PSD/A acusa Vasco Cordeiro de “não se responsabilizar” por problemas no sector do leite

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O deputado do PSD/Açores, António Almeida, acusou ontem o Presidente do Governo Regional de “não se querer responsabilizar” pela actual situação no sector dos lacticínios, quando diz ser “inevitável” que a produção, a transformação e a comercialização “estão condenadas a entender-se”.

“Tudo isto acontece quando se sabe que o comportamento daquelas três partes decorre das decisões da política agroindustrial e dos apoios do executivo”, disse.

Segundo o social-democrata, “Vasco Cordeiro não pode ficar do lado de fora dos problemas, quando é o seu Governo a chegar-se à frente quando há uma boa notícia no sector do leite e lacticínios dos Açores”.

António Almeida considera que o Governo Regional “tem de ser o garante desse diálogo, mas não só”. “Vasco Cordeiro, ao reconhecer que é o Governo quem decide sobre os apoios públicos ao sector, acaba por admitir que os investimentos apoiados com verbas públicas não resultaram na melhoria do rendimento dos produtores e na devida valorização dos lacticínios dos Açores”, frisou.

O social-democrata entende que “Vasco Cordeiro não se pode desresponsabilizar, como fez”, lembrando que “o Governo que considera desadequada e impossível a fixação de preços de venda, é o mesmo Governo que subsidia o litro de leite - nas circunstâncias conhecidas -, e que aprova projectos de investimento dirigidos à transformação de leite em produtos de grande consumo e baixo preço”.

“Os produtores não são os culpados destas decisões da indústria e do Governo Regional”, refere António Almeida.

“Quem governa tem a obrigação de olhar o futuro e decidir antecipadamente, em tempo útil, para evitar as consequências a que hoje assistimos”, diz ainda o parlamentar, para quem a situação no sector do leite e lacticínios na Terceira “é apenas um exemplo, grave, da falta de diálogo e concertação”.

 

Governo reage

 

Em reacção às críticas do PSD/Açores, o Director Regional da Agricultura afirmou que a estratégia para o sector do leite “tem sido e continuará sempre” a ser definida em total articulação e proximidade com a produção e a indústria, lamentando os “ataques políticos” que prejudicam o sector e a fileira.

“Acusar o Governo Regional da actual situação do sector dos lacticínios é uma avaliação simplista, que não corresponde à verdade, por parte de quem aparentemente conhece o sector por dentro, mas prefere optar por ataques políticos descontextualizados e que prejudicam fortemente o diálogo e a estratégia que todos devemos ambicionar”, afirmou José Élio Ventura, que criticou a “crítica fácil”, em vez da “capacidade mobilizadora” do PSD. Para o director regional, é “essencial” que se perpetue o diálogo e a articulação de posições entre a produção, a indústria e a comercialização, de modo que o sector leiteiro nos Açores “fique mais forte e mais capaz de enfrentar os desafios”.

“Nenhuma das partes envolvidas nesta fileira se pode demitir das suas responsabilidades, porque todas dependem umas das outras para ter sucesso”, frisou, acrescentando que o Governo Regional tem sido e continuará a ser um participante activo da estratégia, como foi destacado na recente reunião do Conselho Regional da Agricultura, Florestas e Desenvolvimento Rural.