Flores foi a ilha mais fustigada, ficando com o porto todo destruído

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A Protecção Civil levantou o estado de emergência no arquipélago dos Açores às 17 horas de ontem, que estava em rigor desde a noite de terça-feira.

A informação foi dada pelo Presidente do Serviço Regional de Proteção Civil e Bombeiros dos Açores, Coronel Carlos Neves, durante o ponto de situação feito, a partir da ilha da Terceira, na tarde de ontem. 

Apesar do “grande número de estragos, estragos consideráveis e alguns de difícil resolução”, Carlos Neves salientou que as autoridades, em colaboração com a população, conseguiram resolver a maioria das ocorrências com celeridade e sem se registar feridos.

Entre a noite de terça-feira e a tarde de quarta-feira, a Protecção Civil teve de lidar com 255 ocorrências que se encontram, neste momento, “todas resolvidas, à excepção de casos como o porto das Lajes das Flores, que ultrapassa estes meios”, revela o  Presidente do Serviço Regional de Protecção Civil e Bombeiros dos Açores.

 

Entre as várias ocorrências de diferentes ilhas ficaram desalojadas 53 pessoas que já foram, entretanto realojadas. 

Quanto às Lajes do Pico, por precaução foram retiradas cerca de 50 pessoas das suas habitações que, de acordo com Carlos Neves, devem regressar às suas casas em breve, após a situação ser avaliada.

Quanto às falhas de fornecimento de energia, o Coronel explica que todas as ilhas tiveram baixa de luz. “Nas ilhas de Santa Maria, São Miguel, Terceira, Corvo e Graciosa o fornecimento de energia eléctrica já está normalizado. Na ilha do Pico estão a ser reparadas as anomalias e a situação será normalizada até ao fim da tarde de hoje. Na ilha das Flores estão a trabalhar no fornecimento da energia da Fajã Grande e contam ter a situação normalizada ao final da tarde de hoje (ontem), assim como na ilha de São Jorge. Na ilha do Faial, as pequenas anomalias que se verificaram na alta tensão, já estão praticamente reparadas.

O período crítico do furacão Lorenzo está assim ultrapassado, mas influência vai manter-se durante mais umas horas.

O Presidente do Governo, num primeiro balanço, destacou o facto de a passagem do furacão Lorenzo não ter provocado vítimas, o que se deve ao sentido de responsabilidade com que cada açoriano encarou este fenómeno, mas também ao profissionalismo e dedicação de todos aqueles que estiveram envolvidos nesta operação.

“A segurança das pessoas foi o principal. O facto de, até este momento em que estou a falar, não haver vítimas a registar, deve-se, em primeiro lugar, à responsabilidade com que cada um dos Açorianos encarou este momento de provação”, afirmou Vasco Cordeiro na ilha das Flores, onde acompanhou a passagem do furacão durante a madrugada e manhã de quarta-feira.

Segundo disse, esse facto deve-se também ao “profissionalismo, à dedicação e ao empenho de todos aqueles que estiveram envolvidos na preparação e na fase mais crítica da passagem do furacão”, como foi o caso dos bombeiros voluntários, dos profissionais da Protecção Civil, dos funcionários da Administração Regional, das Forças Armadas e de Segurança, dos Rádio Amadores e dos profissionais da Comunicação Social, entre muitos outros.

“A todos eles se deve, em grande medida, o facto de não haver vítimas a registar. Há muito trabalho, há danos que se afiguram elevadíssimos, mas faremos o que os Açorianos fazem há cerca de 600 anos neste arquipélago – reconstruir e andar para a frente”, assegurou Vasco Cordeiro.

Falando no final da manhã, o Presidente do Governo referiu que, em relação às Flores, a destruição que se verificou no Porto das Lajes “põe em causa aspectos fundamentais, como o abastecimento à ilha das Flores”, além das situações de realojamentos que tiveram de ser feitos.

“No Faial, há situações com desalojados, que nos merecem preocupação. Assim que for possível, em termos de condições de segurança, avançaremos de imediato para a avaliação das condições destas habitações”, garantiu Vasco Cordeiro, ao sublinhar que, no caso do Pico, foi também necessário proceder a evacuações por precaução.

“Há um conjunto de áreas que, quando o tempo melhorar, vamos avaliar com maior exactidão para apurar a extensão dos danos. Vamos começar já a trabalhar para repor a normalidade das pessoas que viram as suas habitações afectadas por este mau tempo, assim como nas infraestruturas”, afirmou Vasco Cordeiro.