“O meu maior desejo para 2026 é que os políticos, em geral, trabalhem para que o povo sinta que eles querem “o bem de todos, não só de alguns privilegiados, e justifiquem através de ações, que os lugares que ocupam não são para obter rendimentos mensais/anuais próprios e impossíveis de obter
nas respetivas profissões, pensando apenas no futuro pessoal”.”
Este novo ano apresenta-se, para o comum dos mortais, como um “renascer” o que indubitavelmente representa o renovar de esperança no futuro, quer pessoal quer daqueles que nos estão ligados familiarmente, por amizade ou coabitam mundialmente.
Também tem significado perante acontecimentos, que não nos afetando diretamente, nos marcaram mais ou menos profundamente quer por serem atos bélicos, de destruição profunda e muito facilmente identificáveis com puro ódio ou mesmo pela ocorrência de catástrofes, nomeadamente incêndios e inundações incontroláveis – fruto de uma perversa ação durante décadas sobre o ambiente, resultante de todas as nossas imprudências – ou tremores de terra, acidentes rodoviários, ferroviários, aéreos ou mesmo atos deploráveis de terrorismo consumados em grupo ou por atuação isolada e muitas vezes sem contexto e/ou justificação, para além da pura maldade bastas vezes injustificada, mesmo no que respeita ao aspeto psíquico de quem os comete.
Tudo isto nos marca, mais ou menos profundamente e conforme a sensibilidade de cada um, ao conhecermos os acontecimentos. A própria comunicação social, ávida de paragonas e shares que lhe permitam obter leitores e publicidade, é o instrumento marcante que resume os acontecimentos do ano transato e, sem “dó nem piedade”, mostra as desgraças de muitos que sofrem diretamente o efeito das ações, possibilitando bastas vezes que fiquem (re)lembrados pelas datas/sítios em que ocorrem, mesmo passadas dezenas de anos.
Impavidamente os ditadores, mais ou menos disfarçados de “seres humanos responsáveis” – como Trump, Putin, Kim Jong-Un, Xi Jinping, Alexander Lukashenko, Viktor Orbán, Maduro, Ortega ou Netanyahu, entre muitos – (auto)definem-se como os senhores da guerra, indiscriminadamente matando, destruindo ou condicionando o desenvolvimento social e político de muitos países. Em muitos casos até a fome de crianças, idosos e doentes serve de arma mortífera.
Os milhares de milhares de milhões de euros gastos em material bélico, a serem utilizado “corretamente” permitiriam “matar” os graves problemas mundiais, entre outros, da fome e do abastecimento de água potável, de habitação, do uso de energias renováveis minimizando o impato ambiental ou ultrapassar problemas sanitários diminuindo os valores da mortalidade.
Cada um de nós comunitariamente ou de modo individual, reflete por momentos sobre estes diversos aspetos, de certo modo revoltando-se de tal acontecer, ao lembrar o passado recente e avaliando o que deseja para o ano que se aproxima em termos pessoais, familiares ou mundiais.
Para que estes desejos – não lhes atribuo o nome de “sonhos” porque são mais concretizáveis – se realizem e conforme a tradição de cada país, preparamo-nos minimamente para o passar das 24 horas do último dia do ano velho para o primeiro minuto do novo.
Os mais abastados jantam/ceiam em restaurantes, preferencialmente em hotéis, de acordo com a sua capacidade financeira, aproveitando algum espetáculo próprio da época. Outros ainda dentro deste contexto, aproveitam para ir a alguma soirée dançante, tirando o bolor à roupa que vestiram no último carnaval com o mesmo fim.
Os menos abastados, sobre o ponto de vista financeiro, aproveitam os espetáculos musicais que, de modo magnânimo, algum representante local “oferece” com o dinheiro de todos nós (mas fazendo figura de que é ele quem paga, como se fosse do seu próprio bolso e com esperança que nos lembremos de tal no próximo ato eleitoral) queimando fogo de artificio no momento da “passagem” e deixando os cidadãos com “olho no céu” a ver o “nosso a arder”. O poder de cada um dos “donos” da festa é tanto maior quanto maior for o tempo de duração do “fogotório”.
Comum às situações referidas, ficam as superstições minimamente credíveis.
Antes de sair de casa, atiram-se algumas moedas para os cantos da casa ou coloca-se uma de pequeno tamanho no sapato ou em alternativa na mão/bolso. Há quem opte por vestir uma roupa de cor azul, preferencialmente interior, para atrair sorte e tranquilidade ou coma doze passas, uma por cada mês, exprimindo um mesmo número de desejos, preferencialmente em cima de uma cadeira de que se deve descer com o pé direito à frente. De um modo geral beber champanhe ou mesmo um qualquer espumante de menor custo é fundamental, trocando-se beijos e abraços e desejos de um bom ano, aproveitando para tirar selfies a publicar no imediato numa rede social.
E é nesta última “oferta” de afetos, que identifico o mais sincero desejo dos portugueses. Ao replicar das badaladas ou mais sofisticadamente ao som da música New York, de Frank Sinatra, desejamos um ano novo cheio de saúde, realizações – profissionais e/ou familiares – saúde e sorte. Como precaução, para o que possa surgir, acrescentamos “pelo menos que seja igual ao anterior”.
Esta frase, quando dita, reflete a aceitação que carateriza o português perante a sua sina de receber pouco e contentar-se com tal, preferindo esta situação à de naturalmente exigir mais e melhor, afirmando peremptoriamente “nós queremos mais do que tivemos neste ano passado, porque como sempre iremos trabalhar arduamente para ter esse direito e gostamos de sentir os nossos filhos/netos e os mais idosos a beneficiar de tudo o que é normal, por exemplo, enquanto pagadores de impostos”.
Mas a quem expressar “isto” na passagem de ano? Quanto a mim aqueles que nos governam quer a nível nacional quer regional. “Expressar” é pouco, devemos “EXIGIR”! Se não conseguem tal, em alternativa e como políticos, devem abandonar os lugares que negligentemente ocupam, para outros que saibam e tenham capacidades inatas para serem lideres. Do tipo daqueles decisores que há algumas décadas existiram na politica e gestão pública, com êxitos e que souberam liderar.
Em alternativa a terem os “fundilhos das calças demasiado colados às cadeiras do poder”, deverão deixar de pensar numa perspetiva de curto prazo – apenas aproveitando o vento e sem horizonte definido – e trabalhar no longo prazo, mesmo que para isso tenham de decidir em conjunto com os restantes partidos maioritários.
Deixem-se de “falsas maiorias” com partidos que, se não andassem sempre no “carro vassoura” da politica regional/nacional, nunca – tenho a certeza disto – teriam os votos suficientes para governarem sozinhos, onde quer que fosse. Mas mesmo assim são eles que mais exigem e que se tomem decisões sobre determinadas situações, não reconhecendo o ridículo de quem é e sempre será limitado pelo próprio contexto económico, social, demográfico e geográfico em que vivem.
Aos políticos, se lhes pedisse algo no “virar do ano”, seria para trabalhassem a favor dos cidadãos de modo consciente, equilibrado, transparente, conhecedor e em dialogo com os cidadãos, fazendo com que, por exemplo, os setores da saúde, educação e habitação sirvam os residentes nos Açores, em qualquer das ilhas, bem como as famílias, crianças, idosos, de quem tenha qualquer tipo de deficiência limitativa da sua vida e de um modo generalizado os que sentem profundamente e com mágoa que não têm alternativa, perante a pobreza e/ou situação de sem abrigo.
O meu maior desejo para 2026 é que os políticos, em geral, trabalhem para que o povo sinta que eles querem “o bem de todos, não só de alguns privilegiados, e justifiquem através de ações, que os lugares que ocupam não são para obter rendimentos mensais/anuais próprios e impossíveis de obter nas respetivas profissões, pensando apenas no futuro pessoal”.
Desejo-vos um Ano Novo cheio de saúde e prosperidade, junto dos vossos Familiares!
J. Rosa Nunes
Prof. Doutor