Moda do “Crowdfunding” já chegou aos Açores

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notas“Crowdfunding” ou financiamento colectivo é uma forma inovadora de conseguir financiar um projecto, através da internet.
Normalmente, os pedidos de financiamento são de baixo valor e costuma haver uma recompensa pelos contributos, que podem ser um simples cartão de agradecimento, uma ‘t-shirt’ ou mesmo, por exemplo, uma viagem e estadia.
O “crowdfunding” começou a ser aplicado nos EUA, sendo o caso do designer Scott Wilson o mais conhecido. O antigo director criativo da Nike pediu 15 mil dólares para fabricar um relógio de pulso e conseguiu arrecadar 942 mil dólares provenientes de mais de 13 mil internautas.
Nos últimos treze anos, o “crowdfunding” tornou-se um modelo de financiamento muito popular entre os empreendedores culturais e, desde o lançamento da ArtistShare, a plataforma digital pioneira nesta área, os casos de sucesso de projectos artísticos concretizados graças ao investimento colectivo e concertado de anónimos sucedem-se.
Nos Açores, a “moda” também já chegou e promete não parar. São muitos os projectos açorianos que têm surgido em diversos sites à espera de contributos dos internautas. Desde projectos culturais a projectos científicos. O projecto “Walk&Talk Azores” é um exemplo que recorreu  a patrocínios culturais através da internet, tendo lançado até quinta-feira passada uma campanha de “crowdfunding”. Os donativos começaram, neste caso, nos dez euros e os grandes mecenas da arte pública, pessoas com donativos superiores a 500 euros, poderão ver o seu nome desenhado por um artista num grande mural ou serem convidados de honra, com oferta de viagem e estadia em São Miguel, durante o festival.
O “Walk&Talk” conta desde a sua primeira edição com o patrocínio do Governo Regional e com o apoio de inúmeros parceiros públicos e privados. Este ano o Grupo Nabeiro tornou-se o primeiro patrocinador privado do evento, através das marcas Delta Cafés, Adega Mayor e Beck’s, com activações temáticas em várias rubricas do programa, como as “Conversas Mayor” e o “Bar Beck’s”, e do lançamento de uma edição especial de pacotes de açúcar “Walk&Talk”, com distribuição nacional a partir do dia 1 de Julho.
Outro exemplo açoriano que recorre ao “crowdfunding” é o de um grupo de investigadores da Universidade dos Açores que, apoiados pelo fotógrafo subaquático internacionalmente premiado Nuno Sá, lançaram uma campanha de financiamento colectivo para avaliação do impacto das actividades de observação de cetáceos nas suas populações e optimização desta actividade na região. Os promotores da campanha estabeleceram como valor-objectivo (12.500 dólares) e oferecem uma variedade de recompensas às pessoas que apoiarem este projecto, incluindo fotografias digitais, calendários e impressões fotográficas de qualidade da autoria do fotógrafo Nuno Sá, entre outras ofertas. A campanha está a decorrer até ao próximo dia 19 de Julho de 2013 e enquadra-se na iniciativa internacional de “crowdfunding” ambiental.
O projecto LIFE Laurissilva Sustentável, coordenado pela Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves, também já teve várias iniciativas de “crowdfunding” para ajudar a  manter a conservação do Priolo.

“Crowdfunding” Açores
Também o Governo Regional, ao lançar em Dezembro de 2012 o documento estratégico “Agenda Açoriana para a Criação de Emprego e Competitividade Empresarial”, previa  a criação, até afinal do primeiro semestre deste ano, do “Crowdfunding Açores”.
O documento refere que o objectivo seria o de promover a obtenção de financiamento para ideias e projectos inovadores, através da criação de uma plataforma regional on-line de “crowdfunding” em articulação com as plataformas já existentes a nível internacional. A referida plataforma funcionaria em três eixos: “fundar projectos criativos”; “lançar novos produtos”; “iniciar um negócio”. Seria, segundo o documento, uma montra da criatividade açoriana que permitiria, não só o seu financiamento, mas também a sua exposição ao mercado da diáspora, dando hipóteses à comunidade açoriana de, à distância, participar no desenvolvimento da economia dos Açores.
A plataforma que o Executivo açoriano prevê criar ainda não se encontra em funcionamento, mas são já muitos os projectos açorianos que procuram financiamento para um negócio de sucesso em tempos de crise.