Partidos criticam má gestão no serviço regional de Saúde, mas Governo aponta melhorias

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O CDS-PP dos Açores levou a debate esta quinta-feira, no parlamento regional, o tema da Saúde, uma “prioridade” e um sector com “má gestão” e “muitos problemas”, com o executivo regional, socialista, a falar numa “evolução” ao longo dos últimos anos. 

“Esta falta de planeamento e investimento conduziu o Serviço Regional de Saúde a uma realidade preocupante. O envelhecimento do quadro de médicos especialistas (...) e a inexistência de novos clínicos em formação provocará, se nada for feito, daqui a quatro, cinco, seis anos, a incapacidade de funcionamento de várias valências do sistema e conduzirá a um inadmissível retrocesso nos cuidados de saúde da região”, disse o líder do CDS/Açores, Artur Lima, no debate parlamentar.

Para o centrista, os “sucessivos erros de gestão comprometem o Serviço Regional de Saúde”, que, por exemplo, “não foi capaz de evitar as longas e penosas listas de espera cirúrgicas” e tem falta de médicos especialistas.

“O maior hospital dos Açores [em Ponta Delgada] não tem especialista em dermatologia, e o da Terceira tem apenas um”, disse ainda, a título de exemplo.

 

PSD: Governo “esconde” dados de listas de espera

 

Do PSD/Açores, o líder parlamentar acusou o Governo Regional de “esconder” os dados sobre as listas de espera para cirurgia desde Maio de 2018, tendo exigido ao executivo que “deixe de ocultar” essa informação dos açorianos.

“O Governo Regional tem responsabilidades política na gestão das listas de espera para cirurgia, cujos dados esconde deste Maio do ano passado. Os açorianos continuam sem conhecer esses números”, referiu Luís Maurício, afirmando haver “incompetência” na gestão do problema das listas de espera para cirurgia.

Mónica Seidi, do mesmo partido, pediu por sua vez ao Governo Regional para “priorizar” as dívidas aos fornecedores dos hospitais da região, lembrando o “envelhecimento da população médica”, um “problema com que se depara o Serviço Regional de Saúde”, que tem também, por exemplo, “dificuldade em fixar médicos na região”.

 

BE fala em “subfinanciamento crónico” no sector da Saúde

 

Por sua vez, o deputado Paulo Mendes, do Bloco de Esquerda, acusou o Governo Regional de investir pouco no Serviço Regional de Saúde “propositadamente” como forma de “abrir novas e melhores oportunidades para os negócios privados no sector da saúde”. Para o bloquista, o PS escolheu o caminho do “subfinanciamento crónico” no sector da Saúde, criticando a “crescente promiscuidade entre o público e o privado”.

“De ano para ano deparamo-nos com previsões de investimento no Serviço Regional de Saúde claramente insuficientes e a situação agrava-se no que toca à execução desse mesmo investimento”, disse Paulo Mendes, acrescentando ainda que “as listas de espera para cirurgia, bem como para consultas, são também uma marca do desinvestimento na saúde”.

 

PCP: Sector necessita de “forte investimento”

 

Já para João Paulo Corvelo, do PCP, o serviço de saúde dos Açores “necessita urgentemente de um forte investimento em equipamentos e recursos humanos”, sendo que os “profissionais de saúde estão fragilizados em diversas questões graves e não são devidamente valorizados pela tutela”.

 

PPM: Medidas “regrediram” ao invés de melhorarem

 

O PPM, pelo deputado Paulo Estêvão, questionou Teresa Machado Luciano sobre o programa do executivo socialista, defendendo que algumas medidas preconizadas, ao invés de melhorarem, “até regrediram”, nomeadamente o desígnio de “aperfeiçoar a deslocação de médicos especialistas” ou as listas de espera.

 

PS: Nenhum problema urgente ficou sem solução

 

Já o PS, que detém maioria absoluta na Assembleia Legislativa dos Açores, admite as dificuldades no sector, mas garante que nenhum problema “urgente” ficou “sem solução ou resposta”. Segundo o socialista Dionísio Faria e Maia, houve uma “tentativa de arremesso, frequente nas campanhas eleitorais”, mas o importante, disse, é lembrar a contratualização em anos recentes de enfermeiros e médicos, sendo que é preciso entender que a “falta de recursos especializados” é um problema nacional e não regional.

 

Todos os utentes com médico de família em 2020, garante governo

 

Em resposta, a Secretária Regional da Saúde, Teresa Machado Luciano, afirmou que o Serviço Regional de Saúde (SRS) tem evoluído ao longo dos últimos anos e que a aposta do Governo Regional em aumentar “com qualidade” o nível de assistência à população “é inegável”.

A titular da pasta da Saúde apontou, como exemplo, que, “em oito anos, crescemos 11%, passando de 4.663 para 5.211 colaboradores, estando previsto até ao final do ano mais 197 efectivos do que em 2018”.

“Este crescimento é evidente na carreira médica, verificando-se um aumento de 16% desde 2012. Ao nível dos médicos dentistas na Região, verificou-se um aumento de 33% dos profissionais, comparativamente a 2012. Na carreira de enfermagem, verificou-se um aumento de 11%”, especificou.

Teresa Machado Luciano garantiu ainda que, “a partir de Novembro, 98,6% dos utentes vão ter médico de família” e que, com a conclusão da formação dos actuais internos, se alcançará “100% em 2020”, medida que assume um papel central na garantia dos cuidados primários.