A Região Autónoma dos Açores registou no terceiro trimestre de 2025 um aumento de nascimentos e de casamentos, mas manteve-se em terreno negativo no saldo natural, continuando a perder população quando se compara o número de nados-vivos com o de óbitos, segundo o Boletim Trimestral do Serviço Regional de Estatística dos Açores (SREA) relativo ao 3.º trimestre de 2025.
Entre julho e setembro nasceram 510 bebés açorianos, mais 13 do que no mesmo período de 2024, o que corresponde a uma variação homóloga positiva de 2,6%. No mesmo trimestre morreram 603 pessoas, mais sete óbitos do que em igual trimestre do ano passado (+1,2%). O saldo natural manteve-se assim negativo, em menos 93 pessoas, ainda que ligeiramente menos desfavorável do que no terceiro trimestre de 2024, quando o défice entre nascimentos e mortes tinha sido de 99 residentes.
Observando o acumulado de janeiro a setembro, os Açores somam 1.449 nados-vivos em 2025, mais 51 do que no período homólogo de 2024 (1.398 nascimentos), o que representa um crescimento de 3,6% dos nascimentos nos primeiros nove meses do ano. Já os óbitos totalizam 1.854, mais quatro do que entre janeiro e setembro de 2024 (1.850), traduzindo um ligeiro acréscimo de 0,2%. Em consequência, o saldo natural continua negativo, mas melhora de -452 pessoas nos primeiros nove meses de 2024 para -405 no mesmo período de 2025, o que significa uma perda populacional menos acentuada.
Os dados mostram também uma repartição equilibrada entre sexos nos novos nascimentos. Até setembro nasceram 734 rapazes e 715 raparigas, contra 694 e 704, respetivamente, no mesmo período do ano anterior. A nível mensal, março, abril e agosto surgem como meses particularmente fortes em natalidade em 2025, todos acima dos 150 nados-vivos, com agosto a destacar-se com 191 bebés registados.
Apesar da ligeira recuperação dos nascimentos, os indicadores de mortalidade revelam pressões adicionais sobre a demografia regional. Em 2024, a taxa bruta de mortalidade atingiu 10,2 óbitos por mil habitantes, acima dos 9,8 por mil registados em 2023 e claramente acima dos valores observados na maior parte da última década, em que este indicador oscilou entre 9,4‰ e 11,3‰. Também a taxa de mortalidade infantil subiu para 4,8‰ em 2024, depois de ter permanecido nos 2,9‰ em 2022 e 2023, representando assim praticamente uma duplicação. A mortalidade neonatal (óbitos até aos 28 dias de vida) acompanhou esta tendência, passando igualmente de 2,9‰ para 4,8‰.
Em termos absolutos, registaram-se sete óbitos de crianças com menos de um ano em 2024, número que já foi atingido novamente nos primeiros nove meses de 2025. No mesmo período deste ano ocorreram ainda seis fetos-mortos, menos três do que os nove contabilizados em 2024, o que atenua, em parte, o agravamento observado na mortalidade infantil.
Estes dados são provisórios (2024) e preliminares (2025), mas apontam para a necessidade de acompanhamento atento por parte das autoridades de saúde.
Em contraciclo com a fragilidade do saldo natural, a nupcialidade está em forte recuperação. No terceiro trimestre de 2025 celebraram-se 411 casamentos nos Açores, mais 42 do que em igual período do ano anterior, o que representa um aumento homólogo de 11,4%. No acumulado de janeiro a setembro, o número de uniões chega já aos 782 casamentos, superando em 82 o total registado em idêntico período de 2024, uma subida de 11,7%
No conjunto, os números revelam uma região que volta a ter mais nascimentos e mais casamentos, mas onde a mortalidade continua elevada e impede que o saldo natural retome valores positivos. A ligeira melhoria do défice demográfico, face a 2024, sugere um abrandamento da perda de população, mas não altera ainda o cenário estrutural de envelhecimento e de baixa renovação geracional nos Açores.
