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Fortes quebras nas pescas em 2013

pescaA quantidade e o valor do peixe capturado este ano até 1 de Outubro, excluindo as variedades de Atum, baixaram significativamente em relação a igual período do ano passado.
No total, incluindo os atuns, houve um aumento de 7,94% no peso total, mas uma quebra de 9% do valor total. Incluindo os atuns, o sector das pescas facturou 28,4 milhões de euros, o que representa uma perda de 2,8 milhões de euros em relação aos 31,3 milhões do ano passado.
Excluindo os atuns, o sector facturou 14,7 milhões de euros, o que representa uma perda de 2,7 milhões em relação ao ano anterior. Os atuns, que no ano passado representaram 58% do total das capturas, este ano atingiram os 66%, enquanto que em valor, os atuns passaram de 44,15% do total para 48%.
Mesmo ao nível dos atuns, o aumento é sobretudo devido ao Bonito, que é a espécie mais usada pela indústria, e que teve um aumento de 213%. Mas no Atum-patudo, que é o mais capturado (representou 33,5% de todo peixe apanhado, enquanto que o Bonito representou 29,8%), houve uma redução de 8,6%. E no Atum-Voador a descida foi muito acentuada: -62,5% do que em 2012, passando de 929 toneladas para apenas 348 toneladas (2,88% do total das pescas).
Há uma descida simpática: a Tintureira, um tubarão, registou uma descida de 61%, passando de 259 toneladas para 100 toneladas. Mas outras descidas podem ser menos interessantes.
Entre as 20 espécies mais capturadas, houve uma variação de -52% no Peixe-espada preto, -37% na Veja, -30% na Cavala, -24% na Abrótea e -20% no Alfonsim. O Cherne perdeu 7,8%.
Estre as 20 espécies mais importantes, houve aumentos no Goraz, com 18,4%, no Boca-negra, com 37%, e no Safio, com 16,5%.
O Goraz manteve-se como o peixe mais valorizado, com um preço médio de 11,8 euros por quilo, apesar de ter perdido 8,5% do seu valor em relação ao ano passado (era 12,87 euros). Segue-se o Imperador (11,5 euros), o Rocaz (11,3 euros) e o Cherne (10,45 euros). Todos os outros peixes ficam abaixo dos 10 euros por quilo.

Atlânticoline transportou este ano 130 mil passageiros

AtlanticolineA Atlânticoline transportou cerca de 130 mil passageiros e 17 mil viaturas entre as ilhas dos Açores no verão deste ano, números considerados “positivos” pela administração da empresa pública, atendendo à crise financeira nacional.
“Tivemos uma redução de cerca de 4% no número de passageiros transportados, em comparação com 2012, mas em compensação registámos um aumento de 2% no número de viaturas”, disse à agência  Lusa Carlos Reis, presidente do Conselho de Administração da Atlânticoline.
Apesar da crise que afecta o país, Carlos Reis faz um “balanço positivo” da temporada, que terminou no final de setembro, recordando que, com excepção de “um ou outro percalço”, a operação de transporte marítimo de passageiros e viaturas “correu bem”.
O administrador da Atlânticoline recordou, como pontos negativos, a avaria no navio Express Santorini e a greve dos trabalhadores dos portos, que provocou atrasos na operação marítima. A Atlânticoline opera nos mares dos Açores com dois navios (Express Santorini e Hellenic Wind), ambos alugados ao armador grego Hellenic Seaways, e que custam cerca de cinco milhões de euros/ano. Questionado sobre quando é que a Região terá os seus próprios navios para operarem nos Açores, Carlos Reis respondeu que essa pergunta “deve ser feita à tutela”, adiantando que a compra de novos barcos “não depende da Atlânticoline”.

Concorrentes reagem à decisão do TC de mandar repetir eleições da Vila Franca

votarO candidato do PS à câmara de Vila Franca do Campo nas autárquicas deste ano, Ricardo Rodrigues, diz que respeita sempre as decisões dos tribunais e encara com serenidade a repetição das eleições, como ordenou o Constitucional.
“Acho que os portugueses, neste caso os vilafranquenses, quando são chamados a pronunciar-se, tudo decorre com normalidade”, disse Ricardo Rodrigues à agência Lusa, que tinha sido declarado presidente eleito da câmara de Vila Franca do Campo, na sequência do apuramento dos resultados da eleição agora anulada pelo Tribunal Constitucional.
“É com vontade, com energia, mas também com muita serenidade que encaro este novo processo de explicação aos eleitores do que está em causa. Vai ser bom para os vilafranquenses este novo acto eleitoral. Vamos todos votar porque os vilafranquenses sabem sempre o que fazem e o que querem”, acrescentou.
O Tribunal Constitucional (TC) anulou a votação para a câmara de Vila Franca do Campo nas autárquicas de 29 de setembro e determinou a repetição do ato eleitoral, segundo um acórdão a que a agência  Lusa teve acesso.
Os boletins de voto para a eleição para a Câmara Municipal de Vila Franca do Campo, não tinham os quadrados para fazer a cruz à frente das candidaturas do PSD/PPM e dos independentes do Novo Rumo, tendo sido feitos à mão.
O apuramento dos resultados deu a vitória à candidatura do PS, liderada por Ricardo Rodrigues por 300 votos, mas a coligação PSD/PPM, encabeçada pelo social-democrata Rui Melo, recorreu para o Constitucional.
No acórdão proferido quarta-feira, o Constitucional dá razão ao recurso, concluindo que os boletins em causa não respeitavam a lei eleitoral, já que houve “omissão de um dos elementos essenciais” que os constituem.
Por outro lado, dizem os juízes que essa omissão “não foi suprida de forma a poder ser respeitado o princípio do tratamento equitativo de todas as candidaturas, nem o princípio de sigilo do voto”. A votação foi validade pela Juíza da Comarca, com o voto contra do delegado do Ministério Público, que levantou um processo judicial sobre o caso.
Segundo os resultados da eleição agora anulada, Ricardo Rodrigues seria o novo presidente da câmara de Vila Franca do Campo, o PS tinha 3 mandatos, a  coligação PSD/PPM tinha 3  e a coligação Novo Rumo 1.

Confirmam-se
“trapalhadas”
em Vila Franca –
candidato PSD

O candidato da coligação PSD/PPM à câmara de Vila Franca do Campo nas autárquicas de 29 de setembro considera que a anulação das eleições pelo Tribunal Constitucional confirma as “trapalhadas” dos socialistas.
“O Tribunal Constitucional anulou as eleições confirmando as trapalhadas dos socialistas Ricardo Rodrigues e António Cordeiro [actual presidente da câmara] que nós denunciámos”, disse Rui Melo à agência Lusa
O exercício de direito de voto é sagrado. Ninguém tem poderes para o alterar. Ninguém está acima da lei, nem os socialistas”, disse Rui Melo.
O candidato do PSD/PPM diz que vai continuar a apresentar as suas propostas “com humildade” aos vilafranquenses porque “são as melhores”.
Já Jorge Gago da Câmara, que encabeçava a candidatura independente Novo Rumo, considera que o Tribunal Constitucional é um órgão de soberania e “há que aceitar” a decisão de repetir o ato eleitoral.
“Entendo, contudo, e sempre entendi, que o não aparecimento de um quadradinho para a colocação da cruz era estranho. Trata-se de mais uma trapalhada da câmara municipal de Vila Franca do Campo”, refere o candidato.
Jorge Gago da Câmara frisa que entendeu que o problema colocado “havia sido sanado” por lhe terem dito que um funcionário da câmara se tinha dirigido às assembleias de voto e afirmado que, após contacto com a CNE, havendo a concordância de todos os elementos das mesas, se poderia prosseguir o acto eleitoral através da colocação dos quadrados em falta no boletim.

“Quanto mais se falar na dor, mais ela se manifesta”, diz Amélia Moniz

Associação Dor CrónicaO número de doentes com dor crónica nos Açores tem vindo a aumentar de ano para ano. Estima-se que cerca de 35% da população sofra deste mal, que pela sua persistência, tende a deixar de ser considerado um sintoma, para ser encarado como uma patologia.
Desde 2005 que a Associação de Doentes da Dor Crónica dos Açores, única do género no país, tem vindo a intervir junto destes doentes. O objectivo é distrair as pessoas e aliviar a dor que sentem através de diversas actividades. No entanto, o problema maior surge quando a dor deixa de ser apenas física, passando a ser também psicológica.

 

Sediada em Ponta Delgada, a Associação de Doentes da Dor Crónica dos Açores é uma Instituição Particular de Solidariedade Social, única do género no país, que tem como objectivo principal promover o bem-estar físico, psicológico e espiritual dos doentes com dor, de modo a proporcionar-lhes uma melhor qualidade de vida.
Conta actualmente com cerca de 180 associados e diariamente acolhe entre 15 a 20, para a prática das mais diversas actividades, desde a pintura e os bordados, ao yoga, reiki e tai chi. A instituição surge como uma alternativa à vida de sofrimento a que estas pessoas estão destinadas.
“As pessoas que têm muitas dores, como é o meu caso que até ando de bengala, em vez de ficarem em casa sentadas no sofá a ver televisão, sem fazer nada e a gemer todo o dia, o que não vale a pena, que venham para cá para se entreterem”, afirmou Amélia Moniz, membro da direcção da associação, que também sofre de dor crónica. “Umas fazem crochê, outras pintam, praticam yoga, tai chi ou, se quiserem, apenas conversam. Mas estão distraídas o que, psicologicamente faz aliviar a dor”, frisou, numa entrevista ao Diário dos Açores, realizada em conjunto com António Vilar, igualmente parte da direcção.
Na região, dados revelam que 35% da população sofre desta dor. De acordo com a Associação Internacional para o Estudo da Dor, a dor crónica é geralmente definida como sendo “persistente ou recorrente durante pelo menos três a seis meses, persistindo para além da cura da lesão que lhe deu origem, ou que existe sem lesão aparente”.
No campo da saúde mental, a dor crónica provoca frequentemente insónias, ansiedade, depressão, podendo levar, em casos extremos, ao suicídio. Há uma tendência actualmente para encarar a dor crónica não como apenas um sintoma mas, como uma doença por si só, com repercussões para o indivíduo e a sociedade, pelo sofrimento e custos sócio-económicos que lhe estão associados.

Dor psicológica
Ao nosso jornal, António Vilar salienta o facto de existirem vários tipos de dor, que nem sempre estão associados ao físico. O membro da associação, que exerce funções de tesoureiro, refere que “a dor começa no corpo, a nível físico, mas depois torna-se psicológica”. Exemplificando, refere casos de antigos associados da instituição, que não tinham os membros, mas que sentiam, no entanto, dores nos mesmos. “O médico diz que a dor não existe, mas a pessoa sente”, completou, por sua vez, Amélia Moniz.
É neste sentido que ambos dizem ser “difícil” lidar com os diferentes tipos de dor com que vivem os associados. “Nós tratamos os sócios por igual. Porém, cada um tem as suas características próprias e temos que estar atentos às mesmas. Cada utente da associação deve sentir-se bem aqui e não se sentir obrigado a realizar todas as nossas actividades”, afirma António Vilar.
Por sua vez, Amélia Moniz realça que o objectivo da associação acaba por ser fazer os sócios esquecer que estão a sofrer, para aliviar a dor. “Quando estamos reunidos, quase nunca falamos da dor. Falamos de crochê, falamos de moda, falamos de tudo o resto”. E explica que, “quanto mais se falar na dor, mais ela se manifesta”. Amélia Moniz, enquanto doente de dor crónica, mostrou a sua atitude positiva perante a vida: “Dói? Claro, mas não faz mal. Vai-se caminhando para a frente”.
António Vilar continua: “Há uma série de factores, proporcionados pela nossa associação, que faz com que as nossas associadas tenham outra maneira de estar, diferente da que têm quando estão em casa. Eu às vezes, com a confiança que tenho com as nossas sócias, ‘ralho’ com elas para que afastem os pensamentos negativos, pois, se não o fazem, acabam por viver deprimidas”.
Num questionário realizado recentemente aos utentes da instituição, verificou-se que muitos já desistiram de frequentar a consulta da dor no Hospital do Divino Espírito Santo, em Ponta Delgada, com a justificação de não quererem tomar ainda mais fármacos.
Os sócios que frequentam a associação, na sua maioria do sexo feminino, sofrem de doenças, que vão desde o cancro ao reumatismo. Já tomam medicação para o tratamento da doença e, por isso, preferem evitar tomar mais fármacos para o alívio da dor. Amélia Moniz salientou que a distração que encontram na instituição acaba por ter o mesmo efeito e compensar a ingestão de mais medicamentos.

Amigos e família na luta contra a dor
Para os dois membros da associação, é na proximidade para com os associados que está a mais valia da instituição. “Somos quase como uma família”, frisou Amélia Moniz, que lamentou que “muitas das vezes, os familiares dos doentes com dor crónica não lhes dão o devido valor”. “Ora porque trabalham e chegam tarde a casa, ora porque já não têm paciência para lidar com doentes já com uma certa idade”, acrescentou. 
“É mais fácil serem os amigos do que a própria família a darem atenção ao doente”, referiu, por seu lado, António Vilar, defendendo que o trabalho impede que as pessoas possam estar mais tempo com os familiares doentes. E deu o exemplo: “se o patrão não puder dispensar o seu trabalhador por uma manhã ou tarde, este já não vai acompanhar a mãe ao médico. E quem é que vai? São os amigos, pois mostram-se disponíveis”.
Mas António Vilar não culpa a família. “A culpa é da sociedade e da forma como é encarada a vida”. Para o elemento da direcção, a sociedade “está cada vez mais mercantil e menos espiritualista”. A família acaba, muitas vezes, por “perder a noção do sofrimento do doente”. “Não conhece a dor real, porque não acompanhou o doente”, frisou.

Oito anos de actividade
A  Associação de Doentes da Dor Crónica dos Açores surgiu em 2005 e no próximo dia 28 de Outubro assinala o seu oitavo aniversário.
A direcção falam num “crescimento de 1000%”, no último ano, com a mudança para as novas instalações. Passaram de um T2 na Rua do Negrão, para uma estrutura mais ampla, de 180 m2, na Rua Doutor Aristides da Mota, em Ponta Delgada.
Antes, não era possível promover aulas de yoga, reiki ou tai chi, mesmo com poucos participantes, devido às limitações do espaço. “Às vezes eramos só três a praticar tai chi, mas a sala, no T2, era tão pequena que com os movimentos chocávamos umas nas outras”, explicou Amélia Moniz.
António Vilar revelou que nos primeiros cinco anos de funcionamento, a associação esteve “quase parada”. “Tomava-se um cházinho, ia-se ao Santuário do Senho Santo Cristo dos Milagres, fazia-se uma festinha e pronto. Mas nós quisemos pôr a associação a trabalhar”. Antes da nova sede, o número de sócios não chegavam aos 70 e agora já são cerca de 180.
Actualmente, a instituição sobrevive dos apoios, que rondam os 1900 euros euros por mês, e da venda dos trabalhos confeccionados na instituição. As aulas de pintura, tai chi, yoga, as massagens e os cuidados de enfermagem são prestados por voluntários.

Exposição na Semana Europeia de Luta Contra a Dor
A partir de segunda-feira, dia 14 de Outubro, e até sexta-feira, dia 19, a associação vai assinalar a Semana Europeia da Luta Contra a Dor com uma exposição a ter lugar no Centro Comercial Sol Mar, em Ponta Delgada. Trata-se de uma exposição de pintura com quadros realizados pelos sócios da associação. Os quadros estarão à venda, bem como outros trabalhos de artesanado, bordado, croché e outros artigos.
Anteriormente, a associação já promoveu outras iniciativas do género, no centro comercial Parque Atlântico e por altura das Festas do Senhor Santo Cristo dos Milagres. António Vilar afirmou que as vendas já tiveram melhores dias, mas está com boas expectativas para a próxima semana.

Como são os pensionistas dos Açores

idososSegundo dados da Segurança Social, cerca de 17,5% dos pensionistas de velhice açorianos receberam em 2012 o “Complemento solidário para idodos”, que é uma prestação monetária para pessoas com baixos recursos, complementar à pensão que o idoso já recebe. Ou seja, 4.516 idosos açorianos vivem com menos de 4.909 euros por ano (ou 4.295 se for casado).
Trata-se de um peso bastante acima da média nacional, que é de 12,3%, apesar de haver outros 3 distritos com um peso superior (Vila Real com 23,5% é o maior, seguindo-se Viseu com 20,54% e Bragança com 19,55%).
De acordo com os dados da Segurança Social., existiam no mês de Agosto 25.733 idosos pensionistas de velhice nos Açores, apenas mais 30 que em Dezembro de 2012. Há mais homens que mulheres: 13.630 homens e 12.103 mulheres.
Tendo em conta os dados de 2012, o complemento de pensão é sobretudo recebido pelas mulheres, que representam 74% do total. O peso deste complemento é significativo, uma vez que representa 1,84% do total nacional, enquanto que os Açores apenas têm 1,3% do total de pensionistas do país.
No ano de 2011, segundo o Anuário Estatístico de 2012, do INE, as pensões de velhice atingiram nos Açores 123 milhões de euros, o que representa apenas 1,15% do total nacional. Em média, os pensionistas de velhice nos Açores recebem uma média de 4.713 euros por ano, o que está abaixo da média nacional, que é de 5.520 euros por ano.
Há 15.115 idosos nos Açores que recebem pensão de Sobrevivência, o que é um valor muito acima do nacional. Enquanto que no país as pessoas que recebem esta pensão representam 3,6% das pensões de velhice, nos Açores o seu peso atinge os 6%.
Trata-se na quase totalidade de mulheres, que representam quase 87% destes beneficiários. Refira-se que é o maior valor nacional a esse nível: a média nacional é de 81,5% de mulheres, o que é uma diferença grande. A causa principal só pode ser uma de duas: ou as mulheres açorianas vivem mais que as portuguesas, ou os homens morrem mais cedo.
Não existem dados conhecidos sobre a estratificação dos pensionistas açorianos por escalão de pensões. Os dados existentes são os nacionais, publicados pela Pordata, e indicam que 6,21% dos pensionistas de velhice auferem mais de mil euros por mês.