Artigos

Corpo encontrado junto à Povoação era do jovem desaparecido em Santo António

joao machadinhoO corpo encontrado, no passado mês de Junho, junto à costa da Povoação, era de João Guilherme Machado, desaparecido a 30 de Maio de 2013, na freguesia de Santo António, Ponta Delgada.
Devido ao estado avançado de putrefacção em que se encontrava o cadáver, não foi possível, na altura, identificar o homem pelo estado físico, pelo que, só quinta-feira, dia 24 de Outubro, a família foi informada de que se tratava do jovem de 31 anos. Segundo apurou o Diário dos Açores, o seu funeral ocorreu no dia seguinte, sexta-feira, pelas 16h00.
João Guilherme   era natural e residente em Santo António. Tinha sido visto pela última vez a correr, desamparado, num terreno ao lado do cemitério daquela freguesia, localizado junto ao parque de merendas e zona balnear do Rosário. João Guilherme havia trabalhado durante mais de 10 anos na Novicol–Cooperativa Agropecuária Agricultores Santo António e Santa Bárbara, mas tinha sido despedido há cerca de sete meses antes de ter desaparecido.
Não conseguimos apurar o que esteve na origem deste desfecho, mas numa entrevista ao nosso jornal a 27 de Junho, o irmão do falecido tinha-nos contado que ele sabia nadar desde pequeno, tendo avançado, por isso, com um possível derrame cerebral.
À família enlutada, as nossas condolências.

Movimento “Queremos a Calheta de Volta” reúne amanhã com duas comissões parlamentares

Movimento Queremos a Calheta de VoltaOs primeiros subscritores da Petição “Queremos a Calheta de Volta” reúnem amanhã com as subcomissões da Economia e de Política Geral, pelas 15h00, na Delegação de Ponta Delgada da Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores.
A reunião surge na sequência da Petição “Queremos a Calheta de Volta”, que pede à Assembleia que “aprove uma Recomendação ao Governo no sentido que rescinda o contrato da concessão pública da exploração de jogos de fortuna e azar na ilha de S. Miguel, tome a posse administrativa das infraestruturas em construção, e de imediato proceda à execução de obras no terreno da Calheta Pêro de Teive, para finalmente convertê-lo naquilo que sempre foi o projecto original: uma zona de lazer de alto valor para os habitantes e visitantes de Ponta Delgada”, diz o movimento em comunciado.
A reunião chegou a estar prevista anteriormente, mas não se realizou, primeiro, em Maio, por ausência de um dos primeiros peticionários, e depois em Setembro, por opção da Comissão de Economia que teve de analisar o Orçamento Rectificativo.
A petição “Queremos a Calheta de Volta” foi lançada no dia 12 de Março, e 24 horas depois foi entregue com o número necessário de assinaturas para que o documento fosse debatido em plenário. O artigo 192º do Regimento da ALRAA prevê que “a matéria constante da petição não é submetida à votação, mas, com base na mesma, qualquer Deputado pode exercer o direito de iniciativa”.

BANIF avança com aumento de capital social sem esperar pelo aval de Bruxelas

BanifO presidente da Comissão Executiva do Banif, Jorge Tomé, confirmou sexta-feira que a instituição vai avançar com um aumento de capital social sem aguardar pelo aval de Bruxelas ao seu plano de reestruturação.
“O aumento do capital tem sido feito por tranches. Este ano, o banco já levantou 300 milhões de euros depois do quadro estabelecido com a Direcção-Geral de Concorrência relativamente às linhas estratégicas para o futuro”, declarou Jorge Tomé aos jornalistas, em Ponta Delgada, à margem do evento Invest Day, promovido pelo Banif.
Segundo a agência Lusa, a Imprensa noticiou esta semana que até ao início de novembro, o Banif deverá avançar com a última etapa do reforço de capital iniciado este ano, mesmo sem o aval de Bruxelas ao seu plano de reestruturação.
Jorge Tomé sublinha que “é verdade” que o plano de reestruturação “ainda não está aprovado”, mas as linhas fundamentais estão “trabalhadas” com a Direcção-Geral de Concorrência.
“O que o Banif está a fazer é proceder à implementação da sua estratégia. Isso não é um obstáculo para que se avance para um aumento de capital. Já fizemos 312 milhões de euros e o objectivo é fazermos 450 milhões de euros”, refere Jorge Tomé.
O presidente da Comissão Executiva do Banif considera que as medidas de Bruxelas, assentes em quatro “pilares fundamentais”, fazem parte da “transformação do banco” e da “sua estratégia”, estando a ser implementadas.
“É isso que estamos a fazer com o objectivo de transformar o banco num instituição financeira mais líquida e mais rentável. Esse é o objectivo”, frisa o presidente da Comissão Executiva do Banif, que assegura que os Açores e Madeira estão “estabilizados” em matéria de balcões.

Arquitecto idealiza casa para Fernando Pessoa nos Açores

casa fernando pessoa1E se Fernando Pessoa vivesse nos Açores? Foi esta a ideia que teve Filipe Paixão. O arquitecto, natural de Lisboa, criou uma casa para o poeta e para os seus heterónimos mais conhecidos, com vista panorâmica para a “manta de retalhos” da ilha Terceira. Ganhou o terceiro prémio num concurso internacional, levando o nome dos Açores mais longe.

 

A ideia surgiu a propósito de uma iniciativa da plataforma de concursos de arquitectura Opengap que propôs a criação de uma casa para uma personalidade à escolha, num lugar também à escolha. Filipe Paixão optou por Fernando Pessoa e a ilha Terceira e, com o projecto, alcançou o terceiro lugar no concurso internacional.
O mais óbvio seria idealizar uma casa para o poeta em Lisboa. “Foi a cidade onde viveu toda a sua vida adulta, um cenário descrito por ele inúmeras vezes”, refere o arquitecto, em entrevista ao Diário dos Açores. Mas Filipe Paixão quis ir mais longe e colocar em prática o “desejo de fugir da rotina”, que o escritor português expressou em muitos dos seus poemas.
“O heterónimo Alberto Caeiro é a conceptualização deste desejo, o poeta da natureza que leva uma vida simples no campo. Pessoa quando o ‘criou’ denominou-o de mestre dele e dos outros heterónimos, porque todos procuravam a mesma simplicidade da alma”, explica, salientando que “a ilha Terceira materializa este cenário, além do próprio sentido de isolamento que a ideia de ilha transmite”.
Se, por um lado, Filipe Paixão se inspirou em Fernando Pessoa como uma “personagem de personagens” , “com características muito distintas”, por outro lado, teve como inspiração “um contexto natural lindíssimo, com uma ilha verde constantemente dividida pelos muros negros de pedra vulcânica, a mesma pedra que construía as casas tradicionais”, referiu.
Apesar de nunca ter visitado a ilha Terceira ou as restantes ilhas do arquipélago, Filipe Paixão admite que os Açores são uma região inspiradora. “Uma vegetação impressionante e a própria atmosfera, são elementos aos quais qualquer arquitecto é sensível”.
O jovem arquitecto desenhou para Pessoa e para cada um dos três principais heterónimos (Alberto Caeiro, Álvaro de Campos e Ricardo Reis) “uma habitação essencial, com espaço para a escrita, um espaço para repousar, um outro para refeições e um de higiene”. “É interessante a ideia de desenhar uma casa para quatro moradores que nunca coexistem no espaço, nunca se cruzam, mas coabitam aquele muro”, realça.
Filipe Paixão revela que a maior dificuldade que encontrou na elaboração do projecto foi fazer “a transição do universo escrito para o universo espacial” e “tentar criar espaços que transcrevessem o mais fiel possível cada personagem”. “Se em alguns dos heterónimos foi relativamente fácil (no caso do Alberto Caeiro, que foi claro que teria que ter um contacto constante com a natureza), outros não foram tão óbvios, como o caso do Ricardo Reis”, explica.
O arquitecto ficou surpreso com a visiblidade a nível nacional e internacional que o projecto alcançou, tendo ajudado a divulgar o nome dos Açores alémfronteiras, bem como a “dar visibilidade ao que de bom se faz” em Portugal.
Filipe Paixão, de 26 anos, formou-se há dois anos pela Universidade Lusíada de Lisboa, fez um estágio na Dinamarca e, actualmente, trabalha no Porto. Além dos projectos do atelier onde trabalha, tem entre mãos a recuperação da casa dos seus avós. O arquitecto vê na sua profissão um processo “apaixonante”, que ao mesmo tempo, segundo admitiu, lhe tira “muitas horas de sono e dá algumas dores de cabeça, à semelhança das outras paixões”.

“Empresário de sucesso tem de ser destemido e comprometido com o negócio”, diz Director Regional

ricardo medeirosMaioria dos postos de trabalho do programa Empreende Jovem é ocupada por mulheres que quiseram criar o seu próprio emprego. Em entrevista ao Diário dos Açores,  Ricardo Medeiros, Director Regional de Apoio ao Investimento e à Competitividade, sustenta que, ao contrário do que se pensa, a crise económica em que vivemos não tem sido um entrave ao investimento, pois muitos jovens têm arriscado no mundo dos negócios e atingido o sucesso

Criado em 2006, o sistema de incentivos Empreende Jovem já recebeu 293 intenções de investimento, num total de cerca de 52 milhões de euros. Destas, foram já apreciadas 248, que poderão criar mais de 530 novos postos de trabalho, na sua maioria preenchidos por mulheres.
Em entrevista ao Diário dos Açores, Ricardo Medeiros, Director Regional de Apoio ao Investimento e à Competitividade, explica-nos que, com este programa, se pretende “trazer os jovens para o mundo dos negócios, levando-os a criarem o seu próprio emprego, o que contribui também para o rejuvenescimento do tecido económico regional, trazendo inovação e criatividade à economia açoriana”.
O primeiro sistema de incentivos Empreende Jovem tinha como objectivo potenciar a criação de empresas por parte de jovens empresários, bem como o apoio a estágios profissionais dos jovens junto das empresas regionais. Porém, em 2010, o programa foi reformulado, passando a incluir apenas a vertente de apoio à criação de empresas por parte de jovens empresários, tendo sido incrementado de forma significativa, quer o valor dos apoios, quer o leque de actividades abrangidas. O Empreende Jovem destina-se, assim, a apoiar a criação de empresas por parte de jovens empreendedores, com a obrigação de deterem a maioria do capital social, em diversas áreas de negócio, que vão desde os tradicionais sectores do comércio, indústria ou turismo, até às actividades mais inovadoras que vão sendo desenvolvidas nos serviços, com especial relevância para aqueles ligados às novas tecnologias. Esse sistema de incentivos destina-se aos jovens com idades compreendidas entre os 18 e os 35 anos de idade, podendo este limite ser prorrogado até aos 40 anos se os jovens fizerem prova que antes dos 35 beneficiaram de licença de parentalidade.
No entanto, tal como outro qualquer programa de incentivo ao investimento, nem todos os projectos são aprovados. Para o serem, terão de cumprir algumas condições previstas na legislação aplicável, nomeadamente “cobrir o investimento com 15% de capitais próprios; não apresentar dívidas perante o Estado e a Segurança Social; comprovar os critérios de pequena e média empresa (PME); não iniciar o investimento antes da data de entrada da candidatura; possuir os licenciamentos necessários ao desenvolvimento da actividade; e, sobretudo, demonstrar que a ideia de negócio que detêm é viável económica e financeiramente”, afirma. Os projectos apresentados têm ainda de prever um investimento entre 15 mil e 300 mil euros.

Maioria dos projectos
 incide sobre turismo
O turismo é a área de actividade onde têm sido apresentados o maior número de projectos, havendo também um número significativo de intenções de investimento na área do comércio e saúde e, com menor expressão, na indústria. Além disso, existe também “uma variedade muito grande de actividades ligadas à prestação de serviços”.
Contudo, existem, nas palavras de Ricardo Medeiros, outras áreas de investimento com potencial nos Açores. Para o Director Regional, “podem ser desenvolvidas todas as actividades em que a dimensão não tem qualquer interferência, como as actividades ligadas às tecnologias de informação e comunicação, bem como a aposta na inovação e na investigação de novos produtos, ligados à biotecnologia, ao mar e ambiente”.
Além do Empreende Jovem, o executivo açoriano disponibiliza outros apoios para quem ambiciona ter o seu próprio negócio. “Para os jovens desempregados, existe o Programa de Apoio à Criação do Próprio Emprego, que é gerido pela Direcção Regional do Emprego e Qualificação Profissional”, refere.
Ricardo Medeiros diz também que a actual crise económica, em que o número de falências de empresas cresce de dia para dia, deve ser encarada “sobretudo como um desafio e uma oportunidade”, pois “o sucesso que tem sido o programa Empreende Jovem resulta, em parte, do facto de se estarem a registar taxas de desemprego significativas nas camadas mais jovens da população. Esta circunstância tem levado os jovens a repensar a sua estratégia de vida e a arriscarem no mundo dos negócios, em vez de apostarem num emprego por conta de outrem”. O membro do executivo açoriano traça ainda o perfil do empresário de sucesso que, “independentemente da sua idade, tem de ser destemido e empenhado, comprometido com o negócio e, sobretudo, tem de estar muito atento ao mercado, procurando de alguma forma antecipar os acontecimentos e as preferências dos seus clientes”.
Ricardo Medeiros acredita que a dinamização do empreendedorismo poderá vir a potenciar o crescimento económico dos Açores, visto que o “objectivo de se criar um sistema de incentivos ao investimento destinado a jovens empreendedores que venham a criar novas empresas na Região, tem por finalidade promover o rejuvenescimento do tecido económico regional e potenciar o aparecimento de novas actividades baseadas nas actuais tendências do mercado, como forma de melhorar a competitividade da economia açoriana, através da inovação e do conhecimento”.
Por fim, o Director Regional deixa alguns conselhos a quem pretende criar o seu próprio  negócio, alertando para que procedam a uma análise cuidadosa do modelo de negócio que pretendem implementar, “no sentido de terem um conhecimento completo do que pretendem realizar e quais as dificuldades que poderão surgir”, refere, sublinhando que  “não devem apenas entrar numa determinada actividade tendo por base apenas uma cópia de negócios que estão a ter sucesso no mesmo mercado, atendendo à reduzida dimensão do mercado regional”.