Câmara do Comércio de Angra critica “concentração de serviços e empresas públicas em S. Miguel”...

angraA Câmara de Comércio de Angra do Heroísmo (CCAH) criticou ontem a “concentração” de serviços e empresas públicas numa só ilha dos Açores, São Miguel, considerando “muito preocupante” o “desinvestimento” nas restantes oito.
Segundo o presidente da CCAH, Sandro Paim, em causa está o “esvaziamento progressivo da coesão arquipelágica” através da “concentração de serviços governamentais e das sedes das empresas públicas na ilha de São Miguel, em detrimento das restantes oito ilhas da região”, exemplificando com a SATA (a transportadora aérea regional), a EDA, a Atlanticoline (transporte marítimo inter-ilhas) e a Lotaçor (que gere as lotas). O responsável referiu ser “muito preocupante” o “desinvestimento” nas restantes ilhas, em particular na Terceira.
“A nossa principal preocupação passa pelo desinvestimento em diversas ilhas, tendo em conta o que é perspectivado em termos de redução da Base das Lajes, dos impactos económico e social para a ilha, e com os anúncios de sucessivos cancelamentos, adiamentos e desvio de investimento previsto para a ilha Terceira e que não se vai concretizar”, afirmou, em declarações à agência Lusa, e na sequência de um comunicado divulgado ontem pela CCAH sobre estas questões.
Sandro Paim exemplificou com o cancelamento de obras previstas para Angra do Heroísmo, como o cais de cruzeiros, “que constava na Carta Regional de Obras Públicas 2013-2016, para se realizar no 1.º semestre de 2015”; o parque tecnológico, “sem data para o seu arranque” e com “menor perspectiva de investimento”; ou o centro de radioterapia, que “com investimento já realizado no hospital da ilha Terceira, será em São Miguel”.
O presidente da CCAH referiu ainda o terminal de carga aérea na aerogare civil das Lajes, que “continua sem sofrer os melhoramentos há muito prometidos”, e a plataforma logística internacional na Praia da Vitória, “excluída do documento estratégico marítimo-portuário apresentado pelo Governo da República até 2020”.
O porta-voz da estrutura empresarial reiterou que a “centralidade regional” da ilha Terceira permitiria “poupanças significativas para os cofres da Região, bem como contribuir para uma real coesão territorial”.
A CCAH lamentou, por isso, que haja “concentração da frota da SATA e do transporte de carga marítima” em São Miguel e que, ao nível turístico, “‘charters’, apoiados pelo Governo Regional” tenham “ponto de chegada e partida a ilha de São Miguel”.
Sandro Paim refere que as críticas são dirigidas ao presidente do Governo Regional, aos deputados no parlamento dos Açores, presidentes de câmara e à sociedade civil, exigindo “uma inflexão desta estratégia que leva a um agravamento dos desequilíbrios em todo o território regional”.

PSD exige explicações de
Vasco Cordeiro sobre cais de Angra

O PSD de Angra do Heroísmo exigiu ontem responsabilidades ao presidente do Governo Regional “pelo abandono” da construção do cais de cruzeiros em Angra”.
“Vasco Cordeiro deve explicações aos terceirenses pelo não cumprimento desta promessa eleitoral, quer como responsável máximo da governação regional, quer como ex-secretário regional da Economia, ao assumir que a mesma seria o ponto de partida para a valorização turística de Angra como destino de cruzeiros”, disse o presidente da concelhia, Luís Rendeiro.
 “Foi Vasco Cordeiro a garantir que Angra do Heroísmo possuía características únicas para o turismo de cruzeiros, anunciando que a construção de um cais de cruzeiros fazia parte da estratégia do Governo para o mar e para a projecção dos Açores como destino, quer para cruzeiros de grande porte, quer para de cruzeiros temáticos”, lembra o social-democrata.
“Exige-se que seja Vasco Cordeiro a explicar os porquês e a assumir a quebra do compromisso”, concluiu.

CDS-PP acusa PS de
“atraiçoar os Angrenses despudoradamente”

A Comissão Política Concelhia do CDS-PP de Angra do Heroísmo acusou o Governo Regional, o PS e o actual Presidente da Câmara de Angra de “uma rude e despudorada traição aos Angrenses”, na sequência do anúncio público de que “a grande promessa socialista do Cais de Cruzeiros de Angra já não vai ser concretizada”.
Num comunicado enviado à comunicação social, a estrutura partidária concelhia presidida por Maria Graça da Silveira lembra que “desde o primeiro momento que o CDS-PP alertou aos Angrenses de que esta era mais uma promessa do Partido Socialista e dos seus principais responsáveis apenas para ganhar eleições”.
A dirigente democrata-cristã recorda: “Foi a grande bandeira do PS nas eleições de 2008, que o PS ganhou; Serviu para reconduzir Andreia Cardoso como Presidente da Câmara de Angra, em 2009; Voltou a ser prometida nas Regionais de 2012 e o PS voltou a ganhar; E até o actual Presidente da Câmara de Angra abordou a promessa na sua campanha eleitoral”.
Assim, afirma, “sete anos depois, o Partido Socialista que se serviu da promessa do Cais de Cruzeiros para ganhar eleições, e ganhou-as, atraiçoa vergonhosamente os Angrenses dizendo que afinal a promessa já não é para cumprir. Infelizmente, uma vez mais, o CDS-PP estava coberto de razão”.
O texto assinado por Graça Silveira aponta ainda que “o PS ganhou quatro eleições no Concelho de Angra à custa da ilusão que criou nos Angrenses, prometendo repetidamente a intenção de investir cerca de 70 milhões de euros no Porto das Pipas, chegando mesmo a usar o argumento de que a obra seria co-financiada em 85% por fundos comunitários, mas, agora, estranhamente, com a chegada de um novo quadro comunitário de apoio que até aumenta a comparticipação para 95% a fundo perdido, o PS diz que mudou de prioridades”.
Nestes termos, acrescenta a Concelhia popular Angrense, “é inadmissível esta forma de fazer política”, sendo ainda de lamentar que “os Angrenses se tenham deixado enganar tantas vezes pelo mesmo Partido Socialista”.