Aprovadas recomendações do PS para adopção de medidas para agricultura, mas rejeitadas as do PSD

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A proposta do grupo parlamentar do PS, que recomenda ao Governo dos Açores a adopção de medidas excepcionais em defesa do sector agrícola da Região, foi ontem aprovada no parlamento regional. 

As medidas passam “pelo reforço dos mecanismos de auscultação permanente dos parceiros do sector, de modo a acompanhar com proximidade a evolução do mesmo na actual situação de crise e no contexto particular de cada uma das ilhas”, refere o partido.

O Projecto de Resolução ontem aprovado aponta a necessidade de se recomendar “ao Governo da República que diligencie junto da Comissão Europeia pela antecipação dos pagamentos das ajudas no âmbito do POSEI e do ProRural+, e a criação de medidas concretas de apoio ao rendimento dos produtores das fileiras mais afectadas pela pandemia COVID-19”, explicou o deputado socialista António Toste Parreira.

O GPPS/A recomenda, também, ao Governo Regional “que avalie a criação de mecanismos de apoio aos diversos intervenientes do sector, e que estabeleça contactos e parcerias com a grande distribuição, com vista a reforçar a visibilidade e notoriedade dos produtos açorianos junto do mercado nacional e aumentar o comércio e penetração dos mesmos”, esclareceu António Toste Parreira.

No plenário, a deputada socialista Mónica Rocha manifestou, por sua vez, preocupação com a actual situação do setor leiteiro, condenando neste processo “a falta de diálogo e de solidariedade entre a indústria e os agricultores de São Miguel, Terceira e Graciosa, e a imposição de penalizações assentes em flutuações de mercado pontuais”.

A deputada adiantou, porém, que “acreditamos que os níveis de consumo do leite estabilizarão e aguardamos com expectativa que assim que aconteça a indústria seja igualmente lesta na reposição do preço do leite”.

 

Chumbadas medidas para a 

agricultura propostas pelo PSD

 

Antes de aprovadas as recomendações do PS, já as recomendações do PSD para uma “intervenção emergente” na agricultura dos Açores haviam sido rejeitadas pelo parlamento, no plenário de ontem.

Face ao chumbo da proposta, o deputado social democrata António Almeida considerou que o Governo Regional “não quer reconhecer o problema real que o sector agrícola atravessa no arquipélago”, criticando “uma passividade da tutela que não podemos aceitar”, referiu.

A proposta apresentava “13 recomendações, contendo medidas para todas as ilhas dos Açores, resultantes do diálogo directo com os produtores, tendo aplicação aos sectores do leite, dos bovinos para produção de carne, aos horticultores, aos fruticultores, aos floricultores, aos apicultores e aos produtores florestais”, explicou.

“É necessária uma intervenção emergente na agricultura dos Açores”, referiu António Almeida, sublinhando que os profissionais do sector “se mantêm activos, produzindo na incerteza das vendas e dos preços, mas ao lado das suas famílias e da economia regional”.

O parlamentar frisou que o PSD/Açores percebeu, desde logo, “que a pandemia da Covid-19 teria impactos no rendimento dos agricultores e na competitividade das agroindústrias da Região, face ao comportamento dos mercados”, avançou. 

“Apesar dos nossos avisos, espantou-nos a passividade do senhor Secretário da Agricultura e Florestas, que insistiu em não antecipar qualquer intervenção no leite e na carne”, face a uma situação de pandemia “onde houve um aumento das produções agrícolas, pecuárias e florestais, sem o proporcional aumento do rendimento disponível das explorações”, disse o social democrata.