Muitas vezes, ao longo dos anos, tenho criticado esta mania do fogo de artifício, mas há esperança. Depois da Albânia, os Países Baixos A Holanda acaba de proibir a compra e o uso de fogos de artifício.
Em abril de 2025, o parlamento holandês votou a favor da proibição da compra e do uso de fogos de artifício pelos cidadãos, exceto em eventos e exibições profissionais. A proibição entra em vigor em 1 de janeiro de 2026. Os fogos de artifício têm um impacto negativo significativo no ambiente. Eles libertam produtos químicos tóxicos, provocam incêndios, poluem de inúmeras maneiras e atormentam animais selvagens e domésticos. A experiência sensorial dos fogos de artifício também pode prejudicar as pessoas, incluindo aquelas com doenças crónicas. O ruído também pode ser extremamente traumático para algumas pessoas com condições de saúde mental, como transtorno de stress pós-traumático (TEPT), e para algumas pessoas com condições de desenvolvimento neurológico, como autismo.
Estima-se que várias centenas de milhões de pessoas sejam expostas ao fumo prejudicial dos fogos de artifício todos os anos, e as crianças, em particular, são mais suscetíveis à exposição.
Cada dia é um novo dia a desvendar, que enigma nos trará o acordar? Cada dia será só nosso, bom ou mau, terá de ser vivido e sobrevivido por nós. Será que Søren Kierkegaard (1813-1855) já então estava correto?
Case-se e você se arrependerá; não se case e também se arrependerá; case-se ou não, se arrependerá de qualquer maneira. Ria das tolices do mundo e se arrependerá; chore por elas e também se arrependerá; ria das tolices do mundo ou chore por elas e se arrependerá de ambas. Acredite numa mulher e se arrependerá; não acredite nela e também se arrependerá… Enforque-se e se arrependerá; não se enforque e também se arrependerá; enforque-se ou não, se arrependerá de qualquer maneira; quer se enforque ou não, se arrependerá de ambas as maneiras. Esta, senhores, é a essência de toda a filosofia.”
Segui estas premissas na maior parte da minha vida até que aos 45 anos conheci a Nini, que há quase dois anos saiu deste plano universal e se deslocou para uma dimensão desconhecida. Citando Franz Kafka – Cartas para Milena:
Querida Milena,
Queria que o mundo acabasse amanhã. Então poderia apanhar o próximo comboio, chegar à sua porta em Viena e dizer: “Venha comigo, Milena. Vamos amar-nos sem escrúpulos, medo ou contenção. Porque o mundo vai acabar amanhã. ”
Talvez não amemos irrazoavelmente porque consideramos que temos tempo, ou temos que contar com o tempo. Mas e se não tivermos tempo? Ou se o tempo, como o conhecemos, for irrelevante?
Neste momento não combato o tempo mas fantasmas e sombras que a ausência da Nini fez eclodir e refugio-me nas memórias de todos os momentos que tivemos (também maus os houve, como em tudo, mas sempre os soubemos superar, sem nos gastarmos). Evoco a sua memória aqui e nas redes sociais a propósito de tudo e de nada que a memória humana das suas colegas já a lançou no poço infindo do esquecimento. Entre familiares e amigos ainda há alguns que honram a sua memória, embora poucos. Creio ser missão destes “Diários de um Homem Só” não permitir que o nome dela seja celebrado apenas uma vez ao ano. A isso tentarei obstar. Felizmente, nós soubemos educar os filhos e isto nunca seria possível:
Casal deixou dois filhos em casa para ir ao réveillon de passagem de ano
Vizinhos chamaram as autoridades depois dos dois filhos estarem sozinhos perto de doze horas, sem jantar e sem almoço. O filho mais novo, com 26 anos, afirmou não saber como se liga o micro-ondas para aquecer qualquer comida, e o mais velho com 32, também não!
Suponho que esse casal nunca chegará a divorciar-se tarde como aconteceu na Itália:
Na Itália, um idoso de 99 anos, descobriu cartas de um caso amoroso dos anos 1940 e decidiu divorciar-se da esposa de 96 anos. As cartas, encontradas em 2002, reabriram feridas antigas e abalaram profundamente o relacionamento, apesar de décadas de casamento e uma família grande. Juntos desde 1934, com cinco filhos e dez netos, o ressentimento gerado pela revelação foi irreparável. O divórcio, anunciado em 2011, tornou-o o homem mais velho a divorciar-se, superando um recorde britânico do casal que se separou aos 98 anos.
Ignoro se os filhos os tinham deixado viver a velhice como queriam:
Deixando-os envelhecer com o mesmo amor com que vos deixaram crescer…
Deixando-os falar e contar histórias repetidas com a mesma paciência e interesse com que ouviram as vossas quando eram crianças…
Deixando-os superar, como tantas vezes vos deixaram vencer…
Deixando-os desfrutar dos seus amigos, tal como eles vos deixaram…
Deixando-os desfrutar das conversas com os netos, porque eles reveem-se neles…
Deixando-os desfrutar dos objetos que os acompanharam, porque sofrem quando sentem que lhes arrancam pedaços desta vida…
Deixando-os estar errados, tal como tantas vezes estiveram errados e eles não vos envergonharam ao corrigir-vos…
Deixando-os VIVER e tentar fazê-los felizes no último trecho do caminho que lhes resta, dando-lhes a mão, assim como vos deram a mão quando começaram a caminhar!
Chrys Chrystello*
*Jornalista, Membro Honorário Vitalício nº 297713
MEEA-AJA (IFJ)