Partido Socialista ganha maioria das câmaras mas falha Ponta Delgada e perde Ribeira Grande

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vasco cordeiro psO Partido Socialista reforçou ontem nos Açores o seu peso autárquico, conquistando 13 das 19 câmaras, numa eleição contava com diversas situações curiosas – e resultados inesperados. Apesar da “grande vitória do PS”, como a intitulou o líder do partido, Vasco Cordeiro, os socialistas não conseguiram conquistar Ponta Delgada, que se manteve nas mãos do PSD, e perdeu a Ribeira Grande para o jovem social-democrata Alexandre Gaudencio. No entanto, o PSD perdeu o Nordeste, tradicional bastião laranja, e não conseguiu eleger Rui Melo em Vila Franca, com Ricardo Rodrigues a manter a autarquia nas mãos dos socialistas.
O presidente do PS/Açores, Vasco Cordeiro, considerou que o partido obteve uma “vitória muito saborosa” no domingo ao conquistar 13 dos 19 concelhos da região, mais um do que em 2009, desvalorizando a derrota em Ponta Delgada. Vasco Cordeiro destacou que os socialistas conseguiram aumentar de 12 para 13 o número de câmaras que tinham no arquipélago, conquistando inclusivamente autarquias que nunca o PS liderou, como as Lajes das Flores e Nordeste.
“Desse ponto de vista, é também ela uma vitória muito saborosa”, disse o presidente do PS/Açores, sublinhando que cumpriu os objetivos para estas eleições que tinha estabelecido em janeiro, quando assumiu a liderança do partido. “Os resultados saldam-se numa grande vitória do PS/Açores”, insistiu, desvalorizando, em resposta a questões dos jornalistas, a derrota em Ponta Delgada, a maior autarquia dos Açores, que se manteve em mãos do PSD e onde os socialistas tinham apresentado um candidato de peso. Vasco Cordeiro desvalorizou também a derrota na Ribeira Grande, uma das maiores autarquias dos Açores, que os socialistas perderam para o PSD e que foi uma das surpresas da noite eleitoral no arquipélago.
Vasco Cordeiro disse analisar estes resultados em Ponta Delgada “da mesma forma” que analisa os resultados nos outros concelhos, insistindo sempre na “grande vitória” alcançada pelos socialistas no conjunto do arquipélago. Para o presidente do PS/Açores, as derrotas e as vitórias foram sempre do partido em todos os 19 concelhos.
Estas foram as primeiras eleições que Vasco Cordeiro enfrentou desde que tomou posse como presidente do Governo Regional, em novembro passado, e como líder do PS/Açores.
O CDS-PP conseguiu ganhar um câmara, nas Velas, em São Jorge, com uma maioria absoluta de Luís Virgílio de Sousa da Silveira de 49,18%., conquistando três mandatos, sendo que o partido venceu também duas juntas de freguesia no concelho, Rosais e Norte Grande. O líder do CDS-PP/Açores, Artur Lima, mostrou-se “satisfeito” pelo resultado alcançado nas eleições autárquicas na região: “o CDS voltou ao poder autárquico, o que é positivo ao fim de 12 anos e estamos, por isso, muito satisfeitos. Subimos, de uma maneira geral, no Pico, onde elegemos para as assembleias de freguesia e na ilha Terceira, portanto o resultado globalmente é muito positivo para o CDS/Açores”, frisou, em declarações à Lusa, na sede do partido, em Angra do Heroísmo, na ilha Terceira.
Dos 3 “pesos pesados” do PS, 2 conseguiram vitórias: Álamo Menezes em Angra do Heroísmo e Ricardo Rodrigues na Vila Franca do Campo. Em Angra do Heroísmo, Álamo Menezes ganhou com mais 296 votos que a coligação PSD-CDS, numa diferença de 3,84%. Em Vila Franca, Ricardo Rodrigues ganhou com mais 348 votos que Rui Melo, uma diferença de 12,6%. Neste concelho, tanto o PS como o PSD têm 3 vereadores, enquanto que o grupo de independentes tem 1! Na Assembleia Municipal o PS tem 10 lugares, o PSD 9 e o grupo de independentes 2! Ou seja, os independentes poderão marcar a diferença. Em Angra do Heroísmo o PS fica mais confortável, com 4 vereadores contra 3, enquanto que na Assembleia Municipal tem 11 contra 10.

Em Ponta Delgada, José Contente perdeu para o social-democrata José Manuel Bolieiro. Contente perdeu com uma diferença de 2.335 votos, o que corresponde a menos 16% dos votos do seu opositor.
Na Praia da Vitória, a votação de Roberto Monteiro, do PS, ficou-se pelos 62,14%, o que, sendo uma clara maioria absoluta, revela uma descida dos em relação aos 69,5% conseguidos há 4 anos pelo mesmo candidato (uma quebra de cerca de 1.800 votos).
O líder do PPM nos Açores, Paulo Estêvão, fez um balanço positivo dos resultados nas autárquicas, destacando que o partido conseguiu, pela primeira vez, ter dois representantes em assembleias municipais. “O PPM passa a entrar nas assembleias municipais, quer em Vila Franca, quer na Horta”. Paulo Estêvão destacou ainda as vitórias do PSD em Ponta Delgada e do CDS-PP nas Velas, candidaturas a que o PPM tinha dado apoio político. Para Paulo Estêvão, o aumento do número de câmaras municipais vencidas pelo PS é um “reflexo claríssimo” da política de austeridade do Governo da República, tal como já tinha acontecido nas eleições regionais. Ainda assim, o líder regional monárquico salientou que o PS “acaba por falhar o seu objetivo prioritário, que era a Câmara de Ponta Delgada”.
O líder do PCP nos Açores, Aníbal Pires, salientou que o partido conseguiu alcançar os objetivos que tinha traçado para as eleições autárquicas de domingo, nomeadamente aumentar o número de eleitos e a expressão eleitoral. A CDU aumentou o número de eleitos em assembleias de freguesia de quatro para seis, sendo que na Horta manteve dois deputados, em Vila do Porto passou de um para dois e o mesmo aconteceu em Santa Cruz das Flores. “O reforço da CDU e a dimensão regional da CDU saem consolidados”, salientou Aníbal Pires, admitindo, ainda assim, que a coligação ficou “muito aquém de eleger vereadores”. Para o líder regional do PCP, a vitória do PS na maioria das autarquias açorianas resulta da “erosão” dos partidos da maioria no Governo da República. “Embora os partidos que governam o país tenham tentado afastar a discussão da política nacional, a verdade é que ela produz efeitos negativos”, frisou.

O presidente do PSD/Açores, Duarte Freitas, admitiu que o partido esperava conquistar mais câmaras, freguesias e assembleias municipais nas eleições autárquicas, mas destacou a “dignidade de todas as candidaturas e candidatos” social-democratas. “Naturalmente que a nossa expectativa era ganhar mais câmaras, mais juntas de freguesia, mais assembleias municipais. O povo assim não o entendeu e na escolha que fez dos seus líderes locais entendeu que as soluções que o PSD apresentava não seriam as melhores”, afirmou Duarte Freitas, no final da noite eleitoral, na sede do PSD/Açores, em Ponta Delgada.
Em resposta a questões dos jornalistas, admitiu que “poderá ter falhado os projetos apresentados e a perceção pública que as pessoas tiveram em relação aos projetos”.
“Poderá ter havido também alguns candidatos que não terão feito a campanha com a maior eficácia possível”, referiu, frisando que aquilo que é preciso reter é a dignidade de todas as candidaturas e candidatos.
Duarte Freitas disse que o partido continua “a confiar” que tinha “grandes candidatos”, dizendo que vai “continuar a contar com eles para trabalhar” na defesa de cada concelho e dos Açores.
Questionado sobre a vitória do PSD na Ribeira Grande e a derrota no Nordeste, Duarte Freitas disse “não pretender particularizar ninguém tanto nas derrotas como nas vitórias”.
“Sou perdedor em todos os sítios onde o PSD perdeu, sou vencedor em todos os sítios onde o PSD/Açores venceu, mas não sou eu, não é o PSD/Açores, foram os candidatos que ganharam, tal como espero que sejam os cidadãos a ganhar com o trabalho dos nossos candidatos e também dos candidatos dos outros partidos que foram eleitos”, disse.


Vila Franca do Campo foi uma das 5 autarquias nacionais que começaram a funcionar mais tarde, devido a problemas de funcionamento. Em Vila Franca as urnas abriram com um atraso de 45 minutos, depois de ter sido detectado um problema nos boletins de voto para a eleição para a câmara municipal: faltavam os quadrados para fazer a cruz à frente das candidaturas do movimento independente Novo Rumo e do PSD. As eleições prosseguiram depois de consultada a CNE e de os candidatos terem aceite a solução da comissão: fazer à mão os quadrados em falta… Trata-se de um erro absolutamente original: nas restantes, houve um furto dos boletins, portas encerradas por cadeados ou desaparecimento de chaves!