Açores lideram pelotão das maiores desigualdades de rendimento

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coeficiente gini

Em 2018, o coeficiente de Gini do rendimento bruto declarado deduzido do IRS liquidado por sujeito passivo era de 26,5% em Portugal, evidenciando uma ligeira redução na desigualdade da distribuição do rendimento face a 2017 (26,7%), segundo um estudo do INE divulgado ontem.

O Coeficiente de Gini é um indicador de desigualdade na distribuição do rendimento que visa sintetizar num único valor a assimetria dessa distribuição. 

Assume valores entre 0 (quando todos os sujeitos passivos têm igual rendimento) e 100 (quando todo o rendimento se encontra num único sujeito passivo).

 

Açores encabeça pelotão 

das desigualdades

 

A Região Autónoma dos Açores (27,9%), a Área Metropolitana de Lisboa (27,7%), e as sub-regiões contíguas do Alto Tâmega (27,4%), do Douro (27,3%) e de Terras de Trás-os-Montes (26,8%) apresentaram coeficientes de Gini superiores ao valor nacional sugerindo uma maior desigualdade na distribuição do rendimento. 

Por outro lado, o Ave (22,5%) apresentou o menor nível de concentração do rendimento entre as 25 sub-regiões NUTS III do país. 

 

Os municípios açorianos 

com mais desigualdade

 

A análise do padrão territorial do coeficiente de Gini permite destacar, com valores superiores à referência nacional, os municípios das regiões autónomas dos Açores (Vila do Porto, Lagoa, Vila Franca do Campo, Ponta Delgada, Povoação, Ribeira Grande, Angra do Heroísmo, Nordeste e São Roque do Pico) e da Madeira (Calheta, Funchal e Ponta do Sol), do Douro (Lamego, Vila Real, Murça, Tabuaço e São João da Pesqueira), das áreas metropolitanas do Porto (Porto, Espinho, Póvoa de Varzim e Matosinhos) e de Lisboa (Lisboa, Cascais, Alcochete e Oeiras), do Alto Tâmega (Chaves, Montalegre e Valpaços) e de Terras de Trás-os-Montes (Macedo de Cavaleiros, Alfândega da Fé e Vila Flor).

 

Vila do Porto no pelotão dos três maiores

 

Neste contexto destacavam-se os municípios Vila do Porto (34,1%), Lisboa (32,3%) e Porto (30,8%), únicos municípios do país com resultados neste indicador de desigualdade superiores a 30%.

Nas restantes sub-regiões NUTS III sobressaiam, com níveis de concentração do rendimento superiores ao valor nacional, os municípios de Caminha (Alto Minho), Resende (Tâmega e Sousa), Murtosa (Região de Aveiro), Coimbra (Região de Coimbra) e, ainda os municípios de Loulé e Tavira no Algarve.

Os municípios com os menores níveis de desigualdade de rendimento situavam-se sobretudo no Interior das regiões Centro e Alentejo, tendo o município do Alandroal (18,8%) registado o menor coeficiente de Gini do país. 

O Alto Tâmega, apesar de ter registado um dos valores mais elevados do coeficiente de Gini (27,4%) entre as NUTS III do país, foi a sub-região com menor amplitude do coeficiente de Gini entre municípios: o menor valor foi registado em Boticas (25,8%) e o maior em Chaves (27,8%). 

Em 2018, dos 37 municípios com coeficientes de Gini superiores ao valor nacional, 10 registaram também valores medianos de rendimento bruto declarado deduzido do IRS liquidado por sujeito passivo superiores à referência nacional: Lisboa, Porto, Cascais, Ponta Delgada, Alcochete, Oeiras, Angra do Heroísmo, Coimbra, Funchal e Matosinhos. 

O padrão mais comum na leitura conjunta destes dois indicadores evidencia 208 municípios com coeficientes de Gini e valores medianos do rendimento simultaneamente abaixo do valor do país, segundo conclui o estudo do INE.