Air Açores cancelou no ano passado 658 voos e a Azores Airlines 212

sata air açores

As duas companhias da SATA cancelaram no ano passado 870 voos, sendo que 658 foram da Air Açores e 212 da Azores Airlines.

Na Air Açores, 396 dos voos cancelados foram devido ao mau tempo.

Comparado com as taxas de cancelamentos de companhias europeias, a SATA revela uma das taxas mais elevadas de cancelamentos.

No relatório e contas da companhia não é descrita a verba que a SATA paga aos passageiros em indemnizações, mas se cada passageiro reclamar indemnização, que é no mínimo de 400 euros, os valores serão bastante altos.

A agravar a degradação financeira da Azores Airlines está, também, a queda de receitas verificada no ano passado, apesar de ter aumentado no mercado interno (Portugal), de 56 para 64 milhões de euros.

Nas rotas dos EUA registou-se uma quebra nas receitas, de 38 para 32 milhões de euros (com menos 5% de voos e menos 14% de passageiros).

O mesmo aconteceu na rota do Canadá, que baixou de 28 para 19 milhões de euros (com menos 25% de voos e menos 32% de passageiros).

Na operação do resto da Europa aumentou de 10 para 11 milhões de euros.

Os contratos de locação dos A321 (rendas e alugueres) subiram de 10 para 17 milhões de euros, os fretamentos subiram de 11 para 18 milhões, e os maiores gastos verificaram-se nos custos com pessoal, no valor de 30 milhões de euros, e nos combustíveis, 41 milhões de euros.

 

Governo diz que os transportes estão melhores

 

A Secretária dos Transportes do Governo dos Açores definiu ontem como “inegável” que a mobilidade dos açorianos tenha evoluído nos últimos anos, mas a oposição critica as políticas do executivo nesta matéria. 

“Devemos viver em mundos paralelos. Dizer que este Governo não tem política para os transportes aéreos e marítimos é não estar neste planeta. (...) É inegável que a mobilidade dos açorianos está muito diferente do que era há 10 anos, há 15, até há cinco. Estamos no bom caminho”, frisou a Secretária Regional, Ana Cunha, falando no parlamento dos Açores, num debate a pedido do CDS-PP, sobre as acessibilidades na região.

Ana Cunha lembrou que recentemente esteve “oito horas na comissão de Economia” a falar dos mesmos temas que a trazem ao hemiciclo, mas os deputados, acusou, “não estão interessados em ouvir” as explicações do executivo.

O PS diz que nunca houve “tantos voos, tantas ligações de e para a região” e “tantos voos inter-ilhas”.

“Estes resultados são frutos do Governo dos Açores, do PS, que concretizou a maior reforma de sempre do modelo de acessibilidades de e para a região”, declarou o deputado socialista André Rodrigues, que valorizou ainda, como consequência destes dados, o aumento dos proveitos do turismo em todas as ilhas e o seu reflexo no “emprego e progresso económico”.

 

PSD: Vasco Cordeiro tem responsabilidades

 

Para o PSD, maior partido da oposição, a “avaliação muito negativa da situação neste setor é quase unânime apenas com duas excepções: O Governo Regional e o partido socialista”.

E prosseguiu o parlamentar social-democrata António Vasco Viveiros: “O que está em causa é a responsabilidade de quem nos governa e a sua falta de credibilidade para inverter esta situação”.

O Presidente do Governo Regional, Vasco Cordeiro, “tem responsabilidades directas” no caso da SATA “nos últimos 11 anos, dos quais sete anos nas actuais funções”, acrescentou ainda o deputado do PSD/Açores.

 

PPM: assumam as responsabilidades

 

O PPM, pelo deputado único do partido no hemiciclo açoriano, Paulo Estêvão, criticou o PS por “dizer que este problema não existe” e os açorianos e deputados “são todos uns ingratos” por “não reconhecerem os méritos” da governação socialista.

“Os senhores não assumem as vossas responsabilidades”, disse o deputado, dirigindo-se à bancada do executivo e do PS.

 

BE: os problemas adensam-se

 

À esquerda, o líder da bancada bloquista, António Lima, lembrou que, na SATA, trocam-se administrações mais rapidamente “do que se trocam treinadores em clubes de futebol, e com piores resultados”.

“São evidentes os motivos para este tema voltar a esta assembleia: os problemas sucedem-se e nada corre como devia”, prosseguiu o parlamentar do BE.

 

PCP: políticas erradas

 

Já o PCP advoga que as “políticas erradas” no setor dos transportes “não só não resolvem os graves problemas de acessibilidades e de mobilidade” como “os vão agravando”.

“Se há sector onde mais se faz sentir a política centralista do poder regional, esse é, sem dúvida, todo o setor dos transportes, designadamente os transportes aéreos e marítimos”, prosseguiu o deputado único dos comunistas no parlamento açoriano, João Paulo Corvelo.

 

CDS: novo paradigma para os transportes

 

O CDS, que agendou o debate, sublinhou que a “mobilidade dos açorianos e as acessibilidades da região são condição de liberdade, de progresso e de riqueza”, sendo necessário no arquipélago um “novo paradigma de políticas públicas de transportes”.

“Defendemos e afirmamos um novo paradigma de políticas públicas de transportes que contribuam para uma efectiva coesão social e económica das nossas ilhas e garantam um efectivo direito à mobilidade dos açorianos”, vincou o líder dos centristas açorianos, Artur Lima, no arranque do debate.

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