade – Manifestou preocupação com a necessidade de moralização e modernização do subsídio social de mobilidade.

Aspectos positivos

Como aspectos positivos, os empresários encontram apenas dois temas:
a) Boas perspectivas de ligações externas para o Verão 2024– A comissão manifestou satisfação com o aumento da capacidade aérea no Verão de 2024 nas rotas do mercado internacionais de cerca de 18% face ao período homólogo.
b) Ténues perspectivas de ligações internas para o Verão 2024 – A comissão registou o crescimento de apenas 4% da oferta no mercado nacional, o que evidencia uma perspectiva pouco animadora tendo em conta o peso e o potencial do mesmo.

Acções para o futuro

Em face do diagnóstico realizado à evolução do inverno IATA 23/24, os empresários entendem que:
i) configura uma regressão de muitos anos no combate à sazonalidade do turismo dos Açores, com seis meses previstos de resultados negativos;
ii) compromete o desígnio do próprio governo em reduzir a sazonalidade;
iii) introduz um elevado grau de incerteza no setor;
iv) compromete a rentabilização de investimentos elevados realizados nos últimos anos em todas as atividades do turismo desde a restauração ao alojamento local;
v) evidencia a redução da concorrência, por ausência de operadores privados, nas principais rotas de serviço aéreo dos Açores;
A Comissão considera que “é urgente a implementação, imediata, de um Plano de Ação para o próximo INVERNO IATA 24/25, que configure uma redução clara da sazonalidade”.
A Comissão considerou também “ser da maior importância actuar sobre a segurança quer nas actividades desenvolvidas pelos turistas, mormente nos trilhos, quer na segurança nas cidades”.

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