Movimento acusa AMISM de querer “ganhar tempo” até saída de Bolieiro

Resíduos

O movimento cívico Salvar a Ilha acusa os responsáveis da Associação de Municípios de São Miguel (AMISM) e da Musami de estarem a “ganhar tempo” ao não facultarem dados sobre a produção de resíduos prevista para 2025.

“Quatro dias após a reunião do Movimento Cívico ‘Salvar a Ilha’ com os responsáveis pela AMISM e Musami, o movimento enviou dois emails no sentido de obter dados relativos à produção de resíduos prevista para 2025, para poder elaborar uma proposta com vista a contribuir para a definição de um modelo sustentável de gestão de resíduos para a ilha de São Miguel”, começa por explicar o movimento, em comunicado, lamentando que, “até à data, as questões que colocou não tenham obtido qualquer resposta”.

O movimento “teme”, neste sentido,  que as duas entidades estejam “a ganhar tempo, até à saída de José Bolieiro da presidência da AMISM, que foi quem facilitou o encontro e a colaboração do movimento neste processo”.

O representante do movimento, Filipe Tavares, refere que a AMISM e a Musami estão, “há cerca de uma década, a projectar e a lançar concursos públicos para a construção de incineradoras”, lamentando que estas entidades, “para além de não acusarem a recepção da correspondência que recebem, tenham dificuldade em disponibilizar dados relativos à produção de resíduos prevista para 2025”. 

Filipe Tavares diz tratar-se de “informação básica e essencial” para que o movimento possa contribuir para a definição de um modelo de gestão sustentável de resíduos para a ilha de São Miguel.

Recorde-se que o autarca de Ponta Delgada, José Manuel Bolieiro, tornou público que irá suspender a sua actividade enquanto presidente de Câmara no dia 2 de Março, e consequentemente deixará de ser presidente da AMISM. “O Movimento considera que tal poderá afectar o contacto e a colaboração com a AMISM e MUSAMI e por esse motivo pede urgência na entrega dos dados solicitados, para que possa apresentar uma proposta em tempo útil e antes da saída de Bolieiro”.

Como medida cautelar, o movimento “Salvar a I lha” lançou, no início de Fevereiro, uma petição cujo o objectivo passa por garantir que, até à revisão e reavaliação global do PEPGRA, não serão tomadas decisões com potencial para subverter os princípios da hierarquia de gestão de resíduos no território dos Açores, bem como impedir o cumprimento das metas de reciclagem e a transição para uma “Economia Circular”, tal como é defendido nas directivas comunitárias.