ONU é “preconceituosa ao limitar crianças em touradas”, dizem terceirenses...

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Tourada à corda - TerceiraA Tertúlia Tauromáquica Terceirense (TTT), a mais antiga colectividade dinamizadora de espectáculos taurinos nos Açores, considera “preconceituosa” e “parcial” a recomendação da ONU para limitar a participação de crianças em touradas.
“Esta posição da ONU parece-nos absolutamente inaceitável, porque carece de fundamento e foi tomada de uma forma leviana e preconceituosa”, disse à agência Lusa o presidente da TTT, Arlindo Teles.
Segundo a agência Lusa, num relatório divulgado a 5 de Fevereiro, o Comité dos Direitos das Crianças da ONU aconselhou Portugal a criar legislação que restrinja a participação de crianças em touradas, referindo estar “preocupado com o bem-estar físico e mental das crianças envolvidas em treino para touradas, bem como com o bem-estar mental e emocional das crianças enquanto espectadores que são expostas à violência das touradas”.
Na base desta decisão esteve um relatório da organização não-governamental Franz Weber.
O responsável pela TTT critica a recomendação por “tomar como referência as informações manipuladas que o lóbi anti-taurino do milionário suíço Franz Weber tem difundido massivamente”.
“Peca logo na base por se tratar de um trabalho sem qualquer sentido crítico ou científico, não estudando de uma forma isenta e profunda a realidade da cultura taurina, sem ouvir não apenas os agentes da tauromaquia, mas sobretudo várias outras entidades independentes e avalizadas que inclusivamente já se pronunciaram oficialmente em sentido oposto, em diversos momentos”, afirma.
Entidades, exemplifica Arlindo Teles, como a Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC) que, em deliberações publicadas, refere que “as corridas de touros não são suscetíveis de influir negativamente na formação das crianças e adolescentes”, apontando ainda um estudo da instituição espanhola Defensor del Menor en la Comunidad de Madrid que conclui que “não se pode considerar perigosa a contemplação de espectáculos taurinos por menores de 14 de anos”.
“Uma entidade com a responsabilidade da ONU dispôs-se a fazer uma recomendação de uma forma preconceituosa e parcial, desrespeitando a identidade cultural e as liberdades individuais do nosso país”, declarou.
Criada há 48 anos na ilha Terceira, a TTT promove espectáculos, encontros e diversos projectos tauromáquicos, possui um grupo de forcados amadores que forma jovens e actuam não só na região, como em território continental e ainda no estrangeiro, nas comunidades de emigrantes açorianos do continente americano e em corridas de touros europeias.
Semelhante posição crítica à recomendação da ONU tem a organização da “Tourada dos Estudantes”, uma manifestação cultural com cerca de oito décadas promovida por estudantes da ilha Terceira durante o carnaval.
Diogo Rocha, elemento da organização que promove um desfile no centro de Angra do Heroísmo e uma tourada na Praça de Touros da ilha Terceira, explicou à agência Lusa que se trata de uma “tradição cultural nacional, muito enraizada” na ilha, “que deve ser mantida e defendida”.
“Além ser um marco do Carnaval de Angra do Heroísmo, a Tourada dos Estudantes sempre foi a rampa de lançamento para cavaleiros, toureiros e forcados da nossa terra”, apontou.
O relatório do Comité dos Direitos das Crianças da ONU refere que a próxima avaliação de Portugal sobre esta matéria será feita em Outubro de 2017.