Falta de investimento público “gera pânico” na construção civil

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construção civilA AICOPA (Associação dos Industriais de Construção Civil e Obras Públicas dos Açores) acaba de chamar a atenção para “a situação dos concursos de empreitadas de obras públicas, em 2019, que está a caminhar de encontro a um rumo de clara insegurança”.

Em nota da sua Direcção, enviada ontem à tarde ao nosso jornal, a AICOPA diz que “tem vindo a acompanhar, como habitualmente, a evolução do sector da construção civil, chamando a atenção dos responsáveis para as possíveis ameaças e entraves a que o sector se sujeita”.

Terminado que está o primeiro quadrimestre de 2019, aquela associação apurou que, entre concursos públicos e ajustes directos, foram lançados um total de 58 milhões de euros de trabalho no sector da construção. 

“Estranhamente”, confrontando estes valores com os períodos homólogos de anos anteriores, comprova-se que o 1º quadrimestre de 2019 teve uma performance satisfatória, afirma a AICOPA.

E acrescenta: “No entanto, e como nota de ressalva, do valor dos concursos de empreitadas de obras públicas do 1º quadrimestre na ordem dos 58 milhões de euros, forçoso será esclarecer que parte significativa deste valor (45 milhões) corresponde a concursos lançados no ano anterior e primeiro quadrimestre de 2019 que não foram adjudicados a nenhuma entidade, pelo facto de nenhum concorrente ter apresentado uma proposta que se encaixasse no preço base do concurso. Na realidade, o valor dos concursos públicos de empreitadas de obras públicas lançados este ano perfaz apenas o montante de 13 milhões de euros de trabalho lançado na Região”.

Estando a par desta situação, a AICOPA expressa “a sua preocupação face à instabilidade do sector no decorrer do primeiro quadrimestre de 2019” e afirma que “a incerteza com que a construção convive actualmente na Região, influenciada por estes factores, gera um clima de instabilidade e inquietação entre os agentes do sector, abalando a sua confiança, e por conseguinte, colocando em causa a sustentabilidade das empresas”.

“Este cenário gera pânico para quem vive no sector da construção, sector este que ao longo dos anos tem sofrido o flagelo da recessão económica, onde os preços praticados já estão comprovadamente desajustados da realidade, aliado ao decréscimo de investimento público, vai culminar num desfecho desfavorável para a economia da construção e por conseguinte da RAA”, lê-se na nota.

E conclui: “A AICOPA sensibiliza as autoridades políticas da RAA para a necessidade de se tomar medidas eficazes de forma a mitigar a instabilidade instalada no sector”. 

 

Quedas na venda de cimento

 

As preocupações do sector da construção civil dos Açores estão reflectidas nas vendas de cimento na região, que costumam ser um indicador das obras.

Depois de um ano em queda, o primeiro trimestre deste ano não melhorou, já que foram vendidas 29.753 toneladas de cimento, quando no mesmo período do ano anterior, que já tinha sido mau, foram 32.587 toneladas.

Isto corresponde a uma queda de 8,7% nos últimos três meses e de menos 4,43% em relação aos últimos 12 meses.

o mês de Fevereiro voltou a bater o recorde deste ano em queda de vendas, com 9.180 toneladas vendidas (9.494 em Fevereiro do ano passado).