As famílias portuguesas destinam entre 60% e 80% do seu orçamento a despesas essenciais, revela o estudo Portugal, Balanço Social: Perspectivas – Quanto sobra ao final do mês?, desenvolvido pela Fundação “la Caixa”, BPI e Nova SBE, com o apoio da IKEA Portugal. O relatório mostra que, apesar da melhoria dos rendimentos desde 2015, persistem fortes desigualdades económicas entre agregados familiares. De acordo com o estudo, o rendimento discricionário médio em Portugal, em 2022, situava-se entre 10.402 e 13.379 euros anuais. No entanto, os agregados mais ricos apresentavam uma margem 12 a 17 vezes superior à das famílias mais pobres. Entre os lares de rendimentos mais baixos, 60% gastam mais do que recebem, enquanto entre os mais ricos essa percentagem desce para 8%.
O relatório sublinha ainda que 26,5% das famílias portuguesas têm poupança negativa e que 34% das famílias com menores rendimentos não conseguiriam fazer face a uma despesa inesperada de mil euros. A vulnerabilidade financeira é mais acentuada fora da região de Lisboa, sendo os Açores a região com menor incidência de poupança negativa — uma diferença que o estudo associa ao custo de vida e à estrutura socioeconómica regional.
A análise, baseada em dados do Inquérito às Despesas das Famílias 2022/2023 do Instituto Nacional de Estatística e num inquérito próprio realizado em 2024, enfatiza a importância de políticas públicas que promovam maior margem financeira e capacidade de poupança para as famílias mais vulneráveis.
