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16 Dias de Ativismo pelo fim da Violência Contra as Mulheres – Somos netas das bruxas que queimaram

O dia 31 de outubro, denominado como “Dia das Bruxas”, é um dia cuja história, muitas vezes, passa despercebida. Entre o “doce ou travessura”, osdisfarces e os filmes de terror, nem sempre questionamos o seu fundamento. Recuando às suas origens, e de acordo com algumas historiadoras, deparámo-nos com um ritual pagão Celta, para o qual, alguns registos apontam a celebração do fim das colheitas, com uma profunda conexão à terra, que lhes dava o alimento, e para uma ligação ao mundo sobrenatural, com a oferenda de bens aos entes falecidos e aos deuses, bem como pedidos para a proteção, durante o Inverno.
Com a conversão gradual ao cristianismo na Europa, estas celebrações alteraram-se, devido à sua proibição, onde templos foram destruídos e as pessoas que as praticavam eram perseguidas, nomeadamente no processo de caça às bruxas. Contudo, algumas localidades reformularam essas celebrações de forma a converter a população.
Silvia Federici, no seu livro “Calibã e a Bruxa”, aborda forma como a caça às bruxas foi um processo histórico, que teve como objetivo reprimir o poder e a autonomia das mulheres, especialmente no controlo sobre o seu corpo, a reprodução e o conhecimento popular, revelando que o sucedido, foi sustentado por uma campanha ideológica e religiosa misógina, conduzida, essencialmente, pela igreja, através da inquisição e de bulas papais que incentivavam a perseguição.
No entanto, este movimento esteve associado à consolidação do patriarcado e à formação do sistema capitalista, pois a caça às bruxas contribuiu para confinar as mulheres à reprodução e ao trabalho não remunerado do lar, desvalorizando o trabalho feminino, nãotendo sido um episódio isolado da idade média. Fez parte do nascimento da Idade Moderna, concebido como um projeto de poder,que ajudou a organizar o mundo capitalista e patriarcal que conhecemos.
A bruxaria foi uma invenção cultural que destruiu formas coletivas de vida feminina, saberes tradicionais e relações de solidariedade, enfraquecendo a resistência das mulheres contra o sistema que levariaà submissão feminina,do patriarcado.
Mas, quem eram as bruxas que queimaram? Eram mulheres! Não queimaram bruxas, mas sim, mulheres que dominavam saberes medicinais,curandeiras,parteiras e líderes espirituais. Mulheres que sabiam acercado corpo e da Terra. Foram transformadas em inimigas, mulheres insubmissas que desafiavam as normas sociais e religiosas.
De acordo com algumas historiadoras, a figura da bruxa que conhecemos – uma mulher velha com um chapéu pontiagudo -, advém das mulheres fabricantes de cerveja que trabalhavam fora do lar, num sistema de cooperativa que se opunha ao que a economia capitalista pretendia consolidar. No entanto, foi-lhes associada uma vassoura, não com a simbologia de liberdade, mas sim, como um instrumento associado ao papel de género, servindo ao estigma de que o papel da mulher é o de cuidar do lar.
Hoje, as fogueiras são outras. Queimam em lume brando, sempre que se promovem ações discriminatórias, seja em letra da Lei ou em vídeos virais.
Bruxas nos querem, bruxas seremos!

Alexandra Manes
Campanha 16 Dias pelo Fim da Violência contra as Mulheres 2025

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