Como conseguimos viver quando o corpo deixa de obedecer, mas a mente quer continuar a sonhar? Para as pessoas com a Doença de Machado-Joseph, esta é uma realidade diária, que ecoa em cada gesto e em cada olhar que resiste à perda progressiva do movimento. É uma doença que desafia o corpo e a alma. Movimentos que outrora eram automáticos tornam-se difíceis e, muitas vezes, os olhares e as palavras da sociedade, como “Está bêbado(a)”, magoam mais do que qualquer limitação física.
A Psicologia entra neste espaço invisível, oferecendo um apoio humano, assente na presença, na escuta e na compreensão da experiência individual. Quando o corpo deixa de responder como desejaríamos, a mente procura encontrar o equilíbrio através da palavra, das relações e da construção de sentido perante a mudança. É neste domínio que a psicologia ajuda a reencontrar significado nas pequenas vitórias, a resignificar a vivência da doença, a resiliência e a desenvolver estratégias de adaptação face à perda, ao medo e ao isolamento. Inclui também trabalhar com familiares e comunidades, promovendo compreensão e empatia de cada gesto limitado, que não traduz falta de vontade, mas sim uma doença rara e complexa.
Nos Açores, esta doença faz parte da história de várias famílias, e sensibilizar a sociedade e cuidar da mente é tão urgente quanto cuidar do corpo, lembrando que a essência de cada pessoa continua intacta, mesmo quando o corpo muda.
Fique bem, pela sua saúde e a de todos os Açorianos!
Um conselho da Delegação Regional dos Açores da Ordem dos Psicólogos Portugueses.
Ana Beatriz Sousa*
* Psicóloga