José Manuel Bolieiro quer “alternativas à nova localização da Arrisca”

Bolieiro2O presidente da Câmara Municipal de Ponta Delgada afirmou, sexta-feira, em conferência de imprensa, estar “muito preocupado com a instalação do programa de substituição opiácea no centro histórico de Ponta Delgada”.
Segundo nota de imprensa emitida pela autarquia, numa declaração que disse não ser de denúncia mas, antes, de “manifestação total” para cooperar para encontrar uma solução alternativa, José Manuel Bolieiro mostrou receio de “que uma boa política de apoio social possa vir a ser muito prejudicada por esta opção para a nova localização da associação Arrisca” que, em menos de um mês, vai passar da Rua dos Capas para a Rua do Aljube, no coração da cidade.
“Esta não é uma boa opção para o centro histórico de Ponta Delgada porque vai aumentar o sentimento de insegurança nesta zona da nossa cidade, é uma má opção para os comerciantes desta área e é, acima de tudo, uma má opção para todos quantos, infelizmente, precisam de recorrer a esse programa uma vez que não assegura confidencialidade nem tranquilidade aos próprios”, justificou o presidente.
O autarca considera “importantíssimo” encontrar uma solução alternativa para a instalação desse serviço e anunciou que, como presidente da Câmara, “estou disponível para reunir não só com a própria associação Arrisca, como também com o Governo Regional para, em conjunto, encontrarmos uma boa solução que satisfaça os pontadelgadenses e os utentes da Arrisca para uma nova localização”.
Neste aspecto, avançou que, antes do encontro com os jornalistas, já fez um primeiro contacto com a Arrisca e com o Governo, através do IDSA, “porque a Câmara de Ponta Delgada não foi informada desta situação que nos apanhou de surpresa”.
“Não percebo por que não fomos (Câmara Municipal de Ponta Delgada) contactados e que não tenha sido feito um esforço para encontrar essa boa localização”, disse a respeito, salientando que se a autarquia tivesse sido informada se teria disponibilizado, desde logo, para encontrar uma solução diferente daquele que foi veiculada através da imprensa local.
A título alternativo, o presidente questionou “por que não é cedido o espaço que foi construído propositadamente pelo Governo nos terrenos na Casa de Saúde de S. Miguel para o programa de substituição opiácea?”, e se “não seria mais fácil, com benefícios para ambas as entidades, que esse edifício, que agora está sem utilização, fosse cedido à Arrisca para que pudesse continuar a ter a utilização para a qual foi criado?”.
O autarca de Ponta Delgada quis deixar muito claro que a sua posição “não é contra os utentes e muito menos contra esse serviço”. O que está em causa para o autarca é que o tratamento possa ser feito “com maior dignidade”, o que, em seu entender, não acontecerá se os serviços da Arrisca forem localizados no centro histórico da cidade”.
Nestes casos, disse ter conhecimento de cidades do país onde foram tomadas opções semelhantes, em que os resultados não correram como inicialmente previsto, “nem para as cidades, nem para o comércio tradicional dessas cidades e, pior ainda, para quem recorre a estes programas”.
Sustentou, ainda, a posição da Câmara pelas próprias opiniões que lhe foram sendo dadas e até pelo contacto com alguns utentes da própria Arrisca, que “preferem que seja encontrado um local menos exposto ao público”.
O autarca de Ponta Delgada esclareceu, assim, que não se trata de afastar da cidade às pessoas que estão sob o programa. “Trata-se, isso sim, repito, de assegurar que o tratamento é feito com a necessidade de reserva da vida privada das pessoas que precisam dos tratamentos e para evitar que aconteça aqui o que aconteceu em outras cidades do país em que mudanças mal calculadas acabaram por introduzir grande instabilidade nos tratamentos”.
José Manuel Bolieiro especificou que a posição da autarquia “é clara, quanto à preocupação manifestada, quanto à disponibilidade total para cooperar e encontrar uma alternativa”, e “acompanhar o desenvolver da situação para minimizar impactos negativos enquanto não se encontrar outra opção”.
Por isso, José Manuel Bolieiro aponta para uma conjugação de esforços até porque disse ter razões para acreditar que o contrato para a nova localização possa ser denunciado.
José Manuel Bolieiro referiu que a sua grande preocupação é a de reabilitar o centro histórico para uma vivência harmonizadora, pacífica e atractiva e, portanto, tudo isto tem de ser conjugado com este tipo de iniciativas. â