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Uma reflexão sobre as presidenciais

As presidenciais, por se tratarem da disputa para um cargo unipessoal, sendo personalizadas prestam-se mais do que outras eleições a desequilíbrios entre a cobertura das diferentes candidaturas por parte dos órgãos de informação e dos media em geral. Ao eleitor mais desprevenido ou menos atento, tantas vezes por indisponibilidades ligadas à sua vida pessoal, familiar ou profissional, deparasse-lhes um cenário (previamente preparado, sem que o saibam) para os “ajudar” a entender o enquadramento eleitoral que está em jogo. Neste cenário, uns têm presença e voz quotidianas, mesmo que pouco já tenham para dizer ou propor no fundamental, e outros não conseguem mais do que furtuitos e dispersos flashes de imagem ou de voz onde até as frases captadas ou o seu sentido muitas vezes nem se tornam suficientemente entendíveis, mesmo que na realidade o sejam. Este cenário passa, progressivamente, a ser dominado pelas sondagens e comentários opinativos que se repetem a um ritmo quase alucinante e acabam por se tornar veículos condicionadores e determinantes seja do conteúdo das intervenções das candidaturas, que se vão esvaziando do seu carácter programático e de propositura, seja da promoção ou despromoção dos candidatos aos olhos do eleitor, sobretudo por via das hipóteses de ganhar que uns terão mais do que outros. A isto, segue-se recorrentemente o jogo de chantagens múltiplas entre candidaturas, com pressões de toda a ordem no sentido de que umas desistam em favor de outras.
Sem ignorar, é claro, a importância do carácter, da personalidade ou da postura ética e política individuais de cada candidato, é caso para perguntar:
O que aconteceria aos resultados se não tivesse havido uma tão desmedida interferência lateral às ideias e programas das candidaturas, e tivesse antes havido mais aprofundamento do respetivo conteúdo e do seu confronto direto com os problemas vitais dos eleitores, bem comodas diferentes soluções que por eles e para eles estiveram presentes ou ausentes ao escrutínio? Os resultados assim obtidos, que seguramente seriam bem diferentes, teriam por ventura, e em alguma circunstância, um valor democrático inferior àqueles que se verificaram no passado domingo?
Deixo a resposta para si caro Leitor…
No próximo dia 8 de fevereiro é a 2ª volta destas eleições. Entre os dois candidatos em presença, há uma escolha a fazer. Para mim que me considero um democrata, tal escolha não me parece que deva ser neutra pois envolve a responsabilidade de travar o candidato, de entre os dois, que assumidamente se propõe aniquilar o regime democrático nascido em 25 de Abril de 1974; que assumidamente defende a normalização do ódio, da violência e da discriminação institucionalizada entre humanos; que se indigna e se propõe acabar com direitos políticos e sociais públicos que contrariam ou minimizam as grandes desigualdades de condições de vida e de trabalho entre os portugueses, olhando com particular crueldade para os cidadãos de menores recursos e oportunidades; que exalta os valores do regime fascista e dos seus líderes, que dominaram Portugal durante 48 anos. Um candidato reacionário, retrógrado, demagogo, e que nutre um imenso desrespeito pela verdade.
De convictos democratas estaremos de facto a falar, quando olhamos para a sua (até à data) anunciada neutralidade, perante a escolha a ser feita entre um dos dois candidatos que irão a votos em 8 de fevereiro? Estamo-nos referindo concretamente ao primeiro-ministro português ou ao presidente do governo dos Açores, bem como aos candidatos que de alguma forma ao primeiro se encostaram na campanha eleitoral da 1º volta, como foi o caso de Marques Mendes ou de João Cotrim. Falamos ainda da “precocidade” de qualquer decisão a tomar sobre o assunto, entretanto anunciada por Gouveia e Melo…
Mário Abrantes

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