As eleições regionais da Madeira, realizadas no passado domingo, foram, como o próprio nome indica, regionais. Conceito de relativa fácil compreensão para todos, menos para Luís Montenegro, ao que parece. Resultaram de um contexto político próprio da Região Autónoma da Madeira, onde os madeirenses expressaram democraticamente a sua vontade, de acordo com as suas prioridades e demonstrando vontade em resolver a situação de instabilidade política regional. Tentar extrapolar para uma leitura e análise nacional os resultados das regionais da Madeira é não só uma tentativa oportunista, como um claro desrespeito pelo princípio da autonomia regional.
Luís Montenegro, perdido entre a qualidade de líder do PSD e candidato a primeiro-ministro, apressou-se a tirar ilações de âmbito nacional a partir de um ato eleitoral estritamente regional. A atitude revela uma visão centralista e desfasada, que ignora deliberadamente as especificidades da sociedade madeirense e os desafios próprios que a região enfrenta, para focar nas suas próprias ambições e tentar iludir os portugueses sobre as legislativas nacionais de maio. No entanto, convém relembrar que a autonomia não é um conceito vazio: é um compromisso com o respeito pela identidade, pela decisão e pela autodeterminação das populações insulares.
Quando se quer defender a autonomia regional, para além da seriedade institucional, convém respeitar os contextos próprios das regiões autónomas. Instrumentalizar as eleições da Madeira para ganhos políticos nacionais é desvalorizar o voto dos madeirenses e desvirtuar o espírito democrático. Domingo foi a Madeira, de quando em vez é os Açores. As autonomias merecem mais do que serem usadas como palco para encenações políticas de Lisboa.
Rodrigo Pereira