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SDEA diz não haver qualquer decisão para transferir Unidade de produção de isótopos

praia da vitóriaA Sociedade para o Desenvolvimento Empresarial dos Açores (SDEA) garantiu ontem que não há qualquer decisão de apoio para a instalação de uma unidade de produção e distribuição de isótopos “noutra ilha, que não seja a ilha Terceira”.
A reacção da SDEA surge na sequência da denúncia, na segunda-feira, do PSD da ilha Terceira, sobre a transferência da construção daquela unidade que estava prevista para aquela ilha, para a Lagoa, em São Miguel.
De acordo com o presidente da Comissão Politica de Ilha do PSD na Terceira, Péricles Ortins, “a empresa promotora desistiu de se instalar no Parque Tecnológico da ilha, na Terra Chã, por não ter conseguido, ao longo de mais de três anos, as condições mínimas para levar em frente este investimento nos antigos terrenos da Universidade dos Açores, pois nem a escritura do terreno conseguiu fazer”,
Numa conferência de imprensa, o dirigente social-democrata disse que a empresa Isopor propôs a exploração de duas unidades de prestação de serviços de apoio ao diagnóstico clínico por imagem, nas ilhas de São Miguel e Terceira, estando ainda prevista a instalação de uma unidade de produção e distribuição de isótopos na Terceira, acrescentando que o projecto foi aprovado pela Agência para a Promoção do Investimento dos Açores (APIA), em 2008, sendo reconhecido como Projecto de Interesse Regional dois anos depois.
Na reacção, a SDEA assegura em comunicado que “até à data o promotor nunca enviou qualquer informação sobre qualquer alteração à configuração do projecto”, assim como também “não submeteu a candidatura ao Subsistema de Apoio ao Desenvolvimento Estratégico, na Direcção Regional de Apoio ao Investimento e à Competitividade, entidade gestora do SIDER”.
“Não há qualquer decisão de apoio para instalação de uma unidade desta natureza noutra ilha, que não seja a ilha Terceira”, refere ainda um comunicado da SDEA, salientando que “foi exactamente nesse pressuposto que o Governo dos Açores não só cedeu, a título definitivo um lote de terreno ao promotor, para construir os edifícios e infraestruturas para o efeito, como também considerou o Projeto de Interesse Regional, para efeitos de ampliar o apoio a investimentos a efectuar”.

Software educativo não é aproveitado pelos professores açorianos, revela especialista da área

Miguel Dias - formador1Miguel Dias foi formador no Centro de Formação da Associação de Escolas da Terceira, São Jorge e Graciosa e, até 2011, foi coordenador do Projecto das Escolas Digitais na Direcção Regional de Educação e Formação dos Açores, apresentou, recentemente, a sua prova de doutoramento sobre o tema “O papel do software educativo no ensino da Matemática”, na academia açoriana.
Num ano em que as médias nacionais obtidas a Matemática registaram valores negtivos, o especialista explicou de que modo o software poderá ser uma mais-valia para tornar esta disciplina “mais simples e divertida”aos olhos dos alunos.

Qual a importância da tecnologia na Educação?
Na realidade a tecnologia é uma realidade inegável. Muitas vezes digo que a tecnologia tem entrado nas escolas quase “sem pedir licença”.
A tecnologia tem um enorme potencial na educação ao nível da melhoria de atitudes, comportamentos e resultados escolares.

Em que consiste o software educativo?
Existe na comunidade científica duas correntes sobre o conceito de software educativo. Uma primeira corrente descreve o software educativo como qualquer recurso digital utilizado em contexto educativo.
Uma segunda corrente descreve o software educativo como os recursos digitais produzidos especificamente para a educação. Eu prefiro a segunda. A qualidade do software educativo depende muito de todo o processo de desenvolvimento (técnicos envolvidos, tipos de testes realizados, ajustamento a realidades pedagógicas, etc.).

Que vantagens tem a sua utilização para os estudantes?
A utilização de software educativo de qualidade pelos estudantes pode ter um conjunto de vantagens: acesso a informação estruturada por área científica, possibilidade de testar competências, exploração detalhada de temas, resolução de problemas, visualização de demonstrações a três dimensões.

A sua investigação teve como pano de fundo a Matemática. Porquê esta disciplina?
A escolha pela área da Matemática resultou de dois aspectos: os resultados nacionais na educação básica e a identificação pelos professores como área onde seria mais urgente inverter os resultados dos alunos.

Os recursos, a nível de software educativo, que os professores têm ao seu dispor, na sua opinião, estão a ser bem aproveitados?
Temos bons softwares educativos em Portugal mas infelizmente alguns são desconhecidos e outros estão subaproveitados.
Conheço escolas portuguesas que têm uma bolsa de software de grande qualidade e que não é utilizado e, em alguns casos, os professores até desconhecem a sua existência na escola.
Deixe-me dar-lhe exemplos de dois problemas que encontrei com a minha investigação. Existe um número significativo de professores que não intervém no processo de selecção do software educativo que é comprado para as escolas e, até mesmo, nas suas áreas curriculares. E, por outro lado, muitos professores reconhecem qualidade nos recursos, mas apontam necessidades de formação para a sua integração curricular.

 Acha que há falta de conhecimento, por parte dos professores sobre o potencial deste mesmo material?
Realmente, esse é um problema mas julgo que não é o principal. Alguns dos maiores problemas nacionais para resolver passam por investimentos públicos desajustados que apostam preferencialmente na área de equipamentos e em contratos de licenciamento de software não educativo.
Outro problema são as necessidades de formação ao nível da didáctica das TIC que apresente sugestões de integração curricular e metodologias de avaliação das aprendizagens quando utilizados softwares educativos.

Qual é a receptividade, por parte dos professores açorianos, quando apresentados a novas tecnologias que os “obrigam” a mudar a sua metodologia de ensino da matemática? E por parte dos alunos?
De uma forma geral os professores açorianos possuem uma visão positiva perante os desafios da tecnologia na Educação, nomeadamente, na área da Matemática.
Existe alguma dificuldade natural em entender a disparidade entre os montantes de investimento em equipamentos e formação.
Indicadores internacionais referem que um bom projecto de tecnologia da Educação deve ter, no mínimo, 40 a 45% de investimento em formação de professores.
As escolas dos Açores, salvo casos pontuais, possuem bons recursos tecnológicos, inclusive, ao nível da educação básica. O grande desafio está na promoção e apoio de projectos de formação que melhorem as taxas de utilização desses investimentos e a sua real integração no recente currículo regional.
Os alunos, esses apresentam grande disponibilidade e predisposição para utilizarem as tecnologias reconhecendo que ela torna a Matemática “mais simples e divertida”.


Deveriam ter, os docentes, mais iniciativa própria na dinamização das aulas de Matemática, com vista à obtenção de melhores resultados?
Salvo casos pontuais, a grande maioria dos professores tem essa iniciativa. O problema está no facto de, cada vez mais, serem colocadas tarefas aos professores que, muitas vezes, os “dispersam” das suas naturais funções didácticas.

Nos Açores, os resultados obtidos, este ano, nos exames nacionais de Matemática foram considerados muito negativos. Na sua opinião, o que poderá estar a falhar?
Para uma resposta mais adequada, era necessário analisar os dados, conhecer iniciativas em curso, avaliar a formação contínua, avaliar a qualidade e o impacto das políticas públicas, conhecer os contextos locais, conversar com professores, diagnosticar a realidade sociocultural dos alunos (...).
De qualquer modo, julgo que as falhas podem resultar da falta de investimento em recursos humanos (professores e técnicos especializados) e na formação contínua. Além disso, é necessário encontrar projectos de reforço ao apoio ao estudo.
Muitos estudantes têm grandes dificuldades e, nem todas as famílias, possuem recursos e capacidade para os ajudar.
Os Açores têm todas as condições técnicas, materiais e humanas para serem um contexto de sucesso educativo. Nos Açores encontrei escolas com condições ímpares no país e na Europa, professores com práticas muito inovadoras mas que aguardam por um merecido reconhecimento e boa promoção.
Ao nível das tecnologias nas escolas dos Açores existem até mesmo projectos que, pela sua dimensão e diversidade, têm elevado potencial para serem bons exemplos no contexto nacional e europeu. Precisam apenas de mais apoio ao nível de coordenação, acompanhamento e formação.

Acha que é necessário mudar a forma como é leccionada a Matemática? O que poderia ser feito?
É preciso ouvir mais os professores, envolvê-los activamente  em projectos, apostar na formação contínua, estudar e disseminar boas práticas e apostar na produção de recursos didácticos (digitais ou não) para além dos manuais escolares.

No âmbito da sua investigação, encontrou “resultados que revelam que o software educativo tem um forte contributo ao nível da melhoria de atitudes e comportamentos e também na aprendizagem de conteúdos na área da matemática no 1º ciclo do ensino básico”. Que resultados foram estes?
No estudo que realizei apliquei um questionário a 450 professores portugueses, muitos deles de escolas dos Açores e avaliei o impacto de um projecto TIC onde 16 professores foram autores de software educativo para a Matemática destinada a 380 alunos.
Cheguei à conclusão que o software educativo melhora a motivação dos alunos na área da Matemática; através do software educativo os alunos desenvolvem mais actividades matemáticas; o software educativo ajuda a combater o “mito” da Matemática como disciplina difícil; o software educativo melhora comportamentos como a motivação e a concentração; e que o software educativo é um importante auxílio para melhorar competências ao nível de “números e operações” e “grandezas e medidas”.

Cada vez mais, os jovens encaram a Matemática como uma obrigação. Aliar a tecnologia (que, regra geral, é associada pelos jovens a laser e divertimento) à Matemática pode ajudar a alterar esta visão?
Sem dúvida, mas a tecnologia por si não chega. Sem os professores como agentes activos nos processos de mudança, não há mudança na Educação. De pouco serve ter software educativo de qualidade sem professores envolvidos e preparados para a mudança.

“Queremos a Calheta de Volta” pede auditoria à Inspecção Regional da Administração Pública

calhetaO movimento “Queremos a Calheta de Volta” enviou ontem à Inspecção Regional da Administração Pública um pedido de auditoria à ASTA-Atlântida - Soc. de Turismo e Animação SA.
O objectivo passa por “apurar o destino dado aos fundos públicos e outros benefícios públicos” à empresa que ganhou, por concurso público, a exploração da concessão de jogos de fortuna e azar na Região Autónoma dos Açores.
O grupo de cidadãos, representado por Manuel Moniz, quer “perante os conhecidos incumprimentos legais de prazos para o arranque da actividade concedida, apurar a razão pela qual o executivo regional ainda não desencadeou os mecanismos legais à sua disposição para, no estrito cumprimento legal, zelar pela defesa e restituição dos interesses públicos denunciando a concessão atribuída à ASTA”.
O movimento salienta que a empresa encontra-se “sujeita à jurisdição de controlo financeiro”, tendo em conta que “beneficiou de dinheiros públicos que ascendem a vários milhões de euros e de outros valores”, relativos à concessão pública do terreno da Calheta Pêro de Teive e das Termas das Furnas.
O movimento pretende, por isso, que se proceda “à fiscalização da legalidade, regularidade e correcção económica e financeira da aplicação dos dinheiros públicos, fundos regionais e comunitários, e outros valores públicos”, como é o caso do terreno da Calheta e das Termas das Furnas.
O movimento cívico  exige “transparência” sobre o “caso Casino” e relembra que cabe à Inspecção Regional da Administração Pública “averiguar o cumprimento das obrigações impostas por lei à administração regional e suas entidades autónomas, cabendo-lhe ainda verificar da aplicação dos fundos europeus postos à disposição das entidades públicas e dos privados do arquipélago”.

Unidade de produção de isótopos transferida da Terceira para São Miguel

Péricles OrtinsO PSD da ilha Terceira denunciou ontem que a construção de uma unidade de produção e distribuição de isótopos, que estava prevista para ilha, foi transferida para a Lagoa, em S. Miguel.
“A empresa promotora desistiu de se instalar no Parque Tecnológico da Ilha Terceira, na Terra Chã, por não ter conseguido, ao longo de mais de três anos, as condições mínimas para levar em frente este investimento nos antigos terrenos da Universidade dos Açores, pois nem a escritura do terreno conseguiu fazer”, salientou Péricles Ortins, presidente da Comissão Política de Ilha do PSD na Terceira.
Segundo o dirigente social-democrata, que falava em conferência de imprensa, a empresa Isopor propôs a exploração de duas unidades de prestação de serviços de apoio ao diagnóstico clínico por imagem, nas ilhas de São Miguel e Terceira, estando ainda prevista a instalação de uma unidade de produção e distribuição de isótopos na Terceira.
Segundo a agência Lusa, o projecto foi aprovado pela Agência para a Promoção do Investimento dos Açores (APIA), em 2008, sendo reconhecido como Projecto de Interesse Regional dois anos depois.
Os sociais-democratas da ilha Terceira pedem agora satisfações ao Governo Regional sobre a transferência da tecnologia para S. Miguel, alegando que a decisão representa “mais uma perda para a actividade económica e criação de postos de trabalho na ilha”.
“Este investimento privado, em alta tecnologia, iria criar inicialmente 17 postos de trabalho, muitos deles especializados, poderia potenciar outros serviços e empresas, nomeadamente em parceria com a Universidade dos Açores e constituir o pólo de desenvolvimento tecnológico muito importante para a ilha Terceira”, frisou o presidente da Comissão Política de Ilha.
Péricles Ortins propôs que o Conselho de Ilha da Terceira reúna com “urgência” para tomar uma posição sobre esta matéria, alegando que “os terceirenses não podem continuar a tolerar este tipo de situações”.
“Como foi possível mais este projeto de grande interesse sair de Angra do Heroísmo por falta de condições que estariam prometidas, há tanto tempo, mas nada aconteceu?”, questionou, salientando o estado de “total abandono” da zona destinada à construção do Parque Tecnológico da Ilha Terceira.

Avaria em Airbus da TAP irritou passageiro, e foi forçado a sair

TAPUm passageiro da TAP foi ontem retirado de um avião pela PSP depois de ter provocado distúrbios a bordo. Tudo aconteceu pelas 09h30. O avião que fazia a ligação Lisboa-Horta já estava a voar há cerca de uma hora quando uma avaria obrigou o comandante a regressar ao aeroporto de Lisboa. Em causa, uma avaria no sistema de telecomunicações do Airbus 319.
Apesar de não ser nada de grave, um dos 118 passageiros que seguiam a bordo exaltou-se com a mudança de planos e desentendeu-se com o chefe de cabina. “Um dos passageiros criou uma situação desagradável de desordem e, tal como manda o protocolo, o comandante pediu à polícia que o mesmo fosse retirado do avião”, explicou ao Correio da Manhã Lúcia Cavaleiro, da direcção de comunicação da TAP.
Outro passageiro que seguia a bordo da mesma aeronave contou ao CM o que viu. “Não assisti a nenhum desentendimento ou discussão. A única coisa que vi foi dois agentes da PSP entrarem no avião, quando estávamos estacionados em Lisboa. Depois, saíram com um homem e uma mulher, mas antes revistaram algumas malas da bagagem de mão”, disse ao CM o passageiro, que preferiu não ser identificado.
Ao que o Correio da Manhã apurou, o Airbus 319 esteve parado no aeroporto cerca de uma hora, enquanto os técnicos procediam à reparação da avaria no sistema de telecomunicações. Os passageiros não desembarcaram por se tratar de um problema simples de resolver.
O homem acabou por sair do avião acompanhado por uma mulher com quem viajava.
Após a reparação da avaria, o Airbus 319 voltou a descolar em direcção ao aeroporto da Horta, na ilha do Faial, Açores. A viagem decorreu tranquilamente, sem menção de qualquer incidente.