Conselho de Ilha de São Miguel quer "equidade" na distribuição de verbas comunitárias

Noé-RodriguesDe acordo com a agência Lusa, o Conselho de Ilha de São Miguel, que reuniu ontem pela primeira vez, quer equidade na “repartição dos recursos postos à disposição pelos financiamentos comunitários” para a maior ilha dos Açores, “o principal motor da economia” do arquipélago.
“Em cada momento há investimentos que são prioritários em cada uma das nossas nove ilhas e que podem, de alguma forma, contribuir para escurecer aquela que seria a repartição proporcional dos recursos que são postos à nossa disposição pelos financiamentos comunitários”, afirmou Noé Rodrigues, presidente do Conselho de Ilha de São Miguel, um órgão consultivo que ontem realizou a sua primeira reunião ordinária depois de ter estado inactivo durante mais de dez anos.
Um dos pontos de agenda era a análise do Programa Operacional 2014/2020 dos Açores, que tem uma dotação superior a 1,1 mil milhões de euros do Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional (FEDER) e do Fundo Social Europeu.
“Fora estas situações extraordinárias, em que cada ilha necessita de ter um investimento determinado para poder alavancar a sua actividade social e económica, nós achamos que São Miguel continua a ser, e continuará a ser no futuro, o principal motor da economia açoriana e por isso deve reivindicar de uma forma clara, consistente e permanente a alavancagem destes investimentos com os fundos comunitários que lhe devem ser destinados”, referiu.
Noé Rodrigues, deputado do PS na Assembleia Municipal de Ponta Delgada e antigo secretário regional da Agricultura, voltou a sublinhar a importância de estar em funcionamento o conselho de ilha, que pretende ser “uma voz” na defesa dos interesses da maior ilha açoriana.
“Tratava-se também da possibilidade de São Miguel se afirmar, através do seu conselho de ilha, se pronunciar sobre tal documento, uma vez que em outras ilhas tal pronunciamento tem sido feito”, acrescentou.
Além disso, os conselheiros consideraram que são importantes investimentos que permitam “melhorar” ainda a mobilidade “no interior de alguns concelhos da ilha” e permitir que “alguns investimentos na área da reabilitação urbana sejam facilitados” para “recuperar postos de trabalho” em São Miguel.
Noé Rodrigues afirmou que São Miguel “é uma ilha que de facto tem capacidade de ser motor dinamizador da economia” regional e que “por isso deve, de uma forma equitativa, de uma forma proporcional, receber o investimento que é necessário para poder continuar a ser esse motor dinamizador”.
Na reunião foi ainda aprovada uma proposta para o regimento de funcionamento do conselho de ilha no sentido de o submeter a uma comissão de redacção para “melhorar o texto”.
Integram o Conselho de Ilha de São Miguel os presidentes das câmaras e assembleias municipais dos seis municípios micaelenses e representantes da associação agrícola, da câmara do comércio e de sindicatos, entre outros.
Os deputados no parlamento dos Açores eleitos por São Miguel têm também assento no Conselho de Ilha, por inerência.