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Kung Hei Fat Choy 2026

O título desta crónica deve-se à época festiva do Novo Ano Chinês que ora se atravessa e que (ingénua e utopicamente se deseja) se espera seja mais auspicioso que os precedentes, embora tudo aponte para o contrário.

Este ano o Novo Ano Chinês só chega a 17 de fevereiro (Ano do Cavalo) quase duas semanas depois do 156º aniversário deste jornal (fundado em 5.2.1870). Será o Ano do Cavalo de Fogo no horóscopo chinês, que começando em 17 de fevereiro, trazendo energia de movimento, coragem, paixão e transformação, ideal para novos projetos, ação e viver a verdade, mas exigindo cautela com impulsividade e excessos. Este ciclo é sobre ação, liberdade e autonomia, beneficiando carreiras criativas e a divulgação pessoal, mas pedindo decisões rápidas e autenticidade, onde o fogo limpa o que não é essencial. Por isso, um dos grandes desafios de 2026 é estabelecer um ritmo que seja apropriado ao seu tempo interno. Assim, é importante estabelecer fontes de alegria nas relações e consigo.

Durante alguns anos estive afastado das lides jornalísticas ativas e permanentes. Desde que este jornal acolheu as minhas letras em 2018 que me sinto parte dele, como se sempre o tivesse feito ao longo da minha longeva carreira jornalística (de 59 anos) iniciada na Rádio Renascença, programas “Página Um” e “Tempo Zip” (1967-72), a que se seguiram a revista “Musidisco” (1966-67), “Flama” e semanário desportivo “Motor” (1965-19729, “A Voz de Timor” 1973-1974, Redator, Apresentador, Produtor da ERM, Rádio Macau, TDM-RTP, programas culturais, musicais, humor, sátira, mesas redondas, concursos literários, apresentar festivais internacionais de música incl. Jazz (1977-1982), HK TVB (1979-1982), adido de imprensa Consulado geral de Sydney, Austrália (1983-84), SBS TV legendador (1984-86), correspondente estrangeiro na Austrália para “Jornal de Notícias”, “O Comércio do Porto”, “O Primeiro de Janeiro”, revista “Sábado”, jornal “Semanário”, jornal “Independente”, jornal ”Europeu” e ”Público (fundador 1988-1992)”, correspondente em Sydney e Melbourne da “RDP Antena Um” e da “Rádio Comercial” (1985-1993), correspondente em Sydney e Melbourne da agência noticiosa oficial “ANOP / LUSA” (1982-1993). Colunista ocasional suplemento “Das artes das letras” do jornal “Primeiro de Janeiro” (2003-2008). Colunista habitual do “Diário-de-Trás-os-Montes-e-Alto-Douro” (desde 2005), Colunista regular quinzenal LusoPress (Quebeque, Canadá, 2020+), colunista ocasional “Jornal do Pico” (2021+), “Tribuna das Ilhas” (2019+) e mais uns tantos…
Sou Cidadão australiano de origem lusa, servi no exército colonial em Timor, passei por Macau seis anos (1976-1982) e fixei-me na Austrália até finais do século passado, estando nos Açores há 21 anos.
Esta fastidiosa enumeração destina-se apenas a dizer que é uma honra neste ocaso da vida de me contar entre os vossos colunistas habituais há 8 anos, sempre tratado com atenção e desvelo que na maior parte dos órgãos de comunicação citados nunca tive (exceção esta que muito aprecio).
Dito isto espero que o “Diário dos Açores” continue sem medo de questionar o governo, em vez de servir apenas de porta-voz dos seus comunicados publicitários sem contestação. Cada vez mais, temos uma a imprensa (e a comunicação social) a falara a uma só voz, lembrando a velha marca discográfica “His Master’s Voice (Gramophone Company 1899, atual EMI)”.
Com a diversidade de autores podemos neste jornal ser a verdadeira oposição construtiva de que todos os governos carecem. Precisamos de encontrar gente capaz (sobretudo entre a juventude) de ouvir esses “recados” à sociedade civil e se abalance a marchar em frente para construir os Açores como (alguns de nós sonham e pretendem). Tudo isto já deveria ter sido feito há muito. Deixemo-nos de bairrismos balofos e antiquados, que a nada levam (exceto a desintegração dum tecido que nunca foi unitário), lutemos pela unidade essencial, vital, que falta ao arquipélago, concentremo-nos contra os inimigos comuns sejam eles externos às ilhas ou imbricados nas mesmas, através de vetustas instituições que não defendem os nossos reais interesses, mas antes perpetuam centralismos (pós-)colonialistas.
O feudalismo açoriano carece urgentemente de um novo 25 de abril, libertador dessas peias que o manietam e acorrentam desde o tempo dos governadores-gerais, numa terra que ruma de forma acelerada a uma desertificação de gentes (espera-se metade da população no fim deste século) já que os jovens que hoje emigram em busca de salário e vida condigna não têm condições de permanecer nas ilhas (sobretudo nas mais pequenas). É vital que resistam e fiquem para fazer deste arquipélago a nação açoriana que todos merecemos. Compete-nos a nós e ao “Diário dos Açores” esclarecer e alumiar o caminho tortuoso que se adivinha na negritude dos nossos passos rumo ao incerto futuro.

Chrys Chrystello*
*Jornalista, Membro Honorário Vitalício nº 297713
MEEA-AJA (IFJ)

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