O número de edifícios licenciados nos Açores registou uma diminuição de 6,8% no quarto trimestre de 2025, acompanhando a tendência de desaceleração observada a nível nacional, segundo os últimos dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE). Apesar da quebra, a área total licenciada na região cresceu 6,7%, refletindo o licenciamento de projetos de maior dimensão e um ligeiro reforço do investimento em habitação e equipamentos turísticos.
Em Portugal, o número global de edifícios licenciados recuou 14,2% face ao mesmo período de 2024, totalizando cerca de 5,8 mil edifícios, dos quais 77% correspondem a construções novas e 82,5% a habitação familiar. As obras de reabilitação apresentaram a maior quebra (-22%), enquanto as construções novas diminuíram 11,4% em termos homólogos e 7,7% em relação ao trimestre anterior.
Nos Açores, a redução no licenciamento de novos edifícios para habitação familiar foi moderada quando comparada com a de outras regiões autónomas ou continentais. A Região Autónoma da Madeira, por exemplo, registou uma queda superior (-31,3%), e o Alentejo recuou 23,8%. Já as regiões do Norte e Grande Lisboa destacaram-se pelo crescimento, com aumentos de 19% e 89% respectivamente, impulsionados pelo dinamismo urbano e pela aprovação de novos empreendimentos residenciais.
No caso açoriano, o aumento da área total licenciada revela uma mudança de perfil nos projetos aprovados, com destaque para obras residenciais de maior escala e um reforço do setor turístico, sobretudo em ilhas como São Miguel e Terceira. Fontes ligadas ao setor imobiliário indicam que, apesar da contração no número de processos, o valor médio por licenciamento tem vindo a subir desde meados de 2025, acompanhando o aumento dos custos de construção e da procura por empreendimentos com maior valor agregado.
A nível nacional, a Grande Lisboa liderou o crescimento no número de fogos em novas construções para habitação familiar (+89%), seguindo-se o Norte (+19%), o Oeste e Vale do Tejo (+16,8%), o Centro (+5,4%) e o Algarve (+5,2%). Em contrapartida, a Península de Setúbal (-37,6%) e as regiões autónomas – Madeira (-31,3%) e Açores (-6,8%) – registaram as maiores descidas.
Relativamente ao conjunto do ano de 2025, o INE destaca que o licenciamento apresentou um início positivo, com crescimento constante até maio, mas inverteu a tendência a partir de junho. A desaceleração acentuou-se no último trimestre, com reduções homólogas de 10,2% em outubro, 13,1% em novembro e 20,6% em dezembro, refletindo os efeitos combinados do aumento dos custos da construção, da subida das taxas de juro e da incerteza económica.
Nos Açores, o cenário é marcado por uma evolução mista: menos edifícios licenciados, mas uma área total superior, sinalizando a consolidação de projetos de maior dimensão num contexto de prudência financeira e contenção de novos investimentos em construção de pequena escala.
