Director de Vendas da TAP para os EUA: “A rota Boston-Ponta Delgada é para manter e até pode ser reforçada”

tap3

A TAP Portugal iniciou no passado dia 20 de julho a nova rota entre Boston e Ponta Delgada, uma operação que em princípio compreende três voos semanais, às segundas, sextas e sábados, utilizando um moderno aparelho Airbus A321LR, que disponibiliza aos passageiros os mais avançados níveis de conforto a bordo, com a oferta de lugares em classe Business, Economy ou EconomyXtra.

Boston-Ponta Delgada é uma das rotas estratégicas que vêm reforçar o crescimento da TAP no Atlântico Norte e surge num momento em que a companhia não desiste de lançar o futuro.

Esta nova rota de três voos semanais, tal como o nosso jornal anunciou, tem partidas do aeroporto Logan às 10:30 da noite e chegada a Ponta Delgada às 7:25 da manhã do dia seguinte. 

No sentido contrário, o Airbus A321LR da TAP parte de Ponta Delgada às 3:40 da tarde chegando a Boston às 5:20 da tarde, hora local.

Carlos Paneiro, 55 anos, diretor de vendas da TAP Portugal para a América do Norte e Central, cargo que assume desde 2016, licenciado em Organização e Gestão de Empresas e há 32 anos ao serviço da transportadora aérea portuguesa, passando por várias áreas da empresa, assume a importância deste mercado norte-americano para a companhia e para o turismo português em geral.

“Em 2016 a TAP introduziu um plano de expansão para a América do Norte, o reconhecimento de que este era um mercado importante nesse sentido, não só como destino final mas também como ponto de ligação com outros destinos da Europa e África e nessa altura recomeçámos a voar de JFK em New York e de Boston - neste caso tratou-se de uma operação que havia sido interrompida há vários anos - em 2017 lançámos Toronto-Lisboa e em 2019 introduzimos novas rotas nos EUA: Chicago, San Francisco e Washington DC, operações que estavam a decorrer muito bem... referimos até na altura que as nossas intenções de expansão neste mercado não ficariam por aqui, pois tinhamos a ambição de voltar a Montreal, Canadá, e ainda de ligar os Estados Unidos aos Açores, pois a comunidade açoriana, quer nos EUA quer no Canadá é vasta e assim iniciarmos voos a partir de Boston e de Toronto”, começa por dizer ao ao nosso jornal Carlos Paneiro, em entrevista via telefone.

A pandemia do Covid-19 veio no entanto alterar tudo ou pelo menos suspender temporariamente esses planos e afetar gravemente toda esta indústria aérea.

“Esta situação de crise obrigou-nos a suspender em abril e maio várias operações para a América do Norte, nomeadamente Chicago, San Francisco e Washington, DC, e só no passado mês de junho é que retomámos a operação com Newark, NJ e neste mês de julho com a operação Boston-Lisboa e Miami-Lisboa”, refere o diretor de vendas para a América do Norte e Central.

O início da rota BOS-PDL no passado dia 20 de julho surpreendeu os mais

cépticos atendendo ao facto de que este mercado fortemente abalado e com muitas restrições impostas pela situação de pandemia global, não permite grandes aventuras.

“A questão da rota Boston-Ponta Delgada, devo dizer que pode até surpreender o facto de estarmos a iniciar rotas, uma vez que não há muitas companhias aéreas a iniciar rotas, mas também temos que perceber qual o contexto em que estamos a falar: sabemos que com esta pandemia há efetivamente sectores mais afetados do que outros, nomeadamente o dos negócios, mas espera-se que o turismo de lazer possa recuperar mais rapidamente mas não ainda ao nível do que se verificava em 2019, havendo quem diga que só lá para 2023 possa atingir os números do ano passado...

Ora temos que equacionar que aqueles passageiros que viajam para visitar familiares e amigos, o chamado segmento étnico, é aquele que pode reiniciar estas ligações mais rapidamente. E é por isso que estamos neste momento a colocar esta rota que se dirige essencialmente à comunidade açoriana da Nova Inglaterra e faz todo o sentido manter os planos iniciais pelo que concretizámos na segunda-feira, dia 20 de julho com o primeiro de três voos semanais (segundas, sextas e sábados, com partida de Boston às 10:30 da noite e chegada a Ponta Delgada a 7:25 da manhã do dia seguinte) operados com um dos nossos novos aviões Airbus A321 Long Range, com capacidade para 168 lugares, 16 deles em classe executiva”.

As restrições impostas nas fronteiras entre UE e EUA afeta os planos da TAP nesta operação para a América do Norte. “Obviamente que isso limita muito a quantidade de tráfego disponível para viajar e não nos resta outra alternativa senão adaptar estas rotas em função da procura que existe”, salienta Carlos Paneiro adiantando que todos os cidadãos portugueses e luso-americanos com passaporte português podem viajar para Portugal.

Sobre a possibilidade desta operação entre Boston e Ponta Delgada ser suspensa, como alguma imprensa açoriana terá alvitrado, Carlos Paneiro negou peremptoriamente essa possibilidade, para já.

“Isso não é verdade. Nós já efetuámos quatro voos de Boston para Ponta Delgada (dias 20, 24, 25 e 27) e temos tudo planeado para os meses de agosto e setembro, para já, mas também devo dizer que estamos atualmente a viver um momento de tal incerteza a nível global que nada nos garante certezas para o futuro e que nenhuma rota qualquer não possa vir a ser suspensa, mediante até o eventual encerramento de fronteiras entre vários países e que perante tal cenário nada podemos fazer”, esclarece Paneiro, sublinhando que a única rota que teve de ser suspensa foi a de Toronto-PDL, por muito baixa procura, mas havendo condições de rentabilidade a operação com esta cidade canadiana avançará.

Um dos programas lançados pela TAP em 2016 é o “Portugal Stopover”, que tem sido bem sucedido.

“É um programa que permite aos nossos clientes combinarem dois destinos pelo preço de um.

Por exemplo: o passageiro pode combinar o destino Açores com o destino Portugal Continental, ou seja, pode viajar Boston-Ponta Delgada, permanecer até cinco dias nesta cidade açoriana e depois faz Ponta Delgada-Lisboa e no regresso o passageiro pode viajar entre Lisboa e Boston”.

 

Possibilidade de reforçar rota 

de Ponta Delgada

 

Entretanto, a TAP continua a operar a rota Boston-Lisboa e reiniciou no passado dia 25 de julho a ligação com a cidade do Porto, através de Newark (neste caso um voo semanal), com ambas as operações a serem utilizadas com o Airbus A321LR.

Relativamente às outras rotas que foram entretanto suspensas devido à pandemia e restrições das autoridades, sabe-se que a operação para Washington DC será retomada no próximo mês de agosto, com dois voos semanais, passando a três voos semanais a partir de setembro. Aguarda-se contudo as que as outras rotas para JFK New York, O’Hare Chicago e San Francisco, possam ser retomadas ainda este ano.

Sabe-se que a TAP irá retomar 66 rotas em agosto e 76 em setembro. Só para a América do Norte serão 30 voos em oito rotas.

“A reabertura destas rotas vai depender do que irá acontecer relativamente à atual situação de pandemia, e estamos na expetativa de que talvez lá para setembro possamos reiniciar as ligações entre Portugal e estas três grandes cidades norte-americanas”, diz Carlos Paneiro, adiantando que a própria operação entre Boston e Ponta Delgada poderá eventualmente ser reforçada com mais voos semanais, como estava inicialmente previsto (5 por semana) antes do surgimento deste surto.

“Iremos reforçar a operação para Ponta Delgada quando a situação de crise de saúde melhorar e o mercado assim o justificar, mas estou convencido que futuramente será reforçada com mais voos, até porque o destino Açores é muito apetecível não apenas para os lusodescendentes mas também para os norte-americanos”, sublinha Paneiro reconhecendo no entanto não ser fácil manter agora 3 voos semanais para a região, num momento particularmente difícil.

 

Processos de reembolso

 

Outra das questões abordadas na nossa conversa com o diretor de vendas da TAP para as Américas, é a situação dos passageiros que tinham passagens marcadas, que foram entretanto canceladas e ainda não foram reembolsados.

“É verdade que têm-se registado atrasos no processo de reembolso aos passageiros, porque a quantidade de reembolsos é enorme e para complicar ainda mais temos um elevado número de lay-offs, o que atrasa o processo, mas posso garantir que neste momento a TAP faz um esforço enorme para reembolsar os passageiros de uma forma sequencial e ficará tudo resolvido”.

A atual situação de incerteza que se vive tem permitido à TAP manter flexibilidade de opções.

“Sabemos que estamos a atravessar momentos de incerteza, não apenas para nós como também para os clientes, que ao reservarem connosco as suas passagens podem ter de adiar, antecipar ou até cancelar, dependendo da evolução ou não da atual situação e então implementámos uma medida que facilita a vida aos nossos clientes: o passageiro que comprar até 31 de agosto uma passagem até 31 de outubro, poderá fazer uma alteração gratuita de datas mediante certas condições”, sublinha, fazendo questão de reforçar a importância do papel do agente de viagens, mesmo nos tempos atuais em que grande parte da clientela utiliza o site da firma para a reserva de passagens. “O agente de viagens tem para nós papel importante porque dispõe de um vasto conhecimento do ramo canalizando isso em benefício do cliente ao proporcionar melhores condições para viajar e certamente continuamos a trabalhar com os agentes de viagens, nomeadamente os do nosso mercado étnico”, conclui Carlos Paneiro, director de vendas da TAP para a América do Norte e Central.

 

Por Francisco Resendes

Exclusivo Portuguese Times/Diário dos Açores