Afinal deve-se ou não usar máscara? DGS: “A utilização de máscaras pela população é um acto de altruísmo”

máscaras coronavirusA dúvida vem surgindo há várias semanas, com informações desencontradas, quer de alguns especialistas, quer mesmo da Direcção Geral da Saúde (DGS).

A Organização Mundial de Saúde (OMS) também hesitou no início, mas agora já recomenda, apesar de explicar os contextos do uso.

Nos Açores, a Autoridade de Saúde não aconselha e na Madeira o Governo Regional distribuiu máscaras por toda a população.  

  A Ordem dos Médicos (OM) defende que os critérios para uso universal das máscaras de protecção individual pelos profissionais de saúde e pela população em geral devem ser revistos para melhor evitar a propagação da covid-19.  

 

DGS recomenda

 

Agora, a DGS acaba de divulgar uma norma sobre o uso de máscaras, que é do seguinte teor:

“A utilização de máscaras como medida complementar para limitar a transmissão de SARS-CoV-2 na comunidade, tem sido considerada de forma diferente pelos vários países e organizações internacionais.

De sublinhar que existem três tipos de máscaras: 1. Respiradores (Filtering Face Piece, FFP), um equipamento de protecção individual destinado aos profissionais de saúde, de acordo com a Norma 007/2020 da DGS; 2. Máscaras cirúrgicas, um dispositivo que previne a transmissão de agentes infecciosos das pessoas que utilizam a máscara para as restantes; 3. Máscaras não-cirúrgicas, comunitárias ou de uso social, dispositivos de diferentes materiais têxteis, destinados à população geral, não certificados. 

Na Europa, países como Reino Unido, Bélgica, Itália e Suécia privilegiam as medidas de distanciamento social, etiqueta respiratória e higiene das mãos, não recomendando o uso generalizado de máscaras na comunidade. 

Por outro lado, países como Espanha (Catalunha), Alemanha e França sugeriram, recentemente, o uso de máscaras caseiras ou a utilização pontual de máscaras em locais com múltiplas pessoas. 

Países como a Lituânia, Áustria, República Checa, Eslováquia e Bulgária recomendam o uso generalizado de máscaras na comunidade. 

A Direcção-Geral da Saúde (DGS) tem estado alinhada com as perspetivas europeias e as recomendações da Organização Mundial da covid-19.

 

Quem deve usar máscara

 

 Nesta fase da pandemia com transmissão comunitária activa, com necessidade de reduzir a taxa de crescimento de casos, de forma a maximizar a qualidade da resposta do sistema de saúde, diferindo no tempo a chegada de novos casos, a DGS através da Norma 007/202018 e Orientação 019/202019 recomendou a utilização de máscaras cirúrgicas a todos os profissionais de saúde, Informação nº 009/2020 de 13/04/2020, pessoas com sintomas respiratórios e pessoas que entrem e circulem em instituições de saúde. 

A referida Orientação 019/202019, define também que as pessoas mais vulneráveis, nomeadamente idosos (mais de 65 anos de idade), com doenças crónicas e estados de imunossupressão, devem usar máscaras cirúrgicas sempre que saiam de casa. 

A mesma Orientação, alargou a recomendação da utilização de máscara cirúrgica, e outros equipamentos de protecção individual, a elementos de alguns grupos profissionais, durante o exercício de determinadas funções, quando não é possível manter uma distância de segurança entre pessoas. 

Estão nesta situação profissionais das forças de segurança e militares, bombeiros, distribuidores de bens essenciais ao domicílio, trabalhadores nas instituições de solidariedade social, lares e rede de cuidados continuados integrados, agentes funerários e profissionais que façam atendimento ao público, onde não esteja garantido o distanciamento social. 

 

Máscara reduz detecção do vírus em aerossóis

 

Ora, estudos recentes mostram que as máscaras cirúrgicas podem reduzir a deteção de RNA de coronavírus em aerossóis, com uma tendência para redução em gotículas respiratórias, sugerindo que as máscaras cirúrgicas podem prevenir a transmissão de coronavírus para o ambiente, a partir de pessoas sintomáticas, assintomáticas ou pré-sintomáticas . 

E, sabe-se hoje que um indivíduo infectado é transmissor do vírus desde 2 dias antes do início de sintomas, sendo a carga viral elevada na fase precoce da doença, e diferentes estudos estimam várias e muito díspares percentagens de indivíduos assintomáticos com capacidade de transmitir a infecção . 

Acresce que não foram descritas diferenças significativas na carga viral entre casos assintomáticos e casos sintomáticos. 

A eficácia da utilização generalizada de máscaras pela comunidade na prevenção da infecção não está provada. Mas, perante a emergência de uma doença nova, a evidência vai evoluindo a cada momento e é afirmada num modelo colaborativo de experiências, antes do surgimento de evidência científica de maior rigor .

 Assim, aplicando-se o Princípio da Precaução em Saúde Pública, é de considerar o uso de máscaras por todas as pessoas que permaneçam em espaços interiores fechados com múltiplas pessoas, como medida de protecção adicional ao distanciamento social, à higiene das mãos e à etiqueta respiratória. 

 

Utilização é um acto de altruísmo

 

Deve ser lembrado que a utilização de máscaras pela população implica o conhecimento e domínio das técnicas de colocação, uso e remoção, e que a sua utilização não pode, de forma alguma, conduzir à negligência de medidas fundamentais como o distanciamento social e a higiene das mãos.

 A utilização de máscaras pela população é um ato de altruísmo, já que quem a utiliza não fica mais protegido, contribuindo, isso sim, para a protecção das outras pessoas, quando utilizada como medida de protecção adicional. 

É também importante atender à posição da OMS e ECDC que continuam a alertar para a necessidade do uso da máscara pela população não diminuir a sustentabilidade de acesso a máscaras pelos doentes e profissionais de saúde, que constituem os grupos prioritários para o uso de máscaras cirúrgicas.

 Assim, em linha com as recomendações da OMS e ECDC, a DGS informa que: 1. De acordo com o Princípio da Precaução em Saúde Pública, e face à ausência de efeitos adversos associados ao uso de máscara, deve ser considerada a utilização de máscaras por qualquer pessoa em espaços interiores fechados com múltiplas pessoas (supermercados, farmácias, lojas ou estabelecimentos comerciais, transportes públicos, etc). 2. O uso de máscaras na comunidade constitui uma medida adicional de protecção, pelo que não dispensa a adesão às regras de distanciamento social, de etiqueta respiratória, de higiene das mãos e a utilização de barreiras físicas, tendo que ser garantida a sua utilização adequada. 3. Segundo o ECDC, não existe evidência científica directa que permita emitir uma recomendação a favor ou contra a utilização de máscaras não cirúrgicas ou comunitárias, pela população. 

Assim, por forma a garantir a priorização adequada da utilização de máscaras cirúrgicas, as máscaras não cirúrgicas (comunitárias ou de uso social) podem ser consideradas para uso comunitário nas situações aqui identificadas . 4. A DGS e o INFARMED, em conjunto com a ASAE, o IPQ e o CITEVE e diversos peritos estão a concluir a definição das especificações técnicas das máscaras não cirúrgicas, comunitárias ou de uso solidário, e os seus mecanismos de certificação”.  

 

Covid-19 dez vezes mais mortal do que a gripe

 

O director-geral da Organização Mundial de Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, alertou que a Covid-19 é dez vezes mais mortal do que a pandemia de gripe (suína) de 2009 e pediu precaução aos países que querem aliviar restrições. 

“Sabemos que a covid-19 se espalha rapidamente e que é mortal, dez vezes mais mortal do que a gripe de 2009”, alertou numa conferência de imprensa online a partir da sede da organização, em Genebra.

Tedros Adhanom Ghebreyesus disse que as medidas de restrições que estão actualmente impostas pelos Governos de cada país devem ser levantas “lentamente”.

 “Ainda que a covid-19 acelere de forma muito rápida, a doença desacelera de uma forma mais lenta”, referiu.

O director-geral da OMS acredita que as restrições só devem ser relaxadas quando a transmissão do vírus estiver controlada, quando os sistemas nacionais de saúde tiver capacidade de detectar, testar, isolar e tratar novos casos, que os riscos de contágio estejam minimizados, e que sejam implementadas medidas preventivas nos locais de trabalho, escolas, e outros locais com concentração de pessoas.