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Açores com a segunda maior taxa de desemprego do país

desemprego2Os Açores fecharam o ano de 2018 com a segunda maior taxa de desemprego do país, só ultrapassados pela Madeira.

Segundo dados do INE revelados ontem, no ano de 2018, as taxas de desemprego mais elevadas, e superiores à média nacional, foram observadas em cinco regiões: Madeira (8,8%), Açores (8,6%), Área Metropolitana de Lisboa (7,4%), Norte (7,3%) e Alentejo (7,2%). Abaixo da média nacional situaram-se as taxas de desemprego do Algarve (6,4%) e do Centro (5,6%).

Analisando as taxas de desemprego por regiões, verifica-se que no quarto trimestre de 2018 a taxa de desemprego foi superior à média nacional em quatro regiões do país: Madeira (8,9%), Açores (8,5%), Algarve (7,8%) e Alentejo (7,7%).

As taxas de desemprego no Norte e na Área Metropolitana de Lisboa igualaram a média nacional (6,7%), tendo a região Centro (5,7%) sido a única abaixo daquele valor.

Em relação ao trimestre anterior, segundo o INE, a taxa de desemprego manteve-se na Madeira, aumentou no Algarve (2,8 pontos percentuais), no Alentejo (1,1 pontos percentuais) e no Centro (0,3 pontos percentuais) e diminuiu nos Açores (0,2 pontos percentuais), na Área Metropolitana de Lisboa (0,4 pontos percentuais) e no Norte (0,5 pontos percentuais).

Em relação ao trimestre homólogo, a taxa de desemprego diminuiu na região Norte (2,6 pontos percentuais), na Área Metropolitana de Lisboa (1,5 pontos percentuais), no Alentejo (0,7 pontos percentuais) e no Centro (0,2 pontos percentuais), tendo-se mantido na Madeira e aumentado no Algarve e nos Açores (0,5 e 0,2 pontos percentuais, respectivamente).

Em relação a 2017, e à semelhança do observado globalmente para Portugal, a taxa de desemprego diminuiu em todas as regiões, tendo os dois maiores recuos ocorrido no Norte (2,5 pontos percentuais) e na Área Metropolitana de Lisboa (2,1 pontos percentuais).

Segundo recorda o INE, “a população desempregada e a subutilização do trabalho têm descrito uma trajectória descendente desde o primeiro trimestre de 2013, acumulando até ao momento uma diminuição de 62,3% e de 51,4%, respectivamente (abrangendo 577,7 mil e 756,1 mil pessoas)”.

 

População activa aumenta

 

Também o SREA publicou ontem os dados do emprego, salientando que a população activa estimada para o 4º trimestre de 2018 é de 120.956 indivíduos e a média de 2018 ficou nos 122.209. Em termos anuais apresenta uma subida de 0,1%. Na comparação homóloga e trimestral verifica-se um decréscimo de 0,9% com o trimestre homólogo e de 2,2% relativamente ao trimestre anterior.

A taxa de actividade, tomando como referência a população total, no 4º trimestre, é 50,0%, superior em 0,1 p.p. à do trimestre homólogo e inferior em 1,0 p.p. à do trimestre anterior.

A taxa de actividade (15-64 anos) é de 69,7% neste trimestre, superior em 0,3 p.p. à do trimestre homólogo e inferior em 1,5 p.p. à do trimestre anterior.

A subutilização do trabalho diminuiu 1,5 p.p. em termos anuais, reduzindo 8,1% comparando com o mesmo trimestre de 2017 e 2,5% comparando com o 3º trimestre de 2018.

 

População empregada

 

A população empregada no 4º trimestre é estimada em 110.658 trabalhadores, sendo a média anual de 111.799 empregados. Este valor é superior em 553 trabalhadores ou em 0,5%, relativamente a 2017. Na comparação homóloga e trimestral, diminuiu 1,1% relativamente ao trimestre homólogo e 2,0% em relação ao trimestre anterior.

Em termos anuais é o maior valor da actual série do inquérito ao emprego, iniciada em 2011.

A taxa de emprego (15-64 anos) é de 63,6% neste trimestre, com aumento de 0,2 p.p. relativamente ao trimestre homólogo e diminuindo 1,2 p.p. relativamente ao trimestre anterior.

 

Actividade económica

 

Analisando por sectores de actividade, em termos anuais, verifica-se um aumento da população empregada em todos os sectores: 0,6% no sector primário, 2,6% no sector secundário e 0,04% no sector terciário. Relativamente à comparação homóloga e trimestral, o emprego no sector primário apresenta acréscimos nas duas comparações (1,4% homóloga e 6,4% trimestral), no sector secundário o emprego cresce em termos homólogos (5,1%) e decresce trimestralmente (4,1%) e no sector dos serviços diminui 2,7%, quer relativamente ao trimestre homólogo quer ao trimestre anterior. 

Do total de pessoas que, no 3º trimestre de 2018, se encontravam desempregadas, 51,8% saíram dessa situação no 4º trimestre de 2018, sendo que 17,6% se tornaram empregadas/os e 34,2% transitaram para a inactividade.

Do total de pessoas com 15 e mais anos que, no 3º trimestre de 2018, eram consideradas inactivas, 2,6% transitaram para o emprego e 1,6% transitaram para o desemprego, no 4º trimestre de 2018.

No 3º trimestre de 2018, do total de pessoas consideradas empregadas, 94,8% mantiveram essa situação no 4º trimestre de 2018. Assim 5,2% deixaram de manter o emprego, tendo 3,8% saído para a inactividade e 1,4% para o desemprego.

 

Taxa de desemprego

 

A taxa de desemprego no 4º trimestre de 2018 foi de 8,5% e a média anual de 2018 situou-se em 8,6%. 

Este valor é inferior em 0,4 pontos percentuais (p.p.) relativamente ao ano de 2017 e a taxa anual mais baixa da actual série do Inquérito ao Emprego, iniciada no 1º trimestre de 2011, há oito anos. Comparando com os trimestres, a taxa de desemprego para o 4º trimestre é inferior em 0,2 p.p em relação ao trimestre anterior e superior em 0,2 p.p relativamente ao trimestre homólogo.

Neste trimestre, a população desempregada nos Açores, estima-se em 10.298 indivíduos, menos 506 desempregados que no trimestre anterior e mais 148 que no trimestre homólogo.

A média em 2018 foi de 10.514, menos 4,1% e 449 desempregados que no ano anterior. É o menor número, anual, de desempregados desde há oito anos.

 

O que diz o Governo

 

A Directora Regional do Emprego e Qualificação Profissional afirmou que os dados do emprego agora divulgados  pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) “confirmam a trajectória favorável” do emprego nos Açores nos últimos anos.

 A Directora Regional referiu também que a taxa de desemprego de 8,6%, para a média do ano de 2018, “é a mais baixa taxa de desemprego anual da atual série do Inquérito ao Emprego, desde o primeiro trimestre de 2011”.

“É de realçar, igualmente, a descida continuada da taxa de desemprego desde 2013, quando foi de 17,0%, ou seja, em cinco anos desceu praticamente para metade”, frisou. 

A Directora Regional do Emprego e Qualificação Profissional sublinhou ainda que os dados demonstram um “crescimento sustentado” do emprego nos Açores, revelando, para além do aumento da população activa, que “a média de 2018 foi de quase 111.800 empregados, representando, no espaço de um ano, mais 553 postos de trabalho, ou seja, o maior valor anual desde 2011”.

 

O que dizem os TSD

 

Os TSD/Açores manifestaram ontem a sua profunda preocupação com a evolução negativa que o desemprego continua a registar na Região onde, “pelo sexto ano consecutivo, o Governo do PS foi incapaz de reduzir a taxa para valores inferiores à média nacional”, constatou Joaquim Machado.

Para aquele responsável partidário, “continuamos, infelizmente, a divergir da média nacional. E é forçoso concluir que a crise ainda não acabou nos Açores, porquanto se regista um número de desempregados bastante superior ao que se verificava há dez anos”, afirma.

Segundo Joaquim Machado, as políticas de combate ao desemprego e promoção do emprego são inconsequentes: “Por muito que Vasco Cordeiro e Sérgio Ávila façam discursos cor de rosa, que digam que a economia e as finanças públicas regionais estão de saúde e em crescimento, a realidade desmente-os”, refere.