Açores registam dois óbitos no sétimo dia sem novos casos positivos de Covid-19

1111tiago lopes - 29 abril

Pelo sétimo dia consecutivo, os Açores não registaram qualquer caso positivo de Covid-19, resultante das 406 análises realizadas nos dois laboratórios de referência da Região nas últimas 24 horas, sendo que estes dados ainda não reflectem os resultados à terceira ronde de testes realizada a utentes funcionários do Lar do Nordeste, como confirmou ontem Tiago Lopes, o Director Regional de Saúde.

Ainda assim, há a registar a ocorrência de dois óbitos. Um diz respeito a uma utente de 86 anos de idade internada no Hospital do Divino Espírito Santo, de Ponta Delgada, e proveniente do Lar da Santa Casa da Misericórdia do Nordeste, o outro óbito refere-se a um utente de 56 anos, do concelho de Ponta Delgada, também internado no Hospital de Ponta Delgada e em cuidados paliativos instituídos, mas que no âmbito do seu internamento foi infectado por via da cadeia de transmissão secundária verificada no Hospital do Divino Espírito Santo.

Com estes dois óbitos, eleva para 13 o número de mortos na Região por covid-19.

Registaram-se também três casos de recuperação de infecção por SARS-CoV-2, nomeadamente de dois indivíduos do sexo masculino, de 28 e 40 anos de idade, e de um indivíduo do sexo feminino, de 29 anos de idade, todos residentes na ilha de São Miguel. Uma destas recuperações diz respeito a um jovem do concelho da Ribeira Grande que se torna assim no primeiro caso de recuperação neste concelho da zona norte de São Miguel. Com estas recuperações, a ilha de São Miguel passa a ter mais recuperados do que casos activos.

Assim, até ao momento, já foi detectado na Região um total de 138 casos, verificando-se 40 recuperados (26 de São Miguel, 8 da Terceira, 1 do Pico e 5 de São Jorge), 13 óbitos com uma média de idades de 84 anos e quase todos do sexo feminino, com excepção de um (todos de São Miguel, sendo que 9 são do Lar do Nordeste, 1 da Povoação e 3 de Ponta Delgada) e 85 casos positivos activos para infecção pelo novo coronavírus SARS-CoV-2, que causa a doença Covid-19, sendo 61 em São Miguel, três na ilha Terceira, cinco na Graciosa, dois em São Jorge, nove no Pico e cinco no Faial.

Às 16h00 de ontem, existiam 768 pessoas a aguardar colheita ou resultado de análises laboratoriais e 2052 vigilâncias activas.

Ao nível dos internamentos, Tiago Lopes revelou que se encontram 30 utentes internados, 13 no Hospital do Divino Espírito Santo em Ponta Delgada, 4 no Hospital de Santo Espírito, na ilha Terceira, com um utente em cuidados intensivos, 1 no Hospital da Horta, ilha do Faial e 12 no Centro de Saúde do Nordeste, na enfermaria Covid criada para o efeito. Em contexto domiciliário encontram-se 55 utentes (2 na ilha Terceira, 4 no Faial, 3 na Graciosa, 9 no Pico, 1 em São Jorge e 36 em São Miguel).

 

Retoma da actividade “regrada”

 

À semelhança do já decretado a nível nacional em que não serão permitidas deslocações entre concelhos no território continental no próximo fim-de-semana prolongado de 1 a 3 de Maio, o responsável pela Autoridade de Saúde Regional avança que se trata de um cenário que está a ser avaliado, adiantando que será uma decisão que “tem que ser consertada e articulada”, tendo por base o facto de que “a evolução do surto tem sido mais favorável e, portanto, temos que atender a essa própria evolução e ao que são as nossas perspectivas e cenários futuros, num curto espaço de tempo, atendendo a tudo aquilo que já foi comunicado no que diz respeito à continuidade ou não do estado de emergência e das medidas mais restritivas que têm sido implementadas na Região”.

Quanto à retoma da actividade empresarial e da possibilidade de alguns empresários estarem a anunciar o regresso à actividade nos Açores, Tiago Lopes deu conta que se trata de uma situação que está a ser acompanhada de modo a que não existam “interpretações erróneas ou excessivas daquilo que foi comunicado” pelo Presidente da República.

De acordo com este responsável, trata-se de um trabalho que está a ser feito em conjunto com as forças de segurança uma vez que, enquanto não for levantado o estado de emergência, são estas forças as responsáveis pela sua implementação e manutenção. Neste sentido, o responsável pela Autoridade de Saúde Regional, avançou que “estas situações que vão sendo detectadas” são corrigidas pontualmente, “no sentido de melhor elucidar e esclarecer os diferentes responsáveis ao nível do comércio local e da própria população em geral sobre aquilo que irá ocorrer ao longo dos próximos dias”.

Tiago Lopes diz entender a existência de alguma “ansiedade” por parte dos empresários e da população em quererem voltar ao activo, mas alerta que “apesar de todas as medidas que estão a ser implementadas e que possam ser aliviadas nos próximos dias”, é necessário haver “cautela porque não se pode dizer de forma peremptória que o surto está controlado”. O Director Regional da Saúde relembra que as medidas de precaução e prevenção básicas como o distanciamento social, as regras de etiqueta respiratória, lavagem frequente das mãos ou o uso de máscaras serão para manter. Como explicou, “este dito regresso à normalidade vai exigir de todos nós um novo contrato social e a manutenção de uma actividade mais regrada que não será a normal a que estávamos habituados, mas será uma fase de adaptação nos mais diversos sectores, seja o turismo, transportes, saúde ou a educação, sem nunca descurarmos a possibilidade da ocorrência de um novo foco infeccioso e sejamos surpreendidos por descurarmos em demasia algumas destas medidas”.

 

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