Artur Sá retém mercadoria e Melo Abreu responde com providência cautelar

Melo AbreuA primeira decisão significativa tomada pela Fábrica de Cervejas Melo Abreu depois da entrada do Governo Regional no seu capital social através da Sinaga, foi o cancelamento do contrato de distribuição que tinha há muitos anos com a empresa Artur Sá (Abelheira – Fajã de Baixo), o que poderá levar ao despedimento colectivo de cerca de 17 trabalhadores.
O fim do acordo foi comunicado unilateralmente pela Melo Abreu no dia 20 de Janeiro, para ter efeito a partir de 1 de Fevereiro. Ontem a Artur Sá comunicou à administração da Sinaga que iria reter nos seus armazéns uma quantidade não divulgada de vasilhame e bebidas já engarrafadas até que a Melo Abreu saldasse verbas que alegadamente deve de vários anos. 
Ontem de manhã o ambiente era nitidamente tenso, o que terá mesmo levado uma equipa da PSP a deslocar-se à Abelheira, onde a Artur Sá tem as suas instalações. Quando os trabalhadores da Melo Abreu se preparavam para orientar as distribuições do dia, foi-lhes comunicado que a mercadoria estava retida e não poderia sair das instalações. Tudo indica que se trata de uma quantidade significativa e que a cervejeira poderá não conseguir reabastecer os seus postos de venda pelo menos nos próximos dias, sendo praticamente garantido que haverá interrupção no abastecimento.
Apesar de um email da Artur Sá ter sido enviado à Melo Abreu cerca das 6h30 de segunda-feira, só cerca das 11 horas é que duas chefias intermédias tomaram oficialmente conhecimento da ocorrência. E quando contactaram a administração não conseguiram qualquer informação adicional. A situação manteve-se sem qualquer desenvolvimento até ao fim do dia, quando os trabalhadores da Melo Abreu foram transportados de novo para Ponta Delgada.

Providência Cautelar

Segundo Leite Gomes, gerente da Melo Abreu, a empresa estava ontem à tarde a preparar uma providência cautelar, que deverá hoje fazer chegar ao Tribunal de Ponta Delgada, no sentido da Artur Sá “reabrir os armazéns” e permitir que a Melo Abreu retire de lá o que considera ser seu.
Segundo Leite Gomes, “em causa estão dívidas de parte a parte e já em Dezembro a Melo Abreu propôs uma solução para o problema que não foi aceite pela Artur Sá”. Quanto à estratégia que esteve na base do rompimento do contrato, “tem a ver com questões económicas, de poupança, que é urgente” e referiu que “a Melo Abreu irá passar a assegurar a sua própria distribuição”.
O Governo Regional tinha autorizado no dia 2 de Julho do ano passado a Sinaga (Sociedade de Indústrias Agrícolas Açorianas) a proceder à aquisição de 5% do capital social da Fábrica de Cervejas e Refrigerantes João Melo Abreu e a subscrever, através do aumento do capital social desta fábrica, uma quota que lhe garanta uma participação total de até 15% do capital social. O comunicado do Governo referia que “a concretização da participação da Sinaga no capital social da Melo Abreu fica dependente da prévia aprovação pelas instituições financeiras do plano de reestruturação da empresa, que assegurará uma redução de cinco milhões de euros do seu endividamento bancário” – na realidade, tudo indica que a entrada do Governo no capital social da Melo Abreu foi uma condição da banca para perdoar uma parte do passivo da empresa, num montante próximo dos 45%.
Na altura, o Governo Regional referiu que “esta decisão permitirá reforçar o estabelecimento de parcerias entre a Sinaga e a Melo Abreu, aumentando assim a competitividade das duas empresas” o que parece explicar parcialmente a presente decisão.
Artur Sá admite que não tem outra hipótese se não avançar para um despedimento colectivo caso não consiga manter a Melo Abreu. A empresa nos últimos foi-se adaptando às necessidades da Melo Abreu e tem toda a sua frota dependente em exclusivo deste cliente não sendo previsível que consiga diversificar em tempo útil, especialmente tendo em conta a forte baixa de actividade comercial que se regista no arquipélago.