O Presidente da Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores (ALRAA), Luís Garcia, apelou ao Ministro da Educação para a necessidade de revisão do modelo de financiamento da Universidade dos Açores (UAc), defendendo que o mesmo deve reconhecer plenamente os sobrecustos da insularidade e da ultraperiferia.
“Trata-se de uma questão de equidade e de garantir que esta instituição dispõe dos meios adequados para continuar a cumprir, com qualidade, a sua missão pública de serviço à Região e ao País”, afirmou o Presidente da Assembleia Legislativa, na sessão solene comemorativa do 50.º aniversário da Universidade dos Açores, que aconteceu, em Ponta Delgada.
A sessão solene contou com a presença do Ministro da Educação, o Presidente Luís Garcia relembrou que, a par dos desafios próprios da insularidade e da ultraperiferia, acresce o facto de a Universidade estar distribuída por três ilhas, uma conjuntura que acarreta “encargos estruturais avultados e permanentes, que não devem ser ignorados”, defendendo que o investimento na Instituição “é essencial para a afirmação de um ensino superior verdadeiramente nacional”.
Apesar do contexto exigente, o Presidente do Parlamento açoriano enalteceu “a crescente projecção externa da Universidade dos Açores”, assente na cooperação científica e na participação em projectos internacionais, sublinhando a importância de que o conhecimento produzido seja colocado ao serviço da Região, das suas instituições e empresas.
Num ano igualmente marcado pela comemoração dos 50 anos da Autonomia Regional, o Presidente Luís Garcia destacou o elo indissociável entre este marco histórico e a fundação da Universidade dos Açores, considerando-a “um pilar essencial do projecto autonómico”, que importa reforçar e projectar para assegurar um futuro sólido e sustentável para toda a Região.
No final da sessão, o Presidente da Assembleia Legislativa deixou uma mensagem de agradecimento e reconhecimento a todos quantos, ao longo destas cinco décadas, contribuíram para o desenvolvimento da Universidade dos Açores que é hoje “universal e atlântica” e, em especial aos alunos, reforçando que “o conhecimento que aqui adquirem é um contributo essencial para o futuro das nossas ilhas”.
Vice-Presidente do Governo destaca “investigação de excelência” da Universidade dos Açores
Por ocasião das comemorações dos 50 anos da academia açoriana, o Vice-Presidente do Governo Regional, Artur Lima, destacou a “investigação de excelência da Universidade dos Açores”.
O Vice-Presidente do Governo sublinhou que a Universidades dos Açores se assumiu, ao longos dos últimos 50 anos, como um pilar da Autonomia e da identidade açoriana.
A Universidade dos Açores “teve e tem um papel central no aprofundamento da história dos Açores, na coesão regional e no desenvolvimento social, económico e cultural”, salientou.
“Ano após ano, tem produzido investigação de excelência que nos permite galgar horizontes e pensar os próximos anos com ambição”, realçou.
Para Artur Lima, a criação de conhecimento e a inovação são um dos eixos do desenvolvimento sustentável e da internacionalização dos Açores.
“É por isso que este Governo age coerente na visão, consciente nos desafios e consequente nas soluções”, agindo para a “contínua concretização de uma estratégia que valoriza quem faz ciência, e valoriza também as instituições onde esta é desenvolvida”, vincou.
O Vice-Presidente do Governo reiterou que a valorização académica e profissional dos investigadores é uma “prioridade “inquestionável, bem como a estabilidade e previsibilidade da sua actividade.
Nesse sentido, lembrou que o Governo Regional atribuiu mais de 100 bolsas de doutoramento desde que tomou posse, tendo também iniciado uma nova modalidade de apoio aos doutorandos através do pagamento de propinas.
O Vice-Presidente reiterou também o “compromisso assumido e honrado” com o apoio à tripolaridade da Universidade dos Açores, que em 2020 se situava nos 350 mil euros e, presentemente, atinge 950 mil euros.
Artur Lima elencou as iniciativas em curso destinadas a potenciar a inovação e a investigação na Região.
“Em breve, será proposto um programa regional de Tenure, um passo decisivo em direcção à estabilização das carreiras científicas e à retenção de talentos, os nossos talentos”, recordou, acrescentando que “está em preparação uma reformulação ambiciosa, mas coerente com as necessidades actuais e futuras, do Sistema Científico e Tecnológico dos Açores e do Pro-Scientia”.
A par disso, está-se a “ultimar o lançamento do primeiro sistema de incentivos à Investigação e desenvolvimento empresarial, através do Açores2030”, disse. “Estes investimentos e medidas estruturantes permitem impulsionar a investigação, aliando-a ao crescente desenvolvimento do tecido empresarial dos Açores”, enfatizou o governante.
“E todo este esforço é reconhecido por entidades externas”, afirmou, observando que, em 2025, os Açores voltaram a subir no Índice Regional de Inovação da Comissão Europeia, atingindo os 70 pontos base, face aos 67,3 do ano anterior.
“Em 2020, éramos uma Região com um nível de inovação Emergente. No ano passado, atingimos o patamar de Região Emergente+”, frisou.
Artur Lima destacou ainda que há uma assinalável evolução da visibilidade e da relevância nacional e internacional da investigação realizada na Região e que a “Universidade dos Açores assume aqui um papel determinante”.
Numa nota final, o Vice-Presidente do Governo relevou o actual “momento histórico de grande competitividade e disrupção tecnológica”.
Neste enquadramento, “o futuro dos Açores será moldado pela criação de conhecimento, pela inovação tecnológica e pela capacidade de colocar esses desenvolvimentos ao serviço de todos os açorianos”, referiu.
“A Universidade dos Açores, ao mesmo tempo pilar da autonomia e alicerce da internacionalização dos Açores, continuará a ser absolutamente essencial para navegarmos os desafios que se nos apresentam”, concluiu Artur Lima.
