Trump é um acidente da democracia.
Mais, é uma aberração contemporânea que envergonha o seu país e gera desconfianças insanáveis.
Não é a primeira vez que falo sobre a preocupante “polarização” que se vai instalando na sociedade ocidental. Depois de Putin, Trump segue-lhe as pegadas e tenta interferir nos processos democráticos europeus, já por si bastante complexos.
Dividir e enfraquecer a Europa é um objetivo claro dos nossos opositores, agora agravada por um pretenso “Conselho de Paz” que visa apenas minar a estrutura e autoridade das Nações Unidas. O Mundo manietado.
Se gradualmente os partidos europeus de direita se vão afastando definitivamente de Trump, em Portugal o atraso manifesta-se.
De forma aflitiva, esquerda e direita ofendem-se mutuamente nas redes sociais, com aquela prepotência popular típica de quem soltou Barrabás e crucificou Cristo.
Um povo que vê nos extremos todas as virtudes e que acha que a ideologia se sobrepõe à justiça enquanto o Estado se impõe pela força.
Os intentos de Putin e Trump são perpetuados por alguns portugueses – algo impensável que não se consegue entender, nem sequer aceitar.
Temos de defender Trump? Temos que defender Maduro? Temos de gostar do regime iraniano? Temos de apoiar Putin? Por acaso temos que tomar parte de algo ou aceitar o que está mal por mera cegueira ideológica? – Tenho a certeza que não.
NUNCA, mas nunca podemos esquecer de que lado é que devemos estar: Do lado das democracias ocidentais, do lado do respeito pelo direito internacional, do lado das liberdades, do lado dos valores da dignidade humana.
E a nossa Europa ainda é o melhor sítio para estarmos neste momento.
Enquanto os incautos procuram virtudes nos carrascos e manifestam ódio em tudo, impõe-se aos silenciosos que agora se manifestem pela defesa da razão e da justiça.
Pois o silêncio é confortável, mas é também a melhor forma de perdermos os nossos direitos. E, calados, morreram tantos no passado.
Mudanças, sim. Para pior, não.
Para acabar, Oscar Wilde escreveu o melhor:
“Some men improve the world only by leaving it”
Filipe Mendonça Ramos