BE/Açores vai apresentar propostas de alteraçãoao Acordo de Concertação Social

O Grupo Parlamentar do BE/Açores anunciou, na Assembleia Legislativa, que vai apresentar propostas de adaptação à realidade laboral dos Açores de algumas medidas do documento recentemente assinado pelo Governo da República, patrões e UGT – "Compromisso para o Crescimento, Competitividade e Emprego".

De acordo com nota de imprensa, estas alterações se devem ao facto de "nos Açores, os salários serem mais baixos, em média, do que o todo nacional, onde existe uma precariedade assustadora, e onde a economia vive, fundamentalmente, do mercado interno, os efeitos destas medidas far-se-ão sentir, assim, de forma ainda mais dolorosa", alertou a líder da bancada do BE, Zuraida Soares.

No debate realizado ontem na cidade da Horta, por iniciativa do BE/Açores, acerca das medidas que serão impostas aos trabalhadores pelo "Compromisso para o Crescimento, Competitividade e Emprego", Zuraida Soares criticou os candidatos do PS e PSD às próximas legislativas regionais – Vasco Cordeiro e Berta Cabral – "por não terem ainda manifestado a sua posição sobre o acordo, apesar de, todos os dias, brindarem os açorianos com uma frenética troca de mimos através da Comunicação Social."

"Dr. Vasco Cordeiro, Dra. Berta Cabral, quando pensam dizer, claramente, se são a favor ou contra a desregulação da vida familiar dos açorianos, a diminuição, ainda maior, de salários, na Região, o trabalhar mais sete dias, por ano, sem pagamento, o despedimento, nas mãos do livre arbítrio do patrão, e a marcação de férias, sob a batuta e os interesses deste?", questionou a deputada, referindo ainda que, perante todas estas consequências "espanta ouvir da boca do líder do PS/Açores e Presidente do Governo Regional, palavras de congratulação, pelo acordo assinado."

Este acordo é, segundo os bloquistas, "a matriz que abre a porta a todos os abusos, colocando os/as trabalhadores/as ao nível dos servos da gleba, às ordens dos patrões. O planeamento e a estabilidade da vida familiar, para os defensores deste acordo, é um conceito atrasado e conservador, porque trata de transferir mais lucros para os patrões."

Na ocasião, foi também interrogada a prestação do PSD e CDS que " por tudo e por nada, aparecem a defender os valores da vida familiar, como um primeiro bem e alicerce da sociedade e, são, agora, os coveiros desta mesma família."

A deputada Zuraida Soares não se limitou a criticar as medidas que serão implementadas, apontando um caminho alternativo para combater a crise e o desemprego, defendido pelo Bloco de Esquerda: "renegociar a dívida e auditá-la, fazer pagar os impostos devidos aos rendimentos de capital e ao património, políticas de investimento que não contem para o défice, e renegociação das parcerias público-privado."